Dois anos lutando para dar conta de estudar, atender, operar e cuidar o melhor possível das vítimas do vírus me deixaram exausta. Estava incomodada, por não conseguir mais treinar. Os pacientes infectados não paravam de chegar, a UMR na ânsia de melhor nos preparar, dobrara o número de seminários e convenções, nos mantendo atualizados sobre o que a medicina estava descobrindo sobre o vírus e os melhores tratamentos.
Infelizmente, todas essas reuniões eram inúteis. Não estávamos vencendo o vírus, muitas pessoas estavam morrendo e nada de relevante havia sido descoberto.
Meu pai dizia todas as vezes para ter paciência, que o momento estava chegando. O que me deixava um pouco estressada, porque ele não dizia momento de que.
O homem-lama me chamava de vez em quando pelo foco, ou eu o chamava... Às vezes precisava descansar a mente e como ele não era médico, era uma mudança bem-vinda para toda a loucura que me cercava.
Por mais que tenha provocado, reclamado e até o chantageado emocionalmente, nunca me disse seu nome. Então continuei chamando-o de homem-lama. Também nunca consegui uma comunicação visual, ele me bloqueou para isso.
Com a progressão do vírus, as pessoas começaram a ficar imprevisíveis. Meu protocolo E1 estava atualmente suspenso, pois devido à alta propagação, os homens pararam de tentar matar as esposas, pois começavam a perceber o risco bem real de extinção que os ameaçava. Ainda havia um caso ou outro de violência doméstica, mas não tão graves quanto antes. E essas mulheres, por medo do vírus, propagado por todo o continente, não expressavam nenhum interesse em deixar a vida que levavam.
Esse foi o único ponto positivo de toda a merda que se espalhava pelo continente. Porém eu não tinha tanto tempo para comemorar, pois o que faltava de pacientes quase mortas por espancamento, sobrava de pacientes contaminados e desesperados.
Depois de alguns incidentes noticiados, Phil passou a me obrigar a levar dois punhais comigo, escondidos nas botas, quando ia para a UMR e o homem lama me enviou um vidrinho com um pontinho minúsculo, que parecia metálico, dentro.
— Criatura, o que espera que eu faça com essa coisinha que me mandou? – O chamei por áudio assim que me entregaram o vidrinho com um pedaço de papel onde ele dizia: "Coloque isto" Ass.: Homem-Lama.
— Coloque em uma pistola de aplicação e insira na pele. É um localizador.
— Está brincando, certo?
— Não. As coisas estão um pouco fora de controle, Íria. Não quero que corra riscos, sei as datas dos eventos da UMR e estou acompanhando seu deslocamento. Assim, caso algo fora do normal ocorra com você, saberei.
— Acho que já está exagerando.
— Espero que sim. Em todo caso, faça o que te peço, por favor. Vou ficar mais tranquilo assim.
— Tá! – Bufei – E onde devo colocar essa coisa?
— Pouco abaixo do joelho. Em caso de captura, qualquer um vai tentar verificar seu pescoço, braços e tornozelos.
— O que está acontecendo, de verdade?
— As pessoas estão assustadas e, graças a isso, estão fazendo besteiras enormes. – Ele suspirou cansado.
— Tudo bem. – Me acalmei – Boa sorte, seja lá com o que está lidando.
— Obrigado. Logo nos falamos de novo. – Ele desligou.
Pouco tempo depois recebemos um novo médico residente, predador. O Dr. Polox Janks era engraçado e uma mudança muito boa em nosso cotidiano, pois me ajudava quando podia no tratamento dos infectados e sendo jovem, agora eu tinha com quem implicar e que revidava.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Valquíria Mares
عشوائي**** OBRA CONCLUÍDA **** Agora vocês perguntam: Quem é você? E eu respondo: sinceramente também gostaria de saber. Fui criada apenas sabendo meu primeiro nome: Valquíria. Minha mãe, só me permitia chamá-la de "mãe", então não sabia seu nome. Meu pai...
