Uma nova esperança

181 6 0
                                        

Apesar de sua natureza melancólica, ele se sente feliz com tudo aquilo.Para ele, é o começo de um longo caminho; uma carreira prestes a decolar.Vítimas de várias ilusões anteriores, por auto - defesa ele se torna pessimista, mas sempre com uma esperança guardada no fundo do bolso.Ele imagina que ter sucesso na música o ajudaria em vários sentidos.Na sua vida pessoal, ele conseguiria sua independência financeira e finalmente poderia sair de casa; conheceria mais pessoas e acharia um grande amor, que afogaria de vez a solidão que tanto o acompanha.

Na sua vida profissional, finalmente conseguiria fazer algo que tanto ama.Sendo um existencialista, ele sofre de uma grande agonia em ter que trabalhar em algo apenas para ganhar dinheiro.Quer acabar com isso.

Ele não espera que o festival seja um mega sucesso, mas quer que seja bem sucedido.Pede para que todas as bandas chamem os seus amigos.Espalha pela internet sempre que pode.

Então para um pouco e vai ver televisão.Começa a ver um jogo de futebol.Enquanto assiste a partida, começa a lembrar os tempos em que ia para as peneiras e nunca conseguia passar.Fica um pouco abatido por causa daquela lembrança, que ainda machuca; mas tenta se animar novamente por causa de uma nova esperança, que ele acha que começou a encaminhar.Ele parou toda a sua vida para ver essa esperança se concretizar; não faz faculdade para não ter que interromper ela quando sua banda fazer sucesso; não aluga uma casa para guardar dinheiro e assim investir na banda.

No final de abril, chega o dia do show.O espaço é um pequeno teatro, chamado Mauricio de Nassau.As bandas fazem um sorteio para ver quem vai tocar primeiro; a Prometheu Liberto foi a primeira sorteada.Eles vão abrir o show.

O teatro possui um pequeno camarim, e Sócrates fica sentado, descansando.Ele imagina aquele momento como o de muitas bandas famosas, que começaram bem pequenas, fazendo shows vazios.Eles aprontam os instrumentos no palco e começam o show.Sócrates está nervoso, mas não demonstra muito.Mantém os olhos fechados na maioria do tempo, pois tem um pouco de vergonha ao ficar na frente de tanta gente.O público é bom para um show pequeno; a banda faz um bom show, com pequenos erros mas nada que comprometa a apresentação como um todo.

Depois de sair do palco, Sócrates fica com uma sensação de alívio, de dever cumprido.Durante o show, nas poucas vezes em que abriu o olho, percebeu que uma menina no público o olhava com um olhar diferente; ela tinhas olhos de mel, e cabelos ruivos.

Como era tímido, depois do show não chegou a puxar assunto, mas ficava sempre na mesma roda de conversa.Em um certo momento, ouviu uma amiga chamar ela pelo nome: Aline.

Eles se olharam durante toda a noite.Se para conversar Sócrates era tímido, para lançar um olhar malicioso e paquerador ele não era nem um pouco contido.Por fim ela foi embora.A velha mistura terrível de timidez com arrogância o impede de puxar uma conversa.

Os EspelhosOnde histórias criam vida. Descubra agora