Capítulo 35

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O quarto de Valéria era o que eu esperava, uma parede de destaque laranja atrás da cabeceira da cama já dizia o quanto ela era dinâmica. Móveis escuros requintados, mesclados ao ambiente repleto de arte e bom gosto.

— Miniatura, confesso que estou curiosa para saber o que aconteceu, mas ao mesmo tempo estou um pouco assustada. – Valéria me recebeu em seu quarto – Então, o que achou do guardião Kanslor?

— Além de mal-humorado e taciturno?

— Sabe exatamente o que quero saber. – Ela colocou uma mão na cintura apontando a outra para mim.

Ri da sua pose autoritária, mas respondi.

— Perfeito.

— Só?

— Vai lamber sabão, Valéria. – Enrubesci.

Oxley corria desabalado pelo quarto dela, e antes que eu tivesse me sentado ele já quebrara três vasos de vidro em destaque sob luzes voltadas para eles. Valéria riu e disse que assim poderia se livrar daquelas coisas, que só estavam ali por terem sido presentes.

Tive tempo de contar tudo o que houve à Valéria, dar os detalhes que ela tanto perguntou e ouvir seus muitos comentários espirituosos a respeito, antes que nossa mãe nos convocasse à sala de audiências do matriarcado.

A única coisa que fiz antes de me apresentar foi pentear os cabelos, arrumando-os com a ajuda de Valéria em uma trança embutida. Achei melhor deixar um banho e troca de roupas para depois que estivesse tudo finalmente resolvido.

Mais uma vez me via no auditório ao lado da minha irmã, com o matriarcado completo com minha mãe entre elas no tablado. Nos informaram da sua concordância com os termos do guardião, que só agora me diziam que assumiu minha guarda, dispensando a nomeação de outro. Só depois desses anúncios que convocaram Tânis.

Ele entrou altivamente e seu olhar de alívio quando me viu foi fofo. O colocaram mais uma vez ao meu lado. Não consegui deixar de prestar atenção ao seu rosto quando se aproximou. Eu passava o dedão no anel de Kanslor, ansiosa para perceber uma mudança qualquer nele.

O matriarcado, esperto, pediu alguns instantes para organizar os procedimentos. Dando tempo para Tânis ser afetado pelo anel e liberto do meu perfume.

Senti. Foi um imenso alívio sentir seu desejo desvanecer, mais rápido do que esperava, na verdade. Pude sentir a confusão, depois a preocupação. Olhei de novo para minha mãe e ela me olhava, como se esperasse um sinal, fiz um levíssimo aceno para ela e as matriarcas retomaram a audiência.

Ao contrário da anterior, nesta só havia nós três além do matriarcado no auditório.

— Rei dos predadores, Tânis Vulcro. – A matriarca que geralmente dirigia os discursos falou Apreciamos e agradecemos sua solicitude em se comprometer com a debutante Valquíria Mares. – Senti Tânis ficar tenso – Mas devido a descoberta de sua condição de vítima de uma arma de defesa natural dela como híbrida, que ambos desconheciam, este conselho dispensa seu juramento, prestado sob condições inapropriadas para tal comprometimento. Também reconhecendo que a referida debutante não optou espontaneamente por tal nomeação para seu rito pessoal. Aceitando-o apenas para que pudesse retornar e cumprir sua missão intuída pelos deuses, logo, como consagradas e guardiãs das vontades divinas, não podemos impedi-la de realizar a vontade deles.

— Agradeço sua compreensão e ação, antes que um ato irrefletido pudesse resultar em algo temeroso. – Ele se dobrou em reverência e pude sentir seu alívio.

— Permanecerão conosco por dois dias para que Valquíria possa ter mínima instrução sobre si mesma e evitar tais tribulações. Depois deste prazo, estarão liberados para voltar a Zarov, para a questão que os aguarda. – Ela encerrou.

Valquíria MaresHistórias para pegar e não largar. Descubra agora