Esperei parar de ouvir o homem andar, para contar até vinte. Assim teria mais certeza de que ele não estaria por perto para ouvir.
— Vocês estão bem? – Me aproximei das crianças.
— Como se você pudesse fazer algo, caso não estivéssemos. – Uma menina me respondeu, um pouco aborrecida.
Notei que ela, apesar de aborrecida falava baixo, então baixei a voz. Pelo jeito estavam acostumadas a falar sempre baixo, com medo de serem ouvidas, porque daí em diante, pude constatar que todas falavam o mais baixo possível.
— Tudo bem. – Exalei, olhando à volta – Qual a regularidade em que os guardas aparecem aqui?
— Que guardas, garota? Apenas um homem aparece aqui uma vez por dia para trocar o garrafão de água e deixar um novo caldeirão com comida. E nem se anime achando que vai comer, porque ele já veio hoje. – A garota me respondeu.
— Não há guardas vigiando? – Me surpreendi – Nem sequer verificando?
— Por que precisariam? Somos apenas meninas. – Ela falou de novo.
— Que ótimo! – Sorri.
— Você é maluca? – Uma das meninas me perguntou, franzindo a sobrancelhas.
— Talvez, mas não vou ficar por tempo o bastante para descobrir. – Tirei o foco de trás do bracelete e coloquei no lugar – Sem sinal. Nem estou surpresa. – Reclamei para ninguém em particular, mas nem terminei e o foco chamou – Oi. – Respondi a chamada áudio.
— O que está fazendo no submundo, Valquíria? – Foi a pergunta que me recebeu.
— Pai?! – Me surpreendi, esquecendo até de manter a voz baixa – Como conseguiu falar comigo? Não tem sinal...
— Não temos tempo, saia daí imediatamente! Está no reino do guardião imortal, ele não tolera invasões. – Ele me cortou com urgência.
— Tá, estou saindo... Não vim aqui porque quis, fui capturada e há crianças presas aqui...
— Valquíria, não estou brincando. Saia daí agora!
— Tá, estou indo. – Bufei, desligando.
— Como te deixaram ficar com isso? – Uma das meninas falou me fazendo lembrar delas.
— Não viram. – Respondi, apertando o foco e escaneando as garotas – Iasmin, Análise de saúde geral.
— O que está fazendo? – A impertinente me perguntou.
— Espere. Me dê um minuto. – Pedi, aguardando o relatório e olhando a projeção que Iasmin, em modo offline, me dava.
Só respondi para ela quando terminei a análise individual.
— Mandei minha IA escanear vocês e me dar um parecer médico preliminar. Estão todas bem o suficiente para podermos sair daqui.
— Quem é você? – A impertinente me perguntou.
— Dra. Mares. Eles acreditaram que tenho doze anos, então me trouxeram para cá. Agora, posso tirar vocês daqui. – Contei, já tirando as várias coisas que conseguira esconder nas botas, mas que agora ia usar.
— Você tinha razão, Jane, ela é maluca. – A impertinente falou, olhando os muitos invólucros que eu remexia e me vendo encher as duas seringas com o líquido de um dos vidrinhos.
— Olha, garota! – Me cansei – Se quer ficar aqui para ser vendida como escrava, fique à vontade. Mas tenho um destacamento de soldados de Zarov me aguardando lá fora sob o comando do meu amigo, pronto para invadir esse lugar. Acha mesmo que não vão te usar de escudo humano para se livrarem?
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Valquíria Mares
Random**** OBRA CONCLUÍDA **** Agora vocês perguntam: Quem é você? E eu respondo: sinceramente também gostaria de saber. Fui criada apenas sabendo meu primeiro nome: Valquíria. Minha mãe, só me permitia chamá-la de "mãe", então não sabia seu nome. Meu pai...
