Os seus lábios vinham em encontro aos meus.
― Ppuing. ― Toco a ponta de meu dedo em seu nariz, interrompendo-o. Tombei minha cabeça, gargalhando.
― Aish... Você é uma garota surpreendente, Alissa. ― Riu envergonhado ao me ver cair para trás no sofá, parecendo bêbada.
Mas eu estava sóbria.
― Eu sou fraca para bebida. ― Deixei as palavras parecerem hilárias para mim. ― Veja. ― Levantei do sofá, pegando o meu celular em mãos. ― A minha amiga está retornando as ligações. ― Lancei um sorriso para ele e logo em seguida fitei o celular, fingindo uma chamada.
Eu estava consciente o suficiente para saber o que poderia ter acontecido em segundos atrás.
― Você está bêbada. ― Levantou-se do sofá e caminhou até mim. ― Não acha que pode ficar aqui e descansar?
― Huh? ― Surpreendi-me. ― Não. Eu estou bem. Irei encontrar a minha amiga daqui à pouco. ― Menti.
― Está tarde. Acha que é seguro?
― C-Claro. Por quê não seria? ― Forcei um sorrisinho. ― Olha. Ela já está vindo. Eu já vou indo... ― Direcionei os meus passos a caminho da porta de saída.
― Você não vai conseguir se virar sozinha!
Franzi o cenho ao senti-lo segurar o meu braço. Percorri o meu olhar por sua mão. Sério?
― Eu consigo. ― Confirmei. ― Agora preciso ir.
― Alissa. ― Me puxou contra o seu peito. ― Você não precisa ir. Podemos ter uma boa noite juntos. Você não me parece consciente. Fique.
― Eu não quero.
― Fique. ― Apertou-me ainda mais contra o seu corpo.
― Pode me soltar? ― Arqueei as sobrancelhas. ― Eu já disse que não quero!
― Não seja exigente!
― Me solte!
Gritei as palavras ao vê-lo tentar me beijar.
― Só um beijo, Alissa. Só um beijo.
― Me largue! ― Debati-me contra o seu peito.
― Por que se recusa? É apenas um beijo!
Ele continuava a tentar me forçar a beijá-lo. Apertei os meus olhos e por impulso, certas palavras soaram de minha boca inevitavelmente, expondo de vez, os meus sentimentos.
― Porque eu amo Mark Tuan!
Aquelas palavras...
Elas soaram tão imprevisíveis. Tão... Tão profundas. Mary Alissa Parker, pela primeira vez, após anos, dirigiu aquelas palavras para alguém, que não fosse a sua mãe, irmãs ou algum bichinho de estimação, mesmo que elas não tenham sido ditas para quem deveria ouvir.
E elas bastaram para fazer Noah se afastar.
— O-Obrigada por me ajudar. A-Agora eu irei embora. — Me encaminhei novamente até a porta e finalmente consegui sair, sem ser impedida por ele.
(...)
Sim. Eu disse. E me culpo por não ter dito a ele. Me sinto vulnerável ao saber que ele também nunca me disse aquela pequena frase, que todos os apaixonados, amantes, dizem um para o outro. Mas em meio disso tudo, eu não sei o que exatamente aconteceu. Apenas consegui sentir.
Fora como se, expor o que eu sentia, servisse como um colete à prova de balas. De costume, sentimentos assim, geralmente aparecem com mais frequência em filmes, o que te faz pensar ser mentira. Sentimentos podem parecer melosos. Amar pode ser clichê e inúmeras vezes, ser dito ilusoriamente. Não se tem previsão de quando que isso pode acontecer, mas chega a ser um tanto perturbador ao você perceber que algo semelhante está rondando por sua volta.
