6. As garotas e o baile

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No dia seguinte, acordamos cedo, já que meus pais irão embora. Enquanto a equipe de funcionários arruma as bagagens, vamos para o restaurante e tomamos café. Aproveito cada segundo restante com meus pais, esforçando-me para conter a angústia que se apossa do meu peito. Quando chega a hora da despedida, desmorono em lágrimas, esquecendo por alguns momentos que sou princesa e agindo como a filha que ficará longe dos pais.

Antes de partir, minha mãe me dá várias coordenadas a respeito dos próximos eventos e informa que um mordomo ficará responsável por me auxiliar no cumprimento de minha agenda. Ela me apresenta ao homem e depois começa a orientá-lo sobre o evento que acontecerá à noite.

Enquanto os dois estão conversando, fico abraçada com meu pai. Ele tenta fazer piada e me animar; até consegue arrancar algumas risadas de mim, mas sabe que estou profundamente triste. Ter a consciência de que ficarei longe dele me parte o coração e, mesmo que possa ligar sempre quiser, nossa convivência jamais será a mesma.

— Eu sei que você está triste, meu amor. — meu pai diz, quando minha mãe aparece, avisando que precisam ir. — Mas lembre-se que algumas dores são necessárias. Nem tudo é feito de felicidade.

— Ok, pai.

— E você é uma garota muito forte.

— Obrigada.

— Eu te amo, minha querida.

— E eu te amo, papai.

Ele me dá um último e forte abraço, acompanhado de um beijo na testa, que são suficientes para me fazer voltar a chorar. Também me despeço de mamãe, que tenta bancar a forte e fica fazendo piada. Quando eles estão andando para a saída do hotel, meu pai se vira de repente e diz:

— Se cuide e até logo, meu amor. Já estamos com saudade.

Quero sair correndo e impedi-los de ir embora, mas permaneço estática, observando-os sair do hotel. Ao vê-los entrar no carro e desaparecer rua adentro, acompanhados pelos funcionários, começo a chorar copiosamente e corro para subir até meu quarto, disposta a passar o resto do dia trancada lá. Nunca fiquei longe dos meus pais e tenho certeza que não será nada fácil começar viver sem eles.

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Meus planos de chorar até os olhos caírem são frustrados algumas horas depois, quando o tal mordomo bate à minha porta, avisando que precisamos ir para o ateliê. Ele tenta ser simpático, mas meu humor horrível não ajuda na nossa comunicação. Depois que me arrumo e saio do quarto, o homem me conduz até o ateliê do hotel, enquanto eu analiso-o discretamente. Detestei o traje que ele está usando. É um summer, com um caimento horrível, que o faz parecer enorme.

— O senhor vai ser meu mordomo por quanto tempo? — pergunto, com a voz baixa.

— Até a Vossa Alteza começar a estudar. — ele responde, com um sorriso. — Ordens da rainha.

— Ok... — Tento sorrir, mas o que esboço é pura falsidade. — E qual é o seu nome mesmo? Desculpe. Não me recordo.

— Finley Williams.

— O senhor é eagle?

— Não. Sou reigo. Nasci em Reigland, mas minha família se mudou para Eaglestate quando eu tinha cinco anos.

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