Capítulo 54

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Os seus lábios vinham em encontro aos meus.

Ppuing. ― Toco a ponta de meu dedo em seu nariz, interrompendo-o. Tombei minha cabeça, gargalhando.

Aish... Você é uma garota surpreendente, Alissa. ― Riu envergonhado ao me ver cair para trás no sofá, parecendo bêbada.

Mas eu estava sóbria.

― Eu sou fraca para bebida. ― Deixei as palavras parecerem hilárias para mim. ― Veja. ― Levantei do sofá, pegando o meu celular em mãos. ― A minha amiga está retornando as ligações. ― Lancei um sorriso para ele e logo em seguida fitei o celular, fingindo uma chamada.

Eu estava consciente o suficiente para saber o que poderia ter acontecido em segundos atrás.

― Você está bêbada. ― Levantou-se do sofá e caminhou até mim. ― Não acha que pode ficar aqui e descansar?

― Huh? ― Surpreendi-me. ― Não. Eu estou bem. Irei encontrar a minha amiga daqui à pouco. ― Menti.

― Está tarde. Acha que é seguro?

― C-Claro. Por quê não seria? ― Forcei um sorrisinho. ― Olha. Ela já está vindo. Eu já vou indo... ― Direcionei os meus passos a caminho da porta de saída.

― Você não vai conseguir se virar sozinha!

Franzi o cenho ao senti-lo segurar o meu braço. Percorri o meu olhar por sua mão. Sério?

― Eu consigo. ― Confirmei. ― Agora preciso ir.

― Alissa. ― Me puxou contra o seu peito. ― Você não precisa ir. Podemos ter uma boa noite juntos. Você não me parece consciente. Fique.

― Eu não quero.

― Fique. ― Apertou-me ainda mais contra o seu corpo.

― Pode me soltar? ― Arqueei as sobrancelhas. ― Eu já disse que não quero!

― Não seja exigente!

― Me solte!

Gritei as palavras ao vê-lo tentar me beijar.

― Só um beijo, Alissa. Só um beijo.

― Me largue! ― Debati-me contra o seu peito.

― Por que se recusa? É apenas um beijo!

Ele continuava a tentar me forçar a beijá-lo. Apertei os meus olhos e por impulso, certas palavras soaram de minha boca inevitavelmente, expondo de vez, os meus sentimentos.

Porque eu amo Mark Tuan!

Aquelas palavras...
Elas soaram tão imprevisíveis. Tão... Tão profundas. Mary Alissa Parker, pela primeira vez, após anos, dirigiu aquelas palavras para alguém, que não fosse a sua mãe, irmãs ou algum bichinho de estimação, mesmo que elas não tenham sido ditas para quem deveria ouvir.

E elas bastaram para fazer Noah se afastar.

— O-Obrigada por me ajudar. A-Agora eu irei embora. — Me encaminhei novamente até a porta e finalmente consegui sair, sem ser impedida por ele.

(...)

Sim. Eu disse. E me culpo por não ter dito a ele. Me sinto vulnerável ao saber que ele também nunca me disse aquela pequena frase, que todos os apaixonados, amantes, dizem um para o outro. Mas em meio disso tudo, eu não sei o que exatamente aconteceu. Apenas consegui sentir.

Fora como se, expor o que eu sentia, servisse como um colete à prova de balas. De costume, sentimentos assim, geralmente aparecem com mais frequência em filmes, o que te faz pensar ser mentira. Sentimentos podem parecer melosos. Amar pode ser clichê e inúmeras vezes, ser dito ilusoriamente. Não se tem previsão de quando que isso pode acontecer, mas chega a ser um tanto perturbador ao você perceber que algo semelhante está rondando por sua volta.

Oops... » Mark Tuan Onde histórias criam vida. Descubra agora