Trinta e seis

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- Eu fiz a denúncia contra o pirata, Capitão. - D. Constâncio estava inconformado. - Tudo o que o senhor tinha de fazer era prendê-lo.

- Eu fiz exatamente isso, D. Constâncio. - responde o Capitão enquanto D. Constâncio andava pela sala como um fera enjaulada. - Mas D. Bernardo Duarte da Meira tomou o rapaz sob sua custódia.

D. Constâncio parou de andar e apoiou-se na mesa do Capitão inclinando-se para a frente, como se quisesse intimidar o militar.

- Como? Assumiu a custódia dele. Então o levou para sua própria casa? "Será que ele havia calculado mal a raiva de D. Bernardo e aproximado ou invés de separar o inglês de Leonor?

- Não. O rapaz ainda está na casa de D. Brás, por enquanto. E D. Bernardo sabe que será responsável por tudo que o pirata fizer.

D. Constâncio olhou para o militar com um brilho no olhar.

- Responsável?

- Isso. Como assumiu a custódia do pirata, se ele fugir ou cometer algum crime, D. Bernardo é acusado de cumplicidade. São as leis e ele sabe disso.- explicou Azevedo.- Por tanto, fique tranquilo D. Constâncio.

- Hum. " Talvez não tenha sido um tiro pela culatra então.", pensou D. Constâncio.

Leonor endireitou o corpo e olhou ao redor. A quietude da mata a acalmava assim como o barulho da água que corria no regato. Ela recolheu as roupas lavadas e as colocou na cesta. Acostumada a fazer os serviços da casa em Rio Santo, ela não agiria diferente na casa de Santos.

Deu um suspiro de satisfação ao sentir a água fria bater-lhe nas pernas.

- D. Leonor! - gritou Carmo correndo em sua direção.

Leonor levantou-se da pedra e pegou a cesta. Ao sair da casa de D. Constâncio, Leonor fez questão de oferecer uma quantia pela índia.

- "Eu a dou a vosmecê."- lhe disse D. Constâncio.

- "Não é justo. Quero comprá-la." - respondeu Leonor pousando um saquinho de moedas. - Por favor diga-me quando queres por ela.

D. Constâncio a observou divertido. A moça era irredutível. Firme em suas opiniões. Uma qualidade admirável, mas desnecessária para ele. Com certeza, algo adquirido a partir da complacência do pai. Depois do casamento, ele haveria de torna-la mais maleável. Se não, tanto pior para ela.

- " Então está bem, minha querida. Dê-me apenas 3 moedas por ela. É um preço justo por uma índia de casa."

E assim, Carmo foi para a casa dos Duarte da Meira.

- Seu irmão acaba de chegar, D. Leonor.

- Martim?! Martim está de volta? - Leonor não conteve um suspiro - Então não há mais razões para adiarmos o casamento.

- Eu estarei com a senhora, D. Leonor. - Carmo assegurou.

A moça olhou para ela com um triste sorriso.

- Por ora,  vou me alegrar por não ter perdido outro irmão. Vamos Carmo.

Quando retornou a casa, os risos logo a alcançaram. Ela viu um homem abraçado a seu pai. Quando eles se separaram, mal pôde acreditar em seus olhos. Aquele era Martim? O rapazola que havia acompanhado seu pai ao sertão há pouco mais de dois meses? Aquele homem de pele curtida como outro bandeirante qualquer?

- Martim?

O homem olhou para ela e correu para pegá-la nos braços.

- Leonor! - rodopiou com ela diante dos olhares felizes e complacentes de D. Bernardo e Mãe Maria.

A Terra e o Mar - o encontro de dois mundosHistórias para pegar e não largar. Descubra agora