Capítulo 7

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Esperei parar de ouvir o homem andar, para contar até vinte. Assim teria mais certeza de que ele não estaria por perto para ouvir.

— Vocês estão bem? – Me aproximei das crianças.

— Como se você pudesse fazer algo, caso não estivéssemos. – Uma menina me respondeu, um pouco aborrecida.

Notei que ela, apesar de aborrecida falava baixo, então baixei a voz. Pelo jeito estavam acostumadas a falar sempre baixo, com medo de serem ouvidas, porque daí em diante, pude constatar que todas falavam o mais baixo possível.

— Tudo bem. – Exalei, olhando à volta – Qual a regularidade em que os guardas aparecem aqui?

— Que guardas, garota? Apenas um homem aparece aqui uma vez por dia para trocar o garrafão de água e deixar um novo caldeirão com comida. E nem se anime achando que vai comer, porque ele já veio hoje. – A garota me respondeu.

— Não há guardas vigiando? – Me surpreendi – Nem sequer verificando?

— Por que precisariam? Somos apenas meninas. – Ela falou de novo.

— Que ótimo! – Sorri.

— Você é maluca? – Uma das meninas me perguntou, franzindo a sobrancelhas.

— Talvez, mas não vou ficar por tempo o bastante para descobrir. – Tirei o foco de trás do bracelete e coloquei no lugar – Sem sinal. Nem estou surpresa. – Reclamei para ninguém em particular, mas nem terminei e o foco chamou – Oi. – Respondi a chamada áudio.

— O que está fazendo no submundo, Valquíria? – Foi a pergunta que me recebeu.

— Pai?! – Me surpreendi, esquecendo até de manter a voz baixa – Como conseguiu falar comigo? Não tem sinal...

— Não temos tempo, saia daí imediatamente! Está no reino do guardião imortal, ele não tolera invasões. – Ele me cortou com urgência.

— Tá, estou saindo... Não vim aqui porque quis, fui capturada e há crianças presas aqui...

— Valquíria, não estou brincando. Saia daí agora!

— Tá, estou indo. – Bufei, desligando.

— Como te deixaram ficar com isso? – Uma das meninas falou me fazendo lembrar delas.

— Não viram. – Respondi, apertando o foco e escaneando as garotas – Iasmin, Análise de saúde geral.

— O que está fazendo? – A impertinente me perguntou.

— Espere. Me dê um minuto. – Pedi, aguardando o relatório e olhando a projeção que Iasmin, em modo offline, me dava.

Só respondi para ela quando terminei a análise individual.

— Mandei minha IA escanear vocês e me dar um parecer médico preliminar. Estão todas bem o suficiente para podermos sair daqui.

— Quem é você? – A impertinente me perguntou.

— Dra. Mares. Eles acreditaram que tenho doze anos, então me trouxeram para cá. Agora, posso tirar vocês daqui. – Contei, já tirando as várias coisas que conseguira esconder nas botas, mas que agora ia usar.

— Você tinha razão, Jane, ela é maluca. – A impertinente falou, olhando os muitos invólucros que eu remexia e me vendo encher as duas seringas com o líquido de um dos vidrinhos.

— Olha, garota! – Me cansei – Se quer ficar aqui para ser vendida como escrava, fique à vontade. Mas tenho um destacamento de soldados de Zarov me aguardando lá fora sob o comando do meu amigo, pronto para invadir esse lugar. Acha mesmo que não vão te usar de escudo humano para se livrarem?

Valquíria MaresOnde histórias criam vida. Descubra agora