Pov Chloe
Virei-me de costas e caminhei para dentro de casa sem esperar por ela, sentindo cada centímetro do meu corpo protestar. As minhas pernas tremiam pelo esforço e pela carga emocional. A minha mãe veio logo ao meu encontro, segurando-me pelo cotovelo para me guiar até ao sofá.
Jana: Devagar, Chloe... Calma. Respira fundo. Estás a exagerar no esforço, minha filha.
Chloe: Eu estou bem, mãe.- disse deixando-me cair com cuidado nas almofadas do sofá e fechando os olhos por alguns segundos.
Menti, a verdade é que eu não estava nada bem. Sentia uma pressão na barriga e uma exaustão que parecia vir diretamente dos meus ossos.
Logo em seguida, a porta da frente abriu-se devagar. A Elis entrou arrastando o pé do tornozelo machucado, com a cabeça baixa e os braços caídos ao lado do corpo. O corte no lábio tinha voltado a babar uma gota fina de sangue por causa da discussão lá fora, e o olho esquerdo estava visivelmente mais escuro.
O Mattew e a Maira, que assistiam tudo em silêncio no canto da sala, olharam para ela com pena. O Mattew deu um passo à frente, tentando assumir a culpa mais uma vez.
Mattew: Chloe, por favor. Eu sei que estás furiosa e tens todo o direito do mundo, mas não faças isso com a Elis. A culpa de termos ficado a dar voltas na estrada foi minha. Fui eu que tirei a garrafa do porta-luvas, fui eu que insisti para ela não voltar para casa daquele jeito...- O interrompi.
Chloe: Chega, Mattew. A Elis é uma mulher adulta. Ela sabe perfeitamente o que é certo e o que é errado, sabe a responsabilidade que tem nesta casa e comigo. Ninguém a obrigou a mentir pelo celular. Ninguém a obrigou a esconder as coisas de mim. Por isso, não venhas tentar cobrir os erros dela.
O Mattew fechou a boca, baixando os olhos, totalmente envergonhado. A Maira apertou-lhe o braço, puxando-o para trás.
A Elis caminhou devagar até à mesa de centro, pegou num pedaço de papel limpo e limpou a gota de sangue do lábio sem dizer uma única palavra. Ela nem sequer tentava defender-se mais.
Elis: Eu vou... vou para o galpão de máquinas. Preciso arrumar as ferramentas do trator.-
disse ela com a voz rouca e falhada, sem conseguir encarar diretamente o meu olhar.
Jana: Elis, não vais para galpão nenhum!- a minha mãe interveio de imediato, indignada.- Estás cheia de dores, com a cara em brasas e o tornozelo novamente inchado. Vais para o quarto de hóspedes deitar-te e colocar gelo nesse rosto.
Elis: Não faz mal, Jana. Eu prefiro ficar no galpão. Assim a Chloe não precisa olhar para mim.
Aquelas palavras saíram com tanto peso e tanta dor que senti um aperto quase insuportável no peito. No entanto, o meu orgulho e a mágoa sufocante impediram-me de recuar. Fiquei calada, encarando a mesa de centro.
A Elis esperou três segundos por uma reação minha. Como eu não disse nada, ela soltou um suspiro longo, virou as costas e saiu pela porta dos fundos, caminhando com dificuldade em direção ao galpão.
Assim que a porta se fechou, a Maira aproximou-se do sofá e sentou-se na ponta do braço do sofá, olhando para mim com ternura e preocupação.
Maira: Chloe, sabes que nós te amamos e que o que aconteceu ontem foi uma grande irresponsabilidade, mas não te isoles nessa dor. Vocês duas passaram por tanta coisa para construir esta família. O Ravi, o Liam e a Thiana precisam de ver as mães bem.
Chloe: Eu sei, Maira.- apertei as mãos contra a minha barriga, sentindo as lágrimas finalmente voltarem a descer pelo meu rosto.- Eu sei, mas eu não consigo simplesmente sorrir e dizer que está tudo bem. A confiança é como um vaso de vidro, depois que se parte em mil pedaços, não basta pedir desculpas para colar de volta, leva tempo e eu não sei quanto tempo vou precisar para esquecer o terror daquela madrugada.
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Sem medo de amar
RomanceElis era uma jovem solitária, sempre preferindo passar seu tempo lendo ou jogando vídeo game. Ela era tímida, introvertida e havia construído muros invisíveis ao seu redor para se proteger das supostas desilusões que a vida lhe traria. Chloe, por ou...
