Cinderella

1.9K 236 46
                                        

- e então? – perguntou Derek, ao lado do delegado, enquanto mexia na cômoda do adolescente e Stiles analisava a terceira cena de crime.

Allison e Peter estavam no andar de baixo, interrogando os pais dos garotos, enquanto Derek e Stiles analisavam o andar de cima, Erica e Isaac analisavam o andar de baixo, já Scott e Boyd estavam na delegacia. O castanho analisava o corpo do mais velho, já que havia acabado o do mais novo que ainda estava deitado no sofá da sala. Ele tateou um dos ferimentos, antes de abrir um pouco o mesmo e olhar bem no fundo com a ajuda de uma lanterna de um oficial que se encontrava ao lado do delegado.

- eu estou terminando. Tenha calma -  respondeu Stiles enquanto o agente Hale abria o armário para analisar o mesmo. O castanho ainda verificou a musculatura do adolescente mais velho antes de suspirar e largar o braço do garoto.

- podem levar – ditou com seriedade retirando as luvas que os forenses lhe emprestaram e devolvia a lanterna ao oficial.

- e como estamos aqui? - perguntou Peter surgindo com Allison, Isaac e Erica no quarto.

- já sabe como aconteceu? – inquiriu Allison vendo o castanho menear positivamente.

- é melhor tirarem os pais da casa. Esse foi um jogo bem interessante – ditou o castanho colocando as mãos nos bolsos e sorrindo na direção do corpo, causando uma certa indignação nos oficiais, em Allison e em Derek.

- jogo? – perguntou o delegado Miriam, indignado.

- assassinato é um jogo de sobrevivência, delegado. Se você não souber jogar, você pode virar a vítima ou perder a sua chance – pontuou o castanho encarando o homem com um sorriso vitorioso nos lábios que era acompanhado por Erica.

- é como aquelas atividades de karatê em que se quebra algo. Se você acertar, o objeto quebra, se errar, a sua mão sofre o dano – disse a loura de cachos vendo o louro ao seu lado lhe fitar um pouco surpreso, antes de dar um passo na direção de Allison.

- as vezes vocês dois me assustam – comentou o Lahey ouvindo a mulher gargalhar baixinho.

- vamos logo para o andar de baixo. Enquanto conversamos, o desgraçado está descansando para mais uma – ditou Derek, irritado pelo tópico que estava sendo debatido ali.

- houve sinais de arrombamento? – perguntou Stiles ouvindo Erica negar.

- acharam as roupas? – questionou o castanho ouvindo Derek responder que estavam na lavanderia.

- e então? – indagou o delegado assim que todos se posicionaram na sala. Os pais se encontravam do lado de fora, sendo guiados para uma viatura, pela qual seriam levados para a delegacia para explicarem tudo melhor.

- os pais, Donna e Jim Trimen, chegaram em casa e encontraram os filhos mortos – ditou Derek, se apoiando no sofá enquanto via o castanho olhar ao redor mais uma vez.

- nos diga como eles morreram – pediu Peter encarando o castanho bater as mãos em uma palma, animadamente, indicando que começaria

- vamos lá. Voluntários para o papel de vítima? – indagou Stiles vendo Derek apontar para Isaac e Erica.

- por que eu? – perguntou Isaac vendo o moreno dar de ombros.

- não vai ser grande coisa, mas eu prefiro assistir – respondeu Derek observando o louro lhe fitar indignado.

- vem cá? O que realmente ele vai fazer? – indagou o oficial vendo Stiles apontar para Isaac.

- você vai ser Chadd Trimen, enquanto Erica vai ser o Oliver – disse Stiles vendo a loura dar de ombros, enquanto Isaac meneava positivamente.

- Oliver estava sentado no sofá, provavelmente vendo televisão ou jogando videogames, enquanto o irmão estava no quarto ouvindo música nos fones de ouvido – falou Stiles vendo Erica se jogar no sofá, despojadamente, lhe encarando, enquanto Isaac permanecia em um canto, ao lado de Allison e Peter.

- ele houve batidas na porta e vai ver quem é – ditou seguindo para a porta dos fundos, se colocando do outro lado, enquanto Erica seguia para abrir a mesma.

- ele a reconhece e abre a porta. Ela parece desesperada e pede ajuda, provavelmente, alegando ter um assassino atrás dela – disse Stiles ignorando o olhar de frustração do delegado por ele se referir ao assassino como mulher e não como um homem.

- Desesperado, ele tranca a porta e corre para a cozinha, onde há um telefone fixo – ditou o castanho e logo Erica correu para a cozinha, de forma desesperada.

- ele puxa o telefone, mas, quando pensa abrigar a vítima, ele apenas deu a passagem para a pessoa que lhe tomaria a vida. Ele se vira fazendo questionamentos enquanto discava o número da polícia, e é nesse momento em que ela ataca – explicou Stiles vendo Erica encenar tudo o que ele dizia, antes de ele avançar contra ela e fingir a golpear na barriga.

- por que primeiro na barriga e não no peito? – perguntou o delegado vendo o castanho se virar com os olhos indignados.

- os órgãos do peito são essenciais para a sobrevivência em caso de ferimentos graves. Se eles sofrem danos, a morte vem mais rápido – respondeu Erica observando Stiles lhe apontar com o dedo.

- e tudo o que ela menos quer é matar de cara – completou Stiles, antes de se virar para a loura novamente, voltando a encenar.

- ela o esfaqueia aqui, doze vezes, sendo as últimas no peito. Então a assassina larga o corpo, permitindo que ele dê o seu último suspiro – ditou Stiles apontando para o chão.

- isso explica os respingos no carpete e a enorme poça no canto – ditou Isaac vendo o carpete manchado de vermelho onde Erica se encontrava de pé.

- então ela segue para o andar de cima. Ela sabia que Chadd estaria nos fones de ouvido. Um adolescente um tanto rebelde com pôsteres de bandas de rock gosta de se isolar com música alta. Então é claro que ele não ouviu os gritos do irmão. – disse Stiles começando a subir as escadas, sendo seguido por Isaac.

- ela abriu a porta, levemente, apenas para ver Chadd, deitado no chão, de olhos fechados – falou o castanho e Isaac se moveu até deitar onde começava o rastro de sangue que seguia para o banheiro do corredor.

- ela se aproxima calmamente e então dá o primeiro golpe. Em choque e com dor extrema, Chadd se contorce assustado. Mas ela não parou. Estava cega pela fúria. E como o abdômen do rapaz estava retraído, a lâmina causou um estrago maior em sua pele do que na pele do seu irmão, o que explica os cortes maiores – disse vendo o louro se levantar e lhe fitar surpreso.

- como é que você faz isso? – perguntou o oficial ao lado do delegado, que encarava tudo com confusão.

- certo. Ela os matou, mas como se livrou das roupas e do sangue? – questionou Marshall vendo o Stilinski rolar os olhos.

- depois de um tempo, se acalmando, ela percebe o que fez e começa a se culpar. Então é aí começa o seu ritual de desculpas – explicou segurando no nada, curvado, e começando a fingir puxar algo.

- primeiro ela limpa Chadd, no banheiro. Se livra das roupas sujas e o deixa no box do banheiro, esperando que o sangramento pare. Enquanto ela esperava o sangue do mais velho parar de jorrar, ela vai buscar o mais novo, levando consigo as roupas do mais velho. Ela coloca as roupas dos dois para lavar, antes de começar a levar o corpo de Oliver para o andar de cima – narrou Stiles, agora apontando com os dedos, ao invés de descer e encenar.

- então ela deixa os dois no box, para que pudesse limpar o carpete. Depois de esfregar tudo ao máximo que se permitiu, ela decidiu que era hora de cuidar dos corpos. A assassina os banhou, os vestiu e então colocou onde os encontrou. Chadd no quarto, mas dessa vez na cama, e Oliver no sofá da sala. – ditou vendo todos lhe fitarem. Estando o oficial, o delegado e Isaac com surpresa, Erica com diversão, já Derek, Allison e Peter com seriedade.

- e então ela foi embora – disse o delegado

- não. Na verdade, ela retirou as pilhas de todos os relógios, de forma que os ponteiros apontassem para o número doze permanentemente – ditou Peter apontando para o relógio do corredor e para o do quarto de Chadd.

- na outra cena de crime que analisamos, todos os relógios de ponteiro também estavam parados no número doze – comentou Allison

- ela com certeza tem problemas sérios com o número doze – soltou Isaac, encarando Erica menear positivamente.

- alguma ideia de suspeito ou alguma ideia de perfil? – perguntou Peter encarando Derek, Allison e Stiles.

- a única coisa que posso dizer é que ela sabe lavar roupas. As manchas nas roupas são quase inexistentes – ditou Allison vendo o louro mais velho estreitar  o olhar pensativo.

- eu posso fazer uma análise nos químicos para roupas que tem na casa para ver se encontro algum tipo de alvejante ou outro químico que possa nos dizer alguma coisa sobre ela – disse Isaac vendo Peter menear positivamente, antes de o rapaz se dirigir para a lavanderia.

- nós temos que nos reunir para reavaliar tudo – falou Derek encarando o tio menear positivamente.

- eu quero ir ao necrotério fazer a autópsia – ditou o castanho observando o louro mais velho menear positivamente mais uma vez.

- claro! O Derek leva você até lá – ditou Peter apertando o ombro do sobrinho levemente.








- eu odeio física! – exclamou uma garota de cabelos louros colocando, corretamente, o livro da matéria no seu armário.

- pelo amor de Deus, Cindy! Você só fica lixando as unhas na sala de aula. Se quer presta atenção em alguma coisa – exclamou Nancy, uma garota de cabelos negros, que segurava a alça da mochila em seus ombros.

- eu presto atenção é na bunda daquele professor. Garota, colocar as mãos naquela bunda seria como ir no paraíso e voltar – ditou Cindy observando o grupo de amigas rir de si.

- o Josh está tão gatinho, hoje – disse Mindy encarando o rapaz se aproximar do grupo, junto de dois de seus amigos.

- nem me fala. Ele pisca esses olhos verdes e eu pisco outra coisa – murmurou Bella para o grupo, que gargalhou baixinho, encarando os garotos se aproximarem.

- e aí, Nancy? – cumprimentou Josh, um rapaz louro de olhos verdes abraçando a morena e beijando o topo da cabeça da mesma.

- chora – disse a garota, causando risos nos rapazes.

- oi, Josh – cumprimentou Cindy, brincando com uma mecha de cabelo nos dedos, tentando chamar a atenção do rapaz a sua frente.

- ah, oi – o rapaz mal olhou para ela e já retornou a falar com a garota.

- você não quer almoçar com a gente hoje? – perguntou um rapaz ao lado de Josh encarando a garota dar de ombros.

- claro! Podemos falar do jogo dos Lakers que teve ontem – respondeu Nancy sendo guiada pelos três rapazes para o refeitório.

- nos vemos depois, meninas – despediu-se a garota acenando para as meninas, que encaravam a cena surpresas.

- eu ainda não sei o que ele vê nela – comentou Mindy, encarando o, agora, quarteto se afastar.

- eu também não sei. Ela é tão sem graça e certinha – argumentou Bella, cruzando os braços, olhando, indignada, para o garoto mais popular da escola abraçado a garota de cabelos negros.

- mas isso não vai durar. E eu vou cuidar para ter certeza disso – ditou Cindy, com um olhar furioso, observando a garota sumir de sua vista.

- e então ele fez aquela cesta de três pontos e eu fiquei: “Nããão, sem chance” – falava Nancy vendo os rapazes rirem de seus comentários sobre o jogo.

- cara, eu adoro essa garota! – exclamou um dos amigos de Josh, socando o braço do outro.

- a Nancy é a melhor, galera – falou Josh sorrindo ladino na direção da garota, que sorriu um tanto convencida, dando de ombros, antes de sorrir gentil para os três.

- nós vamos para a quadra de basquete no final da aula. Não quer ir com a gente? Josh disse que você é boa no basquete – convidou um dos rapazes, vendo a garota estalar os lábios, olhando para a pizza na própria bandeja.

- não vai dar. Eu tenho que ajudar a minha mãe com as compras. Mas eu posso ir na casa do Josh assistir ao jogo de hoje. Por que não nos reunimos lá? – respondeu vendo os garotos darem de ombros.

- fechado, então – ditou Josh, animado, encarando a garota sorrir estendendo o punho fechado em sua direção. O rapaz socou, levemente, o punho da garota, vendo a mesma lhe zoar dizendo que ele tinha a força de uma garotinha.







- quem são vocês? – pergunto o legista assim que Derek e Stiles adentraram o necrotério.

- eu sou o agente Derek Hale, este é o Doutor Stiles Stilinski. Ele vai lhe acompanhar durante a autópsia dos filhos dos Trimen – anunciou Derek, vendo o homem estreitar o olhar na direção do castanho.

- eu não preciso de ajuda, senhores. Muito obrigado – disse o homem se preparando para abrir o corpo de Oliver.

- legistas devem ter um problema comigo. Acho que tem uma matéria no curso de medicina que consiste em os fazer me odiar – disse Stiles se dirigindo para o corpo de Oliver, após vestir um par de luvas.

- o que pensa que está fazendo? – perguntou o homem vendo o castanho começar a retirar a roupa do corpo mais novo.

- o meu trabalho – respondeu o assassino seguindo para os sapatos.

- apenas faça o seu trabalho, doutor. Esse aí tem experiência em abrir corpos – falou Derek, de braços cruzados, no canto da sala.

Derek observou, atentamente, o Stilinski despir o corpo do adolescente de quinze anos, com cuidado para não danificar qualquer pista que se encontrassem nas roupas ou debaixo delas. Stiles passou a analisar o corpo despido do jovem, procurando qualquer coisa que não tivesse visto na cena do crime. O castanho virou o corpo para procurar nas costas do rapaz, mas parou assim que ouviu o legista murmurar algo sobre “incomum”, ao olhar para o mesmo, ele pôde ver o homem com um dos sapatos do rapaz na mão, enquanto encarava o corpo na mesa.

- parece que esse rapaz fora uma vítima especial – comentou o legista encarando os pés do cadáver.

Derek sentiu uma leve agonia passar por seu corpo. Aquilo não havia sido encontrado nas outras vítimas. Os dedos do pé de Chadd Trimen, assim como uma parte das laterais de seus pés haviam sido cortados. Stiles, no mesmo instante, ignorou o corpo de Oliver e se aproximou do corpo de Chadd, se aproximando do pé para analisar melhor os cortes nos pés do adolescente. O legista viu o rapaz de brincos tocar os ferimentos com as mãos vestidas de luvas.

- o que está fazendo? – perguntou o homem vendo o rapaz lhe ignorar prontamente.

- por que diabos... – murmurou vendo que alguns pedaços do calcanhar também foram cortados.

- não havia visto isso? – perguntou Derek, surpreso.

- não. Não pensei que os pés de um deles sofreriam algum corte, já que ela se foca no torso – respondeu Stiles tateando todo o pé de Chadd Trimen.

- sabe o motivo de ela ter feito isso? – indagou Derek vendo o castanho se calar para pensar.

- por que acham que é ela? - perguntou o legista ouvindo o agente Hale suspirar.

- limpeza das roupas e da cena de crime. Sem contar que a maior parte das mulheres prefere matar apenas homens. Não houve vítimas do sexo feminino, logo... – o Hale respondeu a pergunta do legista vendo o mesmo ficar pensativo, encarando o corpo sobre a mesa.

- o que está fazendo? – perguntou o homem vendo o castanho tatear o pé de Oliver Trimen.

- eu não estou acreditando nisso – murmurou Stiles, pensativo pegando um dos sapatos de Oliver e se aproximando do corpo de Chadd

- o que? – perguntou Derek encarando o castanho calçar o pé mutilado do cadáver.

- preciso dos dados das outras vítimas – disse o castanho retirando as luvas e as jogando em qualquer canto, ao mesmo tempo em que era seguido pelo agente Hale para a delegacia.









- vocês tem alguma ideia de quem possa ter feito isso aos seus filhos? – indagou Allison observando os pais das duas últimas vítimas, desolados, enxugarem as lágrimas constantemente.

- não. – respondeu o homem

- nenhum inimigo? Mesmo alguém da escola ou uma ex-namorada? – perguntou Scott vendo os dois negarem com a cabeça.

- eles não tinham inimigos nenhum. Era mais fácil um ser o inimigo do outro, pelo jeito que brigavam – respondeu a mulher, fungando e limpando o nariz com um lenço.

- Chadd terminou recentemente com a namorada, mas ela não seria capaz disso – completou o marido da mulher, abraçando a mesma, enquanto ela logo voltava a chorar.

- nós precisamos do nome da ex-namorada do Chadd, senhor Trimen – disse Allison, calmamente, vendo o homem menear positivamente.

- Karoline, Karoline Davis – informou o homem vendo a morena menear positivamente, enquanto o agente de queixo torto puxava o celular e discava um número qualquer na discagem rápida.

- Lydia, preciso que nos mande o endereço de Karoline Davis – falou Scott, já se retirando do local, enquanto Allison agradecia a paciência do casal e se erguia.

Os dois se dirigiram para a sala do delegado, onde Peter, Vernon e Erica analisavam um quadro com as informações que tinham. Scott colocou o telefone no viva-voz enquanto deixava o aparelho sobre a mesa do delegado e cruzava os braços. Erica encarou o aparelho, logo sabendo que se tratava de uma chamada com a “ruiva matrix”, como ela gostava de chamar. Não havia um ser humano normal que Lydia não conseguisse rastrear com aqueles computadores que eles tinham em sua base.

- então, minha equipe de mortais capazes de resistirem a minha beleza mortal, acho que já podemos excluir Karoline Davis de nossa lista de suspeitos. Ela está em Orlando com a família. Até postou algumas fotos na hora do assassinato, passeando com a família – falou a ruiva e o celular de Allison vibrou. A morena mexeu no mesmo antes de virar para o grupo, revelando ser uma foto de uma garota, com dois adultos atrás da mesma, enquanto sorriam para a câmera.

- ela e a família viajaram um dia antes do assassinato do ex-namorado. E a foto foi postada do hotel em que estão hospedados – finalizou a ruiva e Peter suspirou cansado.

- isso já está me irritando. Essa vadia não nos deixou nenhum rastro. Parece até uma profissional – falou Scott, irritado, vendo Vernon coçar a cabeça.

Aquele caso realmente estava ficando complicado. O assassino não tinha um tempo definido para matar, como alguns serial killers tinham. O espaço de tempo entre as mortes variava muito. As cenas de crime não tinham nenhuma pista sobre o assassino, além do modo que ela matava, o que Stiles podia deduzir bem, e do modo como as vítimas reagiam, que Erica poderia deduzir tão bem quanto o Stilinski. Mas não havia nada sobre ela. Nenhum fio de cabelo, nenhum DNA, nada. Tudo o que eles haviam conseguido, até agora, era uma maldita pegada de um sapato masculino, o que podia quebrar a hipótese de Stiles de o culpado pelos crimes ser uma mulher, mas ainda assim os agentes seguiam a dedução do Stilinski.

Isso irritava o delegado. A pegada era de um sapato masculino, mas eles ainda insistiam em perseguir uma mulher. Marshal estava quase liberando fumaça pelos ouvidos. Ele julgava aqueles agentes como os mais incompetentes do mundo. O homem os via como completos idiotas que não conseguiam perseguir o óbvio. Os crimes eram brutais, havia uma pegada masculina que não se encaixava em nenhuma das vítimas. Era óbvio que eles estavam perseguindo um homem.

- eu sei. Parece até que estamos perseguindo algo que não existe – ditou o negro, vendo o moreno de queixo torto menear positivamente.

- bom. Mas nós sabemos que existe, e precisamos achar antes que ataque novamente – ditou Peter, com seriedade, suspirando. Eles não dormiram desde que pegaram o caso, estavam todos cansados.

- vamos recapitular tudo o que temos – ditou Allison, tentando não deixar o cansaço vencer a equipe.

- o sujeito tem a possibilidade de ser do sexo feminino, usa sapatos masculinos, provavelmente somente nos crimes, tem uma fixação pelo número doze e utiliza uma faca que, pelos ferimentos, deve ter doze polegadas – narrou o Boyd, encarando todos menearem positivamente. O oficial Mason adentrou a sala antes de o negro finalizar a narração.

- conseguiu descobrir o tipo de arma apenas vendo o ferimento? – indagou o oficial, surpreso.

- Vernon é o nosso especialista em armas, assim como Allison. Os dois são incríveis na matemática e análise de armas. São ainda melhores empunhando ela - explicou Peter vendo o homem oferecer café para todos.

- obrigado – agradeceu Erica bebendo do líquido negro quentinho e suspirando logo em seguida.

- conseguiram alguma coisa? – perguntou o homem vendo os agentes negarem com a cabeça.

- não. Estamos completamente cegos. Não há nenhuma pista para seguir. Temos pegadas diferentes nas cenas do crime, mas todas são de sapatos masculinos. Sabemos que é fanática por limpeza, sabemos que tipo de arma ela usa e como ela mata. Mas fora isso não temos mais nada – respondeu Allison vendo o oficial fazer uma careta.

- a imprensa já está fazendo fila aí na porta procurando mais informações sobre O assassino da meia noite – anunciou o oficial bebendo do próprio café antes de ver os agentes menearem positivamente.

- assassino da meia noite? – perguntou Erica vendo o homem dar de ombros.

- a imprensa sendo a imprensa – comentou Isaac, cansado.

- estamos esperando o Hale e o Stilinski retornarem para traçarmos um perfil – ditou Scott, vendo o homem assentir.

- temos que pegar esse cara antes da meia noite de hoje – disse o oficial, chamando a atenção de Erica para suas palavras. Antes que Erica falasse algo, Stiles e Derek adentraram a sala um tanto apressados.

- precisamos dos arquivos de todas as vítimas – disse Derek ao ver Stiles ignorar a todos e avançar sobre a mesa com urgência.

O castanho folheou duas pastas de arquivos, seguindo para os dados pessoais. Peter encarava o assassino da divisão com esperança no olhar, enquanto o resto apenas observava o rapaz com curiosidade. Stiles parou em uma folha nas duas pastas, passando a ler ambas ao mesmo tempo, surpreendendo o oficial Mason, que encarou a cena boquiaberto. Com força, Stiles golpeou a mesa do delegado, o qual acabara de entrar, curioso devido a velocidade em que Stiles e Derek invadiram a delegacia, atravessando a mesma ignorando todo mundo, novamente.

- como fui tão cego?! – exclamou revoltado.

- do que está falando? – perguntou Scott Vendo o castanho se virar para o grupo.

- está tudo tão óbvio e eu não prestei atenção. Ficar preso naquela caixa me deixou enferrujado demais – falou Stiles sorrindo indignado.

- Stiles! Fala coisa com coisa! – ditou Derek, já impaciente.

- vamos lá: Limpa a roupa dos outros, se encontra com um homem na casa dele, acaba a meia noite, doze vezes – falou o castanho começando a bater na mesa em um ritmo calmo.

- eu não entendi nada – ditou Isaac dando de ombros voltando a beber do seu café.

- nós estamos caçando uma... – o castanho encorajou a equipe, movendo a mão pedindo por palavras.

- eu não faço ideia do que ele quer – disse o oficial Mason bebendo mais um gole de café

- vamos lá! Não é tão difícil assim. Vocês só têm que pensar de maneira infantil. Vamos se lembrem da infância de vocês – ditou o castanho esfregando as palmas das mãos.

- está dizendo que o assassino é uma criança? – questionou o delegado, indignado.

- não. É pouco provável que aconteça de novo – respondeu Stiles vendo o Miriam lhe fitar questionador.

- de novo? – perguntou vendo o castanho lhe ignorar.

- qual é o problema de vocês? Eu vou facilitar um pouco mais para vocês. De novo: Mulher, lava as roupas dos outros, usa sapatos que não são seus, vai para o castelo de um homem, sai a meia noite, doze vezes – ditou o Stilinski vendo todos ficarem pensativos. e Erica estalou os dedos chamando a atenção do castanho.

- Cinderela! – exclamou a loura de cachos longos vendo o castanho bater as mãos em uma palma e apontar para si.

Death Wonderland - Livro 1Onde histórias criam vida. Descubra agora