Fifth eight

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Pov Dinah Jane.

"Eu gosto muito de borboleta. Borboletas é o seguinte, é um casulo, que de repente se transforma numa coisa linda que enfeita a natureza e tem pouco tempo de vida. Simboliza transformação e ao mesmo tempo mostra que isso tudo é nada, que é efêmero; talvez seja o momento em que eu esteja me transformando, mas não é nada brusco assim, tá sendo um processo natural. Por quê não sabe se arriscar? sem perder a essência, jamais."

Ver-Te Mar. Salvador. Bahia. Brazil.
2007.







Poucas são as ocasiões em que eu me permito parar e pensar em tudo o que já aconteceu em minha vida. Algumas lembranças devem permanecer onde estão, no passado, comigo agradecendo por ter vivido tudo isso e usando-as de exemplo pra seguir adiante. O meu começo de vida não foi um daqueles clichês de filme adolescente, foi muito pé no chão e vivendo um dia de cada vez, quando surgiu a oportunidade de melhorar a vida da minha família e fazendo o que eu mais amo, junto, eu não pensei duas vezes, eu só fui. Uma pequena confidência: não foi um mar de rosas, a batida perfeita só acontecia quando estávamos no palco e cantando.
Apesar de gostar muito de viajar, de poder conhecer outros lugares, outras culturas, as turnês sempre foram o meu bicho papão porque no começo eram mais de 20 pessoas viajando por dias afins num ônibus que mal tinha estrutura de carregar os humanos e ainda assim carregava equipamentos e muitas outras coisas. O melhor acontecimento foi o nosso sucesso tomar outros rumos e toda a nossa estrutura mudar, viagens de ônibus só se a gente quisesse porque entrou na equação vôos de avião, helicóptero...
E eu pude conhecer as 2 mulheres que mudariam toda a minha história, primeiro foi a nossa atual advogada Dinah Washington, que nos livrou de uma galera muito âncora e depois a minha esposa que nos trouxe a advogada e uma visão nossa que há muito tempo estava perdida. Eu conheci primeiro minha esposa, já tinha ouvido falar da nossa advogada mas não tinha recebido ainda nenhum feedback que fosse verídico e pessoal, só aquelas fofocas e boatos de quem não conhece e não quer conhecer. E foram elas duas que viabilizaram a realização do nosso sonho em poder gravar um álbum todo ao vivo e num dos maiores palcos da música que foi o Madison Square Garden. A consequência disso foi uma turnê imensa por quase todo o planeta, prêmios e muito reconhecimento pelo nosso trabalho e esforço, um sonho que tenho medo de acordar. Confesso.
Eu vou compartilhar uma experiência pessoal pra explicar um pouquinho do que está acontecendo em nossa família. Eu não conhecia nenhuma das meninas quando nos foi oferecida a oportunidade de continuar no programa como um grupo, o único "conhecer" que existia era uma ou outra acompanhar no bastidor o que a outra fazia no palco, nada além disso. Eu não sabia quais bagagens cada uma tava trazendo, não sabia do mundo real delas, éramos todas adolescentes, totalmente deslumbradas com o que estava acontecendo e tinha um monte de gente decidindo tudo em nosso lugar, nada era real como é hoje. Com o passar dos dias e conforme nascia a confiança que eu passei a conhecer cada uma, de cara a gente viu as manias, os costumes, e bastante tempo depois vieram as conversas mais profundas e difíceis.
Lauren vem de uma família liberal até a página 2, eles têm fortes crenças religiosas e uma criação um tanto quanto chata. Seus pais começaram a se desvencilhar de certos costumes que os mais velhos insistiam em trazer e seguir a risca, por isso as decisões difíceis começaram com a mudança de país... Ela sempre nos contou que podia conversar com os pais sem medo de represálias ou questionamentos ruins, e que depois de um período de perdas ela se permitiu junto dos pais experimentar outras formas de lidar com o luto e a dor. E foi nesse momento em que ela, abertamente, começou a fumar, segundo ela não tinha frequência, era algo esporádico e junto dos pais como vigilância; o ponto de virada nessa história foi justamente a mente fraca por um término ruim e as más influências que os "amigos" podem ser. Estávamos no meio de um puta inferno astral, não podíamos confiar em nossa própria sombra e ela abriu a porta pra outras drogas e a bebida, foi isso o que a levou ladeira abaixo, infelizmente.
O grupo estava separado, cada uma em sua casa quando sua então 'amiga' e empresária conseguiu que ela recebesse o convite pra abrir todos os shows da nova turnê da Ashley, muito conhecida como Halsey. Esse convite deveria ser a virada de chave em sua vida e carreira, sendo a primeira de nós 4 a embarcar em um novo projeto pós hiatus. Mas é aquele velho e esdrúxulo ditado: 'quando tu num caga na entrada, caga na saída...', não satisfeita com todas as merdas que estavam acontecendo com a gente como um grupo, ela resolveu se afundar de vez em todos os seus vícios, todos de uma única vez, sem medo das consequências. E decisões assim costumam levar a pessoa por dois caminhos, o fundo do poço ou a morte, verdade nua e crua que muitas pessoas insistem em ignorar achando que tem o controle da situação, mas sinto te informar que não existe controle quando tem drogas e bebidas envolvidas.
Ela achou que tinha e chegou a morrer algumas vezes, a gente não soube na época mas ela teve outros episódios de overdose e foi trazida de volta a vida em todos eles. A família, que deveria assumir o controle e decidir por ela, não o fez e Dara foi sugada pra esse turbilhão. Quando eu soube da sua mudança para os EUA eu vi sim a segunda chance que tanto pedi pra ter ela de volta, mas eu vi também o cenário em que ela tava vivendo tentando cuidar de uma Lauren já afundada; tentamos, juntas, cuidar da sua recuperação, em mantê-la longe das coisas que sabíamos ser gatilhos e má influência. E é justamente aí que a mentira entra e o vício toma conta, descobrimos do pior jeito que ela nunca deixou de fumar, beber, que se tornou muito boa em esconder do mundo e da gente principalmente a sua escolha em não parar com nada.
Eu nem sei se serve de consolo ela dizer que tentou por várias vezes e por conta própria largar tudo, explicando as crises que pra gente eram sem sentido, as internações por intoxicação alimentar e outras coisas. "No dia do seu casamento eu tava limpa faziam 5 ou 6 dias, foi horrível mas a recaída deixo por conta da bagunça que minha cabeça sempre fica quando tô limpa..." a gente deixou de tentar entender muitas coisas com o passar do tempo e num curto espaço de tempo todas as estranhezas tiveram explicação, por não querer lidar com os seus monstros que ela recorria a tais atalhos.
Com motivo, razão e circunstâncias, minha esposa não quis outras conversas depois da que tivemos no quarto de hotel em Berlim, mas eu conheço essa criatura há mais de 10 anos e não me contentei com as explicações rasas que ela nos deu. Depois de garantir que Allysson e Normani não iriam despertar pela próxima hora, eu fui atrás dela e a nossa conversa foi totalmente diferente, deixei do lado de fora a Dinah mãe, mom e levei pra aquele quarto a mulher que dividiu um minúsculo banheiro de ônibus com ela, eu precisava de respostas que só ela poderia me dar. A primeira pergunta que eu fiz foi o porquê dela ter decidido, agora, parar com os seus vícios já que estava totalmente livre pra viver como queria, sem os deveres e as obrigações do trabalho e principalmente, sem a gente perto pra ela tentar esconder tudo como sempre fez... a sua resposta não veio de imediato, ela demorou um pouco pra responder e eu não consegui enxergar ali na minha frente a mesma pessoa de antes, é estranho eu falar isso mas eu vi que algo muito importante se perdeu, algo dentro dela se apagou.
"Eu não sei te explicar Jay o que aconteceu exatamente, se foi uma coisa só ou todas elas juntas. Esse é o maior tempo que eu já passei sem usar nada, sem beber nada que não seja água, suco ou refrigerante. Eu não sei mais quem eu sou quando tô limpa e sóbria e isso é muito assustador, eu me perdi... mas comecei a ver uma psiquiatra na clínica e nossas conversas têm sido boas, mas eu precisava estar aqui e encerrar algumas coisas antes de começar de novo. Sei lá, acho que eu preciso tentar, só isso..."
Nos primeiros 5 minutos eu posso não ter acreditado piamente no que ela disse, mas eu decidi dar um voto de nulidade a esse episódio. Não vou decidir nada num primeiro momento, vou deixar o tempo dizer e mostrar, principalmente, como serão os próximos capítulos.
A única coisa que eu posso dizer nesse momento é que aqueles sonhos que baby Ally vem tendo a semanas e tirando o nosso sono, tá começando a ter o seu fundo de verdade; nesse mesmo dia, depois de voltarmos todas a nossa suíte e cuidar da nossa rotina pré show, Dara foi pro nosso quarto se arrumar e em algum momento me chamou pedindo que cuidasse dos últimos detalhes pois iria atender a chamada de Nikohl: "prometo que não vou demorar mais do que 10 minutos e te conto com detalhes depois!" E eu quase caí dura quando ouvi o motivo da ligação; comemos num silêncio muito confortável e depois de uma saída do hotel bem agitada, entramos na van e fomos em direção ao teatro onde faríamos o primeiro show, usando a rua lateral pra fugir da imensa fila que começava a se formar entramos e fizemos um rápido reconhecimento da estrutura que teremos hoje e amanhã. Fomos para o camarim e de certa forma já prevendo um possível atraso do restante da equipe, adiantamos o primeiro figurino que escolhemos para gravar 2 entrevistas e em seguida atender alguns fãs... fizemos uma pequena grande mudança nessa parte, geralmente eram colocados a venda um número bem expressivo de passes para fotos e outro bem maior para convidados e patrocinadores, o que gerava muito estresse e desconforto.
Com muita reclamação, óbvio, reduzimos drasticamente esses números e ganhamos uma certa qualidade nos grupos que atendemos. Essa primeira noite correu toda dentro do planejado, com o mínimo de atraso entramos no palco e fizemos um show de pouco mais de 3h, não sei como demos conta mas foi lindo. No camarim não teve conversa certa, somente caras emburradas pelo cansaço e dor pelo sapato que decidiu machucar, nada que um banho bem quentinho não tenha resolvido seguido de muita comilança. Em nossa volta pro hotel eu comecei a reparar que o silêncio que vinha da minha esposa e que antes era confortável começou a ficar com um gosto amargo, meio difícil de disfarçar, cuidamos das meninas e as colocamos na cama num tempo recorde, estender o tempo de show realmente mexe com todas as nossas estruturas;
Com medo de ser surpreendida por alguém nós fomos pra varanda da sala e com a porta encostada fui toda ouvidos sobre essa ligação, gosto quando fico sabendo das coisas em ordem cronológica e com riqueza de detalhes porque assim além de não me perder no assunto eu consigo entender tudo o que vem acontecendo. Tem mais ou menos 4 meses que a nossa amiga Lana vem atendendo uma moça, de outro país, que vem mostrando os mesmos sinais e sintomas que nossas meninas, ainda não se sabe quais os gatilhos e coisas assim, e ela sofreu um acidente de carro muito grave tendo sido socorrida e levada para o hospital que Nikohl trabalha. A mesma, que tendo plena convivência com Normani e Allysson dentro e fora do hps, soube identificar e tudo se emaranhou porque ela conhece nossa filha!
"Essa foi a parte que eu não entendi 100% ainda, mas elas se conhecem e a nossa baby não está sabendo explicar isso. E eu nem cheguei na parte em que essa menina está sob os cuidados da Nik e não permite que ninguém mais faça nada... por isso a sua ligação desesperada, ela soube que isso vai dar ruim no momento em que a nossa baby souber e ciumenta do jeito que é..."
Na hora, eu não soube se dava risada ou ficava muito preocupada porque essa situação tem mil e uma maneiras de dar errado e no tempo que tenho junto delas eu posso dizer, quando algo 'pode' dar errado, cê pode ter certeza que 'vai' dar errado! E nós estamos agora, 15 dias após essa conversa, há 2 shows do fim dessa parte da turnê e loucas pra voltar pra nossa casa e não ter que lidar com gente, aeroportos lotados, vôos atrasados e/ou cancelados... e justamente no dia de hoje, quando o nosso vôo está atrasadíssimo, as duas babys impacientes e chorosas, Andrea resolve ligar pra filha e cobrar por notícias, atenção e outras coisas que tô tentando remediar pra não dizer logo pra tia ir dormir...

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