Leonor vivia sua vida simples e ordenada no seu pequeno paraíso. Corajosa, vivia com o pai e cuidava dos irmãos com desvelo de mãe. Mas, durante um ataque pirata à cidade em que vivia, tudo mudou quando cruzou o caminho de Thomas Horton, um dos coma...
Exaustos com o exercício, Martim e Thomas descansavam a sombra de uma árvore. O irmão de Leonor olhou para o inglês.
- Vosmecê ama minha irmã de verdade, não é?
- Como eu disse antes, D. Martim, eu daria minha vida por ela.
- Leonor é o que nós temos de mais precioso. Depois da morte de nossa mãe, ela assumiu sozinha nossa família, uma vez que nosso pai estava sempre longe na caça aos bugres.
- Entendi no primeiro olhar que sua irmã era uma donzela forte. Ela me enfrentou no nosso primeiro encontro.
- Se alguém que ela amar estiver em perigo, Leonor não hesita. Ela enfrenta qualquer um.
- Com todo o respeito, sua irmã é uma joia raríssima.
- Então confio em você para cuidar bem dessa joia.
- Eu juro por meu sangue.
O rapaz português levantou- se.
- Bem, agora que já estamos resolvidos, eu vou embora. E lembre-se, D. Thomas, meu pai pode ser um grande aliado, mas também um inimigo formidável. E eu estou aprendendo a ser como ele.
- Não lhes darei motivo de serem meus inimigos, fique tranquilo. - Thomas assegurou, estendendo a mão para Martim.
Eles apertaram as mãos e se encaminharam para sair da igreja. Depois cada um seguiu o seu caminho.
Ao chegar em casa, Martim já foi logo dizendo a mãe Maria:
- Eu sei que estou atrasado para almoçar, mas já vou jogar uma água no corpo e...
- Leonor não veio com vosmecê?
- Não. Ela saiu antes. Ah, talvez ela tenha ido à casa de D. Isabel Cubas, não?
- Bem, ela gosta de D. Eugenia. Apesar de não gostar muito, eu acho que ela pode ter ido visitá-la. - respondeu Martim.
A velha índia colocou a mão sobre o peito e fechou os olhos. Cambaleou para o lado.
- Mãe Maria! O que vosmecê tem, minha velha? - perguntou Martim assustado.
- Minino! Corre! Avisa teu pai. Algo aconteceu com minha minina!
***
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Leonor abriu os olhos e se viu em meio a paredes gastas e um telhado carcomido pelo tempo. A penumbra não deixava ver muita coisa, mas o barulho de água corrente a fez perceber que talvez estivesse em um engenho abandonado.
Sentiu as cordas que a prendiam e tentou se soltar. Nada. Olhou ao redor para achar algo que pudesse cortar as cordas, mas a busca foi infrutífera. Quem a levara até ali sabia exatamente o que estava fazendo.