Capítulo 32

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Acordei com uma projeção chamando minha atenção, o relógio marcava oito da manhã.

— O sonho de qualquer predador. Por favor, me diga que estão nuas. – Enzo me aborrecia pela projeção holográfica.

— O que você quer à essa hora da manhã, seu mané? – Bocejei me espreguiçando por baixo dos cobertores, sentindo Ox na minha cabeça emaranhado nos meus cabelos.

— Quem está aí? – Valéria levantou parcialmente a cabeça, descabelada e com os olhos ainda meio fechados.

— Uau! E não é que a palhaça tem bom gosto! – Enzo escarneceu.

— Me deixa em paz, eu quero voltar a dormir, Enzo! – Reclamei rindo dele.

— Espera, ele é o sobrinho asno? – Valéria sentou rápido puxando meus cobertores junto.

— Amor, posso ser o que você quiser. – Enzo se ofereceu.

— Pronto, vai começar tudo de novo! – Bufei, desembaraçando o gato dos meus cabelos e me sentei na cama – Valéria esse é Enzo, o sobrinho retardado do Tânis. Enzo, esta é Valéria, minha irmã.

— Calma, eu escutei direito? – Enzo desfez o sorrisinho safado.

— Não sei, quando foi seu último teste de surdez? Garanto que não posso fazer uma audiometria para você daqui. – Provoquei.

— Você é irmã da princesa Valéria? – Ele ignorou meu sarcasmo.

— Que coisa, não é? – Ironizei e Valéria riu alto.

— Então... – Ele começou, mas parou estarrecido.

— Ih, o cérebro dele pifou. – Valéria brincou.

— Se ele tivesse um, poderia me preocupar. Ainda quer usá-lo nos seus planos nefastos contra mim? – Ergui a sobrancelha.

— Na verdade, parece que posso mudar de ideia. Ele é bem aprazível. – Ela olhou a projeção de cima abaixo.

— Se for usar, não deixe dormir, porque baba e ronca horrores. – Contei.

— Há há – Ele disse sem humor e Valéria caiu na gargalhada.

— Mas ainda não me disse: por que está me incomodando tão cedo?

— Porque o Phil tentou ontem à tarde toda, não conseguiu, entrou em contato comigo, puto. Parece que ele não acredita que Sandrya tem protocolos tão rígidos que a impediriam de se comunicar com ele. Aparentemente ele estava imaginando que a sequestraram de novo, a amarraram e a estavam molestando, só pode! O bom doutor já estava me ameaçando de morte, quando consegui fazê-lo me ouvir e expliquei como as coisas aí funcionam. Tive que prometer que a contataria e que você entraria em contato com ele no mais tardar hoje, para que ele pudesse desligar. – Ele ergueu a sobrancelha.

Eu ri, não consegui evitar. Só de imaginar o Phil ameaçando um predador...

— Quem é esse Phil? E por que ele acha que tem direitos sobre a minha irmã? – Valéria começou a ficar brava.

— O Dr. Phillip Hans, é o diretor do Instituto Bergmann, onde sou residente. Ele meio que assumiu o papel de pai adotivo comigo, porque cheguei lá criança. E por muito tempo só tínhamos um ao outro, ele é viúvo e não tem família, Valéria. Ele é meu professor, mentor, orientador, chefe e amigo. Se sente responsável por mim e vive me verificando. Todas as vezes que saio do instituto ele me liga pelo menos uma vez a cada dois dias. E se não consegue falar, ele fica um pouco ansioso...

— Não, ele fica insano! Ansioso é eufemismo – Enzo me interrompeu rindo alto. Phil deve ter falado muito na orelha dele.

— Vou contactá-lo, Enzo. Obrigada.

Valquíria MaresHistórias para pegar e não largar. Descubra agora