Lavei minhas mãos na pia, coloquei um jaleco, por cima das minhas roupas, um par de luvas de látex, peguei uma lâmina para o exame, ligando os aparelhos.
— Íria! – Tânis me chamava do corredor técnico desse andar.
— Está tudo bem... Por enquanto. Preciso verificar Ellen. – Olhei os demais – Acalmem-se, pode não ser nada, mas o ferimento dela teve contato direto com sangue infectado. Preciso ter certeza.
— Posso te ajudar? – Aria perguntou timidamente.
— Prefiro não arriscar, Aria, não sei se é imune e não temos tempo para que fique infectada por vinte e quatro horas, não posso dormir aqui para te fazer companhia e Oxley e nosso amigo lobo, que aliás devemos arrumar um nome para ele, também não podem entrar por causa da química para poder sair. – Descartei e ela assentiu, esperando no corredor com os demais.
— Majestade? – Amber se surpreendeu, fazendo uma reverência para Tânis.
— Esta deve ser Amber. – Ele sorriu para ela – Espero que logo esteja fora daí.
— Obrigada, meu senhor. – Ela agradeceu, enrubescendo.
— Onde está minha irmã? – Ênio me perguntou.
— Mandei tomar um banho. Para o exame, preciso do sangue dela limpo e como ela brigou lá embaixo, tinha sangue de Laura por toda parte. – Exalei.
— Ellen tem merda no lugar do cérebro. Só pode! Como ela entra em um ambiente cheio de pessoas infectadas e as insulta? – Enzo expressou.
— Foi burra em entrar, mas pode não ter sido inteiramente culpada pela briga, Enzo. Laura não é fácil. Sempre viveu na pobreza extrema, com quinze anos sua mãe morreu, o pai bebia, a agredia e abusava sexualmente dela. Então acabou se tornando prostituta aos dezessete anos. Foi a única saída que viu nesta província, para fugir do pai. Guardou recursos e estava indo embora de Bergmann quando foi infectada e enlouqueceu. Levei semanas para conseguir me aproximar, para fazê-la aceitar, ter esperança... – Suspirei – Por várias na situação dela e de Amber que pedi ao matriarcado para estar aqui. Não consigo abandoná-las à própria sorte, depois de conhecer suas histórias, seus sonhos... Laura quer ser enfermeira. – Sorri – Ela me ajuda na ala e comecei a ensiná-la a cuidar de ferimentos, ministrar medicamentos etc.
— O laboratório está pronto. Vamos descobrir como ampliar o tratamento. – Tânis se solidarizou.
— Vamos. – Exalei.
— Valquíria? – Ouvi Ellen atrás de mim e me virei para ela.
Seu olhar me dizia que escutou bastante do que falei, porque sua agressividade se fora. Notei confusão e indecisão no seu olhar, não mais a raiva que havia antes.
— Venha. Sente-se e vamos fazer a primeira verificação sanguínea. – Lhe disse passando álcool em seu corte no rosto e o fechando rápido com um curativo – Só teremos certeza de que está saudável em vinte horas, depois do segundo teste, então podemos tirá-la daqui. – Fui falando enquanto a sentava em uma cadeira e pegava uma agulha para furar o dedo dela.
Fiz os procedimentos, lhe explicando a necessidade de cada etapa. Coloquei a lâmina no equipamento e digitei os comandos para a análise.
— Quanto tempo? – Eros me perguntou pelo vidro.
— Uma hora aproximadamente. – Respondi, mas não fiquei parada – Agora, enquanto espera o primeiro resultado, vou lá embaixo, cuidar de Laura e as demais – Olhei para os homens do outro lado do vidro – Preciso apenas que Tânis espere aqui, vocês podem voltar a trabalhar onde são necessários. Não há o que fazer por enquanto.
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Valquíria Mares
Casuale**** OBRA CONCLUÍDA **** Agora vocês perguntam: Quem é você? E eu respondo: sinceramente também gostaria de saber. Fui criada apenas sabendo meu primeiro nome: Valquíria. Minha mãe, só me permitia chamá-la de "mãe", então não sabia seu nome. Meu pai...
