Capítulo 29

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Primeiro a moça me levou até o fim de uma fila de mulheres que eu deveria seguir. Em silêncio. Eu não podia falar durante todo o ritual até que meu elemento se revelasse. Então essa fila seguiu por uma porta e para uma escada que parecia não ter fim. Quase uma hora depois, quando paramos de subir, tudo que eu queria era me sentar e morrer, porque já estava me perguntando se essa merda ia até a lua quando finalmente a escada acabou.

Me tiraram o Hobby e me colocaram nua, em pé sobre um pedestal no centro da torre aberta de todos os lados. Então a mais velha começou a cantar e se movimentar, as outras se juntaram a ela e eu não entendia uma única palavra da língua estranha que elas usavam, mas fiquei lá esperando... Já estava ficando azul e tendo leves convulsões de frio quando finalmente me tiraram do pedestal e me devolveram o Hobby que vesti rápido tentando me esquentar. Voltamos a descer as escadas infinitas e quase matei todo mundo no meio do caminho.

Estava cansada, gelada e tendo espasmos ainda do frio, como era a última da fila, na descida todas estava abaixo de mim. Tropecei e levei metade da fila de mulheres comigo em um strike fantástico escadas abaixo.

Tiveram que interromper o ritual, para levar algumas para a enfermaria, por azar não fui uma delas. Estava meio ralada e tonta, mas bem o bastante para continuar.

Nas portas do próximo templo a cor mudou. No anterior todas as mulheres usavam branco e prata, agora as que me aguardavam vestiam vermelho e cobre. Fui colocada de novo no final da fila de mulheres de vermelho e assim que transpusemos a primeira porta do templo a temperatura subiu exponencialmente. Nem dois minutos depois e o suor no meu corpo já incomodava, pensei que se não morresse por choque térmico, podia me considerar imortal.

Passamos a segunda porta e comecei a passar mal. Não conseguia respirar com o calor sufocante do ambiente. Tentei continuar seguindo, mas tudo que era capaz de fazer era tossir e arfar procurando ar, minhas pernas travaram...

Quando voltei a mim, estava fora do templo e a mais velha das mulheres que me levaram para aquele templo falava comigo. Só então me dei conta de que desmaiei.

— Certamente nosso amado fogo não é seu elemento, meu bem. Mas não se preocupe, vamos encontrá-lo. Pode andar? – Ela me falou com calma e carinho, quando ia responder ela colocou o dedo indicador em meus lábios – Ainda não pode falar querida – ela explicou.

Assenti para ela que sorriu.

— Então vamos tentar a terra. Venha. – Ela me pegou pela mão e me ajudou a levantar.

Depois de me colocar no fim da fila de vermelho, assumiu a frente e seguimos para o próximo templo. Agora a fila que me esperava vestia verde.

Depois que entramos em uma grande sala que mais parecia uma floresta esquisita, me tiraram o hobby de novo e me esfregaram em toda parte. Me fizeram rolar no chão de terra, passaram areia em mim, me fizeram abraçar arvores, passaram folhas de todos os tipos no meu corpo e nada...

Ou quase nada, o chão tremeu. Revirei os olhos pensando: Até aqui? Mas apesar das sacerdotisas arregalarem os olhos não me disseram nada e prosseguiram.

Quando achei que acabara, a sacerdotisa mais velha começou a bendita cantilena, de novo, e de repente caiu para trás se lamentando incoerentemente. Corri para socorrer a mulher e me seguraram dizendo que era normal, fazia parte da porcaria do ritual, só porque o chão tremeu.

Meu rosto queimou de constrangimento. Bem, certamente este não era meu elemento. Nesse templo percebi que daria vexame em todo o maldito ritual.

Pensei que estaria livre quando ela terminou de ter convulsões no chão, mas ela se levantou e olhou um pouco assustada para mim.

Valquíria MaresHistórias para pegar e não largar. Descubra agora