Thomas foi empurrado para dentro da cela.
- Eu não raptei Leonor.
Um dos soldados o atingiu com a coronha do arcabuz.
- Tenha respeito ao se dirigir ao capitão, pirata. E nunca toque no nome de uma donzela.
- Capitão, - disse Thomas sentindo o estomago latejar de dor. - com todo o respeito, eu não sequestrei D. Leonor Duarte da Meira. - o soldado fez um ruído exprimindo sua satisfação. - Por que eu faria isso? Sei que poderia prejudicar o pai dela se cometesse tal crime. Pense, homem!
O capitão Joaquim Carlos Azevedo tinha fama de soldado irrepreensível, cônscio de seus deveres. Fora recrutado pelo próprio Martim Afonso de Souza, quando ele iniciara a milícia na colônia. E assim sendo, ele aprendera a ler os olhos de um homem. Culpado ou inocente. E, contra todos os fatos, aquele homem lhe parecia inocente, apesar de ser um pirata.
- E se não foi vosmecê, foi quem?
- D. Constâncio!
O soldado ao lado do capitão riu até ser silenciado com um olhar de seu superior.
- E por que ele faria isso? Os dois estão de casamento marcado. Ele teria o apoio de D. Bernardo na colônia, fora o dote da moça.
- Ele não é o que todos pensam! - insistiu Thomas. - Ele é o pior pirata de todos os tempos. El cuervo negro!
Depois dessa até o capitão deu um sorriso de escarnio.
- D. Constâncio? Pirata? Nem em sonho, inglês. Me disseram que no dia da invasão dos teus patrícios, ele permaneceu junto às mulheres, escondido.
- O melhor esconderijo é a vista de todos. Por que ele se arriscaria sendo valente? Não. Aquele homem pensa longe, capitão. E, isso é só parte de algum plano dele, tenho certeza.
Nesse momento, D. Constâncio chegou com D. Bernardo. O pai de Leonor avançou contra Thomas sendo contido pelo soldado e pelo capitão.
- Maldito! Onde está a minha filha?
- Eu não sei, D. Bernardo. - Thomas respondeu imperturbável. - Não quero o mal de D. Leonor e estou tão preocupado quanto o senhor.
- Vosmecê? Preocupado com a minha noiva? Ora... É muito acinte! - disse D. Constâncio.
- You! You are fucking! Go to hell! (Você! Seu maldito! Vá para o inferno!) - Thomas socou uma das paredes. Em sua fúria, Thomas começou a falar em inglês e nenhum dos outros homens entendeu nada.
Frustrado, ele sentou-se no catre.
D. Constâncio olhou para os lados e começou a esfregar os olhos.
- Vosmecê não tem coração? D. Leonor é uma pobre moça, frágil. Deve estar assustada com medo da noite na mata.
Thomas riu diante das palavras do outro.
- Ainda zomba do nosso sofrimento? - D Bernardo perguntou
- Não de teu sofrimento, mas das palavras deste aqui. - Thomas olhou para D Constâncio.
- Não sabe nada de Leonor. Ela é forte, valente. Não tem medo de nada. Nem de índios ou malfeitores. Na escuridão, ela é a luz. Ela não está encolhida, com medo da mata. - Thomas deu um sorriso - Ela está é arrumando um jeito de fugir. E, quando ela fugir, você estará perdido.
VOCÊ ESTÁ LENDO
A Terra e o Mar - o encontro de dois mundos
Ficción HistóricaLeonor vivia sua vida simples e ordenada no seu pequeno paraíso. Corajosa, vivia com o pai e cuidava dos irmãos com desvelo de mãe. Mas, durante um ataque pirata à cidade em que vivia, tudo mudou quando cruzou o caminho de Thomas Horton, um dos coma...
