Um dia de azar

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Narração: Maju

A pior parte de estudar pela manhã, a não ser o fato de estudar, é ter que acordar cedo. Me diz alguém que está disposto a acordar todos os dias as 06:30 da manhã? Bom, se tiver alguém, com certeza não sou eu.

Eu acordo com o cabelo parecendo um ninho de passarinho, aposto que se eu colocar a mão dentro, vai ser difícil de tirar. O que me faz travar uma grande luta com a escova tentando amenizar a situação, para que ele fique 'usável' ao menos. Por mim, eu iria com o meu ninho pra escola de boa, mas eu acho que na situação em que está, é capaz de nem deixarem eu entrar e me acusarem de agressão visual.

Tomo o meu café da manhã, e já de primeira derrubo o suco de manga na minha blusa.
- Que saco. - resmungo mentalmente.
Se cedo meu dia já está com um certo azar... Tenho até medo do que vai acontecer no resto dele.

Pego minha mochila, e saio em direção ao colégio.

E no caminho pra minha alegria, eu piso em um chiclete! Não sei se eu fiz certo, mas eu fiquei com tanta raiva, que desejei uma cárie bem grande pra quem jogou aquele maldito chiclete no chão. Agora caminho com fios de chiclete mole me acompanhando na sola do meu tênis.

Assim que chego na escola, cumprimento a Louise, que está sentada no banco ouvindo música, e assim caminhamos juntas até a sala de aula.

Assim que a professora de Biologia entra na sala, a Velh.. É, a senhora mal da um mísero 'bom dia' se quer, e já chega falando em alto e bom som:

— TESTE SURPRESA, EM DUPLA.

Eu fiquei apavorada nas duas primeiras palavras da frase, mas quando ouvi o resto, fiquei mais tranquila.

Mas como meu dia de sorte aparentemente não é hoje...

— MAS EU QUE IREI ESCOLHER COM QUEM VOCÊS IRÃO FAZER AS DUPLAS. - ela sorriu de lado como se dissesse: 'toma essa, bando de sem futuros'.

Ela começa a olhar a lista de frequência, e designar cada dupla.

A única coisa que eu penso, é que eu não fique com alguém mais burro que eu, porque se não, fudeu!

Como a Louise já tinha dupla, eu já não tinha esperanças de conseguir ser a dupla dela, ou seja, eu precisaria de mais sorte.

Enfim chega o meu nome, e a professora diz:

— Maria Júlia e... Pedro.

Definitivamente hoje não é meu dia de sorte. Eu mal falava com aquele garoto, e eu tinha certeza que ele era mais burro que eu, porque o moleque tava fazendo os lápis de baquetas na cadeira.

— Vamos, façam as duplas.

E o Pedro vem e senta do meu lado.
Fica um silêncio entre nós, já que nunca nos falamos.

— Então... Bela mancha de suco. -ele fala tirando sarro.

Reviro os olhos, e respiro fundo.

— Você sabe algo? - pergunto desanimada.

Ele da uma olhada rápida na prova.

— É que assim Júlia Maria...
— Maria Julia... Maju! - interrompi.
— Que seja. Eu não sabia que ia ter essa prova então...
— Claro, né cara. É uma prova surpresa, ninguém sabia.
— Ta, ta. E você irritadinha, sabe algo?
— Eu sei que vamos tirar um belo zero.

Acabou o tempo da e não fizemos absolutamente nada, além de escrever nossos nomes.
As 3 aulas do primeiro horário foram dedicadas a essa prova, ou seja, quando acabou, era hora do intervalo.

Caminho em direção a cantina, para comprar algo, compro uma coxinha.
Vou indo me sentar perto da Louise, que está com os fones de ouvido pra variar.

Me aproximo, e sento perto. Ela tira os fones.

— E aí? Tudo certo?
— Hoje a sorte não está conspirando ao meu favor, Isy.
Ela da um sorriso.
— O que você vai fazer hoje? - ela puxa assunto.
— Hoje eu vou lá na pista de Skate, dar uma aliviada, e tentar esquecer essa prova de hoje, topa?
— Hoje não vai dar amiga, minha mãe quer que eu faça umas paradas em casa, hoje não vai rolar pra mim.
— Tranquilo,  Flw então.

O intervalo desse colégio voa.
Hoje está muito calor, decido comprar um sorvete de última hora na cantina.

Quando estou no corredor, indo para a aula de artes, como toda a sorte do mundo está conspirando sobre mim ( só que não), eu piso em um dos meu cadarços, e derrubo o sorvete em uma garota, que da um grito tão fino, que quase estoura os meus tímpanos!

- Sua... Sua... Sua, cega! Não me viu? Argh! Sua... Sua... Desastrada!
- Ow, Ow, relaxa aí, só foi um sorvetinho, olha pelo lado bom, ta um calorzão, pelo menos resfriou seus peitos.

Com o decote que ela estava usando, se saísse só de sutiã ia dar no mesmo.

- Sua estúpida! Você vai me pagar! - ela fala entre dentes.
- Ui, fica suave fofa. A gente se vê por aí.

Viro de costas e saio andando normalmente. Uma garota artificial como ela não me põe medo, e afinal só foi um sorvetinho, ela que é fresca, e nem sujou tanto assim... Só foi um sorvetinho nas tetas, e além do mais foi sem querer até.

Enfim, as aulas terminam e eu volto pra casa.

Adolescente Em CriseHistórias para pegar e não largar. Descubra agora