Passei quase horas em seu colo. Minha cabeça estava deitada em seu ombro e meus braços por volta do seu pescoço. Relaxávamos silenciosamente, ouvindo somente a respiração calma um do outro. Seus braços abraçavam a minha cintura e sua face se afundava em meu cabelo, preso em um coque.
Decidimos ir para o quarto. Ambos já estavam cansados. Vesti apenas a parte de cima do meu pijama ─ a blusa daria quase um vestido para mim ─, pois naquela noite fazia um pouco de calor. Saudades do frio de Seul, embora que às vezes chegasse a ser doloroso.
Deitei na cama, ao seu lado. Admirei serenamente o seu rosto. Ele estava virado para mim, com os olhos fechados, como se insinuasse já estar dormindo. Acabei deixando um sorriso bobo tomar conta dos meus lábios ao presenciar o momento de vê-lo tão... Tranquilo.
─ Por que está me encarando?
Perguntou ele, sem ainda abrir os olhos. Fiquei surpresa por sua pergunta.
─ D-Desculpa.
Ouvi um resmungão ser solto por ele.
─ Boba...
Puxou-me para um abraço, enterrando a sua face em meu pescoço. O pequeno sorriso bobo que tinha em meus lábios, apenas se expandiu mais.
─ Pode me encarar o quanto quiser... Quando quiser... Você sempre me terá. ─ Sua voz soou abafada, contra a pele do meu pescoço, causando-me arrepios.
Eu o teria para sempre?
Ele desfez o abraço, voltando a deitar ereto. Passou o braço por meus ombros e deitei minha cabeça em seu peito. Passei a fitar vagamente o quarto, apreensiva com o que ele havia dito. Eu sabia que aquilo não seria como um sonho, onde tudo daria exatamente certo, e sabia de todas as consequências que poderiam vir. Mesmo desejando ficar ao seu lado.
─ Mark... ─ Quase sussurrei o seu nome.
─ Huh?
─ E se... Sr. Tuan descobrir sobre nós? O que ele vai pensar? E se... Você acabar se prejudicando por minha causa?
─ Você está preocupada com isso? ─ Contorceu-se na cama, tenso. ─ O que mais importa? ─ Desceu sua mão até o meu queixo. ─ Se importar com o que os outros irão falar ou... Se importar consigo mesma?
─ Eu sei... Mas me preocupo com você. Você tem uma imagem para zelar.
─ O que os outros vêem, Alissa, não diz ser quem eu realmente sou.
Deslizei o meu olhar para baixo.
─ Você definitivamente já é minha... Você já fez a sua parte. Conseguiu me prender a você. Agora é a minha vez de retribuir. ─ Acariciou minha bochecha. ─ Só irei te deixar ir... Quando você tomar a iniciativa por conta própria.
─ Mark... ─ Repentinamente sinto vontade de chorar, e uma lágrima escorre por minha face.
─ Ei. O que foi? Está triste? ─ Passou o seu polegar por meu rosto, limpando a lágrima que caía.
─ Não... ─ Neguei com a cabeça, sorrindo alegre, embora eu estivesse com os olhos lacrimejados. ─ Eu apenas estou feliz. ─ Fechei os meus olhos, soltando um riso em meio as lágrimas que insistiam em escorrer por minha face sem a minha autorização. ─ Eu gosto muito de você... Mark Tuan.
─ E eu gosto muito de você, Mary Alissa Parker. ─ Sorriu. ─ E espero que você nunca me deixe. ─ Depositou um beijou em minha testa.
Aconcheguei-me um pouco mais em seu peito, permanecendo com o sorriso nos lábios.
