Não ouvi o que ele respondeu, tão pouco dei chance de me alcançarem. Vi uma escadaria à frente e desci por ela. Forçava-me a não pensar, tão pouco em deixar as lágrimas descerem por meu rosto. Travei a mandíbula e mantive meu rosto baixo, olhando apenas o chão. Precisava sair dali. Sentir o ar marinho no meu rosto.
"Sou um problema gigante então. Uma responsabilidade incômoda. Rei imbecil! Idiota! E pensar que achei esse otário atraente." – Eram os pensamentos que passavam por minha mente.
Terminei de descer as escadas e passei pela porta que levava ao exterior do lugar. Bati em uma obstrução enorme e caí para trás. Braços me pegaram antes de atingir o chão e olhei para quem atropelei.
— Íria? – Enzo franziu as sobrancelhas para mim, me fazendo perceber que o atropelado que ainda me salvou da queda fora ele.
— Oi Enzo. Desculpe, não estava olhando por onde ando. – Exalei, me endireitando quando ele me largou.
— O que faz na minha casa?
— Sua casa?! – Olhei em volta perplexa. Só então notei que era uma grande mansão.
— Sim, palhaça. Moro aqui, com meus pais, irmãos e tio. – Ele revirou os olhos – Agora pode me responder, por favor?
— Longa história. Se não se importa, preciso sair daqui. Preciso respirar ar fresco e se ouvir mais alguma idiotice hoje, não respondo por mim. – Bufei, tentando dar a volta em Enzo.
— Tá. Levo você para a UMR e conversamos no caminho então. – Ele ofereceu.
— Também está preocupado comigo arrumando confusão pela cidade? – Não pude evitar.
— Vai se danar, Íria! Você é minha amiga há cinco anos, capeta. Acha mesmo que vou deixá-la andando por aí, visivelmente transtornada e sem olhar por onde anda? – Ele me repreendeu, exalou e voltou a falar – Olha, não faço ideia do porquê está tão afetada, mas entendo que neste momento precisa de um tempo para pensar, seja lá no quê. Só quero ajudar, ok? Sei que não conhece a cidade direito, não vai saber voltar para a universidade sozinha.
— Desculpe, tem razão. – Suspirei.
— Vamos. – Ele me guiou para seu veículo que ainda estava estacionado ali de frente.
Entrei no carro, sem questionar e ele assumiu o volante saindo da mansão. No caminho meu foco acendeu e Tânis falava em áudio.
— Íria, como você saiu da mansão?
— Não se preocupe, majestade, não vou causar problemas, só estou voltando para a UMR. Meu pai se vira... E não se preocupe, não vou tirar seu maldito rastreador até o dia da minha partida.
— Íria, preciso falar com você. – Ele suspirou.
— Não precisa mais fingir, Tânis. Não somos amigos, sou apenas sua responsabilidade, lembra-se? Não me deve satisfações. – Desliguei a chamada e o foco.
— Era meu tio falando com você? – Enzo chamou minha atenção, me fazendo lembrar de sua presença.
— Então você é sobrinho do rei. – Afirmei – Que surpresa! Agora faz sentido estar sempre por perto na universidade.
— Pode parar! – Ele freou o carro, encostou no meio fio e se virou para mim – Não sei o que está acontecendo e só soube que se conhecem quando ele apareceu com você ferida nos braços depois do incidente com Denis. Logo, não faço ideia do motivo de estarem brigando, então não tire conclusões precipitadas e erradas a meu respeito sem me perguntar. O que sabe da nossa amizade é o mesmo que eu sei. Nos conhecemos em uma convenção cinco anos atrás e ao conversarmos nos tornamos amigos. Ponto. Fim. Não sei dos assuntos do meu tio e nem ele dos meus, ok?
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Valquíria Mares
Diversos**** OBRA CONCLUÍDA **** Agora vocês perguntam: Quem é você? E eu respondo: sinceramente também gostaria de saber. Fui criada apenas sabendo meu primeiro nome: Valquíria. Minha mãe, só me permitia chamá-la de "mãe", então não sabia seu nome. Meu pai...
