Meu primeiro momento de real pânico nesse ambiente se deu três meses depois da despedida da Dra. Lins. Uma paciente, Violeta, chegou com hemorragia interna, inchaços, diversas lacerações e... Simplificando: o prontuário da recepção eletrônica, preenchida pelos familiares, dizia "queda da escada", o que eu traduzia como "espancamento deliberado".
— Ferrou! Phil socorro! – Me desesperei, chamando o Dr. Hans pelo foco.
— Calma! Já li o prontuário – Ele tentou me acalmar – Você consegue! Já assistiu esse procedimento centenas de vezes e vou estar bem aqui, com você no seu foco.
— Você tem noção de que tenho apenas treze anos? – Perguntei retoricamente, mas já me vestindo para o procedimento, enquanto as novas unidades autônomas de atendimento encaminhavam a paciente diretamente à sala cirúrgica.
Ele se limitou a rir.
Demorei muito mais do que poderia ter imaginado pelas outras vezes que atendi esta paciente, porque desta vez havia complicações inesperadas. Consegui salvá-la, mas não contaria exatamente isso aos familiares que aguardavam na recepção do térreo. Tendo visto o que essa moça já sofria antes e vendo seu estado agora e o motivo da complicação, decidi que ela seria a primeira que salvaria por completo.
Todo o instituto, com exceção dos alojamentos, era monitorado, mas seu acesso físico era restrito a médicos e pacientes. Visitantes apenas com a autorização do médico responsável pela ala, no lado feminino, eu.
Para acessar o monitoramento, uma petição deveria ser encaminhada à central administrativa real, com data e hora da filmagem e motivo plausível para tal necessidade. Sabendo que eles só se dignariam a dar importância ao pedido em caso de processo jurídico e com um membro da família real tendo assistido primeiro... Não tinha com o que me preocupar.
Eu precisava de tempo...
— Relatório para a família: – informei no foco – Paciente temporariamente estabilizada. Os severos danos causados à Sra. Halfass pela queda, prejudicaram exponencialmente seus órgãos internos e estrutura óssea. Hemorragia interna contida. Paciente em coma, dependente de equipamento de suporte de vida e medicação contínua intravenosa. Risco de morte: oitenta e cinco por cento nas próximas vinte e quatro horas, caindo para setenta se sobreviver a este prazo.
— Familiares solicitam ver a paciente. – Uma voz eletrônica me informou.
— Negado. Devido à diversas lacerações e passagens intravenosas há alto risco de infecção, aumentando risco de morte – Respondi.
— Solicitação alterada para interação pessoal com a Doutora. – A IA me informou.
— Merda! – Praguejei – Não repita isso para eles, Iasmin – Comandei a IA.
Dera esse nome para a IA do instituto desde que cheguei lá, IASMIN, que foi na verdade apenas a abreviação das suas iniciais: Inteligência Administrativa Sistêmica de Monitoramento Integral e Navegável. Eu gostava de me aventurar por informática um pouco, nas raras ocasiões em que podia (enquanto a Dra. Rosana ainda estava conosco) e consegui, milagrosamente, mexer nas diretrizes e configurações da IA. Me tornando a única pessoa, tirando a família real, que contava com uma IA integrada ao foco pessoal.
Iasmin tinha protocolos, criptografados por mim, para encobrir ou substituir imagens, abrir acessos de outra forma proibidos, entre outras tantas contravenções que mantínhamos escondidas da província e da coroa.
Afinal, sabíamos as épocas em que o maior número de mulheres, chegavam quase mortas e era simplesmente impossível que eu sozinha, mesmo com dois autônomos guiados por Iasmin, na qual inseri conhecimentos médicos e cirúrgicos, atendesse a todas. Então, com a IA nos encobrindo, Phil operava-as também.
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Valquíria Mares
Random**** OBRA CONCLUÍDA **** Agora vocês perguntam: Quem é você? E eu respondo: sinceramente também gostaria de saber. Fui criada apenas sabendo meu primeiro nome: Valquíria. Minha mãe, só me permitia chamá-la de "mãe", então não sabia seu nome. Meu pai...
