— O que exatamente aconteceu lá? – Saul me perguntou enquanto guiava a mim e Aria, uma de cada lado seu, com o lobo atrás de nós.
— Por quê? Achei que não pudesse contar, já que para cada pessoa é diferente.
— Tampinha, ninguém nunca voltou com um traje de outro elemento no corpo, acompanhado de outro híbrido, sendo guiado pela mão da própria deusa da água e muito menos com todos os dons das águas concedidos a si.
— Sério? Ganhei todos?
— Sim, ó poderosa pouca sombra.
Aria gargalhou.
— Vai a merda, Saul! – ri junto com eles.
Mas lembrei do que Valéria falou e me lembrei de perguntar.
— Quanto tempo exatamente fiquei fora, ou dentro, ou dentro e fora... Sei lá! Minha cabeça deu um nó agora.
— Três dias. – Ele gargalhou.
— Papai já contou do incidente Entre Zarov e Plenur, na divisa de Marselha?
— Não para mim. Meu dever sagrado é guardar a entrada. Não posso ser interrompido ou distraído... A propósito, por que tem folhas emboladas no seu cabelo e você parece que veio da guerra? E nem vou perguntar de onde Aria surgiu. – Saul falou.
— Longa história, que se vou contar, vai ser uma vez só, porque estou morta de cansaço. E agora que saí do templo e meus testes finalmente acabaram, estou morrendo de fome e meus pés estão cheios de cortes, bolhas e doendo pra caramba. – Declarei – Aposto que Aria também deve estar faminta.
— Muito! – Ela concordou.
Ele riu, mas não insistiu. Nos guiou de volta ao palácio e todos me esperavam... Todos, mesmo! O salão de jantar estava lotado.
Olhei todas aquelas pessoas e ergui uma sobrancelha no primeiro instante. Os homens não eram tão chocantes, estavam todos sem camisa, alguns de calças compridas outros de short colado até acima dos joelhos como meus irmãos. As mulheres usavam a mais variada falta de tecido, algumas com faixas cobrindo poucas partes do corpo, outras com menos que isso. Vi umas três que usavam tecido o bastante para cobrir as partes íntimas por completo.
Exalei, meneando a cabeça e procurei meu pai e Samir na multidão. Não ia perder meu tempo me escandalizando, estava cansada demais para tanto, além de ter que entender que não estava no mundo mortal. Deveria respeitar suas tradições e fingir que era normal.
Saul se dirigiu aos presentes contando o que a deusa disse a ele ao nos entregar e todos gritavam e comemoravam. Mas pouco dei atenção, estava morta de cansaço.
Então mesmo que tenha retribuído muitos abraços e beijos de felicitações, apresentações etc. não via a hora de poder voltar para o meu quarto e desmaiar por uns dois dias.
Unhas tentavam subir pelas escamas da minha perna, mas não estavam tendo sucesso, sorri para o meu gato ninja e o peguei nos braços, enquanto o lobo o cheirava interessado e Oxley o ignorava.
— Ainda não entendi como ele estava comigo perto do rio pescando seus amados peixes e depois apareceu no seu quarto. – Samir surgiu.
— Esse capetinha, conseguiu me seguir no templo sagrado e quase se afogou. – Ri.
Aria se divertia com Saul a apresentando a todos os presentes.
— Ainda falta um merecido presente para compor os demais. – Meu pai falou atrás de mim e me virei para ele.
— Mais um? – Sorri.
— Estou tão orgulhoso de você quanto os demais elementais. – Ele colocou pela minha cabeça mais um colar, prateado tão claro que era quase transparente, com um pingente perolado em forma de concha.
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Valquíria Mares
Sonstiges**** OBRA CONCLUÍDA **** Agora vocês perguntam: Quem é você? E eu respondo: sinceramente também gostaria de saber. Fui criada apenas sabendo meu primeiro nome: Valquíria. Minha mãe, só me permitia chamá-la de "mãe", então não sabia seu nome. Meu pai...
