114

150 35 21
                                        

Seattle, Washington - 2013

Às vezes, a vida não retorna de forma grandiosa.

Não há música.
Não há luz divina rasgando o céu.

Há silêncio.

Um silêncio pesado, denso... que se instala nos espaços onde o amor se recusa a desistir.

Entre um batimento e outro, entre o medo e a esperança, existem pessoas que permanecem. Que seguram mãos frias como se pudessem, com isso, impedir a partida. Que falam, mesmo sem resposta, porque amar também é acreditar no impossível.

E, em algum lugar entre a dor e a espera... a vida decide.

Decide se volta.
Ou se vira saudade.

A UTI estava silenciosa demais.

O tipo de silêncio que não traz paz, apenas espera.

Andrew estava sentado ao lado da cama, o corpo inclinado para frente, os cotovelos apoiados nas pernas, a mão dela presa entre as suas.

Ele não sabia há quanto tempo estava ali.

Minutos.

Horas.

Parecia... uma vida inteira.

Os olhos percorriam o rosto de Alina como se precisassem decorar cada detalhe. Como se, de alguma forma, isso pudesse mantê-la ali.

— Eu fui conhecer ele...

A voz saiu baixa. Rouca.

Quebrada.

Ele soltou uma pequena risada sem humor, passando o polegar sobre os dedos dela.

— Você devia ver.

Uma pausa.

Os olhos se encheram.

— Ele é tão pequeno que chega a dar medo de tocar... mas ao mesmo tempo...

A garganta travou.

— Ele é perfeito.

Andrew respirou fundo, tentando se manter firme.

— Ele tá lutando.

O olhar dele voltou para o rosto dela.

— Igual você.

Silêncio.

O monitor continuava marcando o tempo.

Frio.

Regular.

— Eu não dei nome ainda.

A voz saiu mais baixa agora.

Mais íntima.

— Porque isso... é seu.

Ele aproximou um pouco mais a cadeira, inclinando-se.

— Eu vou esperar você acordar.

Os dedos dele apertaram levemente os dela.

—E você vai escolher.

Uma lágrima caiu.
Ele nem percebeu.

— Então você precisa voltar, tá ouvindo?

A voz falhou.

— Porque ele tá lá... esperando você.

Outra pausa.

Mais longa.

Código AzulOnde histórias criam vida. Descubra agora