No dia seguinte, ele recebe uma mensagem dela pela internet.Ela posta uma letra de uma música que fala sobre o fim de um relacionamento.Imediatamente, ele liga para ela.
-Alô, Daniele?
-Oi.
-O que foi aquilo que você me mandou hoje?
Um silêncio domina por alguns instantes.Ela tenta segurar o choro; ao perceber que ela está chorando, ele começa a desmontar.Sócrates tenta se segurar, porém sua voz embargada acusa o golpe.
-Por quê?Foi alguma coisa que eu fiz Dani?
-Não –diz ela também com a voz embargada- fui eu.É melhor assim Sócrates...vai ter menos dor pra todo mundo...
-Menos dor?Desse jeito Dani?
-Eu preciso gostar da pessoa pra ficar com ela Sócrates...não tava rolando mais isso...
-E o que eu sinto não importa?
-Mas eu vou ficar com alguém sem gostar?
-Qual é o problema?
-...eu tenho que ir agora... a gente se fala...xau... – e desliga o telefone.
Sócrates chora.Ele fecha a porta do seu quarto e continua a chorar copiosamente.Os pedaços de um coração quebrado se espalham; somente quem já teve o seu despedaçado sabe como é difícil achar todos os pedaços e junta-los novamente.O coração de Sócrates porém, acabara de receber o golpe fatal; a ferida está exposta.
Durante o dia, ele faz todas as coisas sem entusiasmo, pensativo.Sua mãe percebe.
-O que é isso menino?O que essa menina ti fez?Tirou teu juízo foi?Coma o seu almoço!Já tá meia hora olhando pra comida!
Durante a noite, ele não consegue dormir muito bem.Acorda de tempo em tempo.Ele acorda bem cedo, e fica sentado na cama pensando.Vai para a sala, deita no sofá, olha para o teto e continua pensando.Ele não consegue comer direito, pois não tem apetite; no fim da tarde, decide visitar Daniele.
Quando toca a campainha, ela tem uma surpresa.
-O que você tá fazendo aqui?
-Eu só quero conversar.
-O que você quer?
-Eu quero saber por que você fez isso. – diz ele com um rosto sofrido
-Eu já falei Sócrates... eu preciso gostar da pessoa... não tava rolando mais isso pô...então achei melhor acabar... – diz ela com uma expressão bem fria.
-Posso entrar?
-Pra que?A gente conversa aqui mesmo.
-Tá certo – diz cabisbaixo.
-Sim, o que você tem pra falar?
-Por que você tá assim hein?
-Assim como?
-Assim, toda fria comigo.
-Eu só tô com pressa.
-Pra quê?
-Eu tô vendo um filme.
-...eu ti amo Daniele.Eu nunca tive coragem de falar isso, mas eu ti amo.Você é a melhor coisa que já me aconteceu. – diz ele enquanto olha fixamente para o olho dela.
Ela fica surpresa; o rosto fechado é aberto, e a frieza dela recebe um calor insuportável.
-... agora Sócrates?Só agora você fala isso?Eu tenho que acabar o namoro pra você falar alguma coisa assim?Por que você não falou nada antes?
-Não sei...eu...tinha medo...medo de...
-É melhor eu entrar Sócrates... por favor, não volta mais aqui...vai ficar mais difícil pra nós dois... – ela olha para ele pela última vez e então fecha o portão lentamente.
Sócrates fica sem ação.Ele tinha planejado falar várias coisas, porém poucas palavras saíram de fato.Ele se dirige lentamente para o ponto de ônibus, cabisbaixo.Durante aquela semana, ele acordou todos os dias bem cedo, para ficar andando pela rua pensativo.Não comia muito e nem fazia as coisas que tinha hábito de fazer.
Sua mente estava degenerando o seu corpo.
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Os Espelhos
Ficción GeneralTodos nós possuímos sonhos.Alguns muito grandes, outros mais simples.O fato é que nem sempre conseguimos realiza-los e alguns ficam decepcionados por toda a vida, não conseguindo superar a dor da derrota.Mas na vida não há apenas um caminho a se se...
