Pov Chloe
Passamos a tarde a conversar sobre coisas simples, como o estado das pastagens, a colheita do próximo mês, os preparativos finais para o quarto dos trigêmeos, e o casamento da Maira e o meu casamento.
Por volta das seis da tarde, senti o corpo da Elis a dar pequenos solavancos e a cabeça dela a inclinar levemente contra o meu ombro. Ela estava a lutar com todas as forças para não adormecer.
Chloe: Vamos para o quarto, amor.- sussurrei-lhe ao ouvido, roçando os meus lábios na orelha dela.- Estás a sonecar e eu preciso esticar as pernas.
Elis: Hum? Não, eu estou acordada.- murmurou ela com a voz arrastada, abrindo o olho direito com uma dificuldade enorme e tentando ajeitar-se no sofá.- Estou a cuidar de ti.
Chloe: Estás a cuidar muito bem, mas agora a tua única tarefa é ir para a cama.- sorri fraco, dando-lhe um beijo leve no queixo.- Anda. Ajudo-te a levantar.
Com a ajuda da minha mãe para equilibrar o meu peso e o da Elis, levantámo-nos do sofá. O Mattew ainda se ofereceu para levar a Elis ao colo, mas ela recusou insistindo em andar sozinha, apoiada ao meu ombro e ao corrimão até ao nosso quarto.
Assim que entramos no quarto, ajudei a Elis a descalçar e a tirar a camiseta, substituindo-a por uma camisola larga e macia.
Ela deitou-se na cama fechando os olhos no mesmo segundo em que a cabeça tocou no travesseiro. Sentei-me ao lado dela, tirando os meus chinelos e ajeitando o meu ropão antes de me deitar de lado, mantendo a minha barriga acolhida contra a lateral do corpo dela.
Elis: Chloe.- a Elis chamou, com a voz abafada pelo travesseiro, sem abrir os olhos.
Chloe: Diz, meu amor.
Elis: Eu te amo.
Aproximei-me mais um pouco, puxando a mão dela para cima da minha barriga. O Ravi deu um chute forte no mesmo instante, exatamente sob a palma da mão dela.
Chloe: Eu também te amo.
Coloquei o edredom por cima de nós duas, sentindo o calor do corpo dela e a agitação suave dos nossos três filhos dentro de mim e olhei para o teto do quarto, ouvindo o vento da noite soprar lá fora.
[Dia seguinte]
No dia seguinte acordei com a Elis ainda a dormir ao meu lado, ressonando baixinho. O inchaço no rosto dela tinha diminuído bastante, embora a bochecha continuasse um pouco roxa. Movi-me devagar para não a acordar, saí da cama e fui tomar banho. Após isso passei pela cozinha, onde a minha mãe e a Maira já preparavam o pequeno-almoço, e em seguida fui na varanda para apanhar um pouco de ar fresco. Pouco tempo depois, o som de um motor anunciou a chegada de uma viatura. Era o Camilo.
O Camilo desceu do carro com uma pasta na mão e um sorriso leve ao ver-me.
Camilo: Bom dia, Chloe! Como é que estão as coisas por aqui hoje? A poeira já assentou?
Chloe: Bom dia, Camilo. As coisas estão bem mais calmas, graças a Deus. A Elis conseguiu dormir a noite toda e a casa está em paz.
Camilo: Fico feliz por saber disso. Eu vim só para trazer o documento do depoimento final para a Elis assinar quando puder, para fecharmos o inquérito do agressor na delegacia.
Antes que um de nós pudesse se mexer, ouvimos o barulho de uma picape se aproximando. Era a picape prateada da Aurora. Ela estacionou logo atrás da viatura do Camilo e desceu rapidamente, vestindo uma camisa xadrez e botas de trabalho.
O Camilo ajeitou a farda, cruzando os braços e tentando manter uma postura profissional, mas o olhar dele mudou no mesmo instante. Havia algo diferente nele.
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Sem medo de amar
RomanceElis era uma jovem solitária, sempre preferindo passar seu tempo lendo ou jogando vídeo game. Ela era tímida, introvertida e havia construído muros invisíveis ao seu redor para se proteger das supostas desilusões que a vida lhe traria. Chloe, por ou...
