Capítulo 33

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Ele se sentou na minha cama de frente para mim e durante minha explicação tirou a camisa, me deixando ruborizada com aquela visão maravilhosa. Achei estranha sua atitude, mas não questionei. Ao invés aumentei um pouco o discurso, mantendo minha mente longe de seu peito musculoso.

— ... Mas o que me motivou de verdade foi a preocupação com Júlia. Quero garantir pessoalmente que aquela pobre criança não vai morrer por minha culpa. E faço o que tiver que fazer para isso. – Finalizei determinada.

— Sexo comigo? – Ele ergueu a sobrancelha.

— D-desculpe? – Gaguejei.

— Você fica tão linda ruborizada. – Ele comentou, suspirou e prosseguiu – Íria, você acabou de me nomear o predador que deve deflorá-la, meu bem.

— Co-co-como? – Gaguejei de novo, ficando ainda mais vermelha.

— Cada espécie tem seu rito de passagem. Os humanos fazem uma celebração pela idade adulta e só. Os predadores participam de um exercício de caçada, eu diria. Levamos os jovens iniciantes para a floresta sagrada, que você é a única amazona que sabe onde fica, e lá um grupo de predadores iniciados já está escondida. Esses jovens devem encontrá-los e capturá-los para que possam ser considerados adultos e iniciados. Por isso quando me conheceu, estava coberto de lama, eu era um dos iniciados que deveriam ser encontrados e capturados pelos novatos. Porque nossa cultura dignifica a força, a masculinidade e o dever, principalmente de proteção às nossas fêmeas eleitas.

"Mas a cultura amazona celebra a liberdade, a feminilidade e a concepção. Apesar de guerreiras, ainda são os receptáculos sagrados da vida, pois só uma mulher, de qualquer espécie, pode gerar uma nova vida em seu corpo. Logo, o ato que lhes confia a vida, o sexo, deve ser celebrado como um rito de passagem de menina para sua maturidade como mulher. Por essa razão, quando é chegado o momento, a amazona debutante escolhe aquele ou aquela com quem terá sua primeira experiência sexual e tem início o rito".

Vendo que eu estava chocada demais para falar, ele prosseguiu.

— A grande maioria dos ritos acontece de forma, digamos... Normal na sua concepção. Mas há debutantes que preferem o ritual sagrado, que acontece com a nomeação pelo matriarcado. E, claro, temos o seu caso peculiar, onde, se estou presumindo corretamente, teve que escolher entre realizá-lo agora ou ficar aqui. Não precisa se constranger por isso, acredite.

— Como não?! Um ritual sagrado para fazer sexo! Isso é o cúmulo da bizarrice. – Coloquei as duas mãos no rosto cobrindo minha indignação e vergonha.

Queria me jogar da sacada para não olhar para Tânis. Claro que cogitei em minha mente fazer sexo com ele, principalmente durante os dias em que me vi infectada... Mas logicamente não assim, do nada.

Nem tinha certeza se queria realmente fazer isso com ele, mas era isso ou ficar aqui por dois anos... Francamente! Comecei a cogitar a ideia de atender o mal-humorado. Me sentia mil vezes mais pronta para encarar sua cimitarra do que a cama com Tânis.

Me senti ser erguida e a surpresa me fez olhar, para descobrir que estava em seus braços, mas foi muito rápido, a gravidade mudou e fui colocada deitada na cama. Ele se afastou um pouco, e se deitou ao meu lado, virado para mim, com o braço dobrado e a cabeça apoiada na mão.

Olhei assustada para ele que sorriu... Por meros segundos, porque o prédio tremeu ao ponto de eu pensar que viria abaixo, a intensidade até diminuiu, mas não parou de tremer.

Imediatamente me lembrei do aviso: mais cedo do que pensa. Pulei da cama e quase agradeci audivelmente. Olhei o entorno e vi as espadas sobre a mesa, as peguei e corri para o closet, enquanto Tânis ainda estava aturdido na cama entre o terremoto e minha fuga desesperada.

Valquíria MaresOnde histórias criam vida. Descubra agora