Ninguém está livre do passado quando este se resume a um filme de terror.
Um ano se passou desde que terríveis assassinatos abalaram a cidade de Oakfield pela segunda vez. Juntos, os sobreviventes tentavam recuperar a sanidade na Universidade de Wi...
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Um rastro de sangue era deixado para trás a cada esforço do músculo da perna. Os grunhidos de Bethany cobriam o corredor, doloridos e abafados por uma de suas mãos. A outra, mantinha-se tocando a parte de cima do ferimento de bala, que lançava uma dor pulsante por todo o membro. A cada toque do calcanhar no chão, uma onda alucinante de dor subia queimando, eletrizando os nervos e cada centímetro de pele.
Dando olhadas para trás, Bethany buscava pela certeza de que o assassino não estava voltando. Já havia cruzado três corredores desde que Lola a deixou sozinha na sala de aula, e aproximava-se da saída principal, em direção ao elevador do estacionamento. Sabia que não podia seguir pelo mesmo caminho que Lola levou o Carrasco, portanto era o que restava. Além do mais, não tinha conhecimento de mais nenhuma saída extra no prédio, sendo o elevador, portanto, o único lugar a lhe entregar alguma salvação. Apenas esperava que ele estivesse ativado. Diferente disso, estaria ferrada.
Apressando-se ao que o medo da solidão e do escuro cresceu, a morena foi obrigada a parar por um instante, dando uma conferida na perna baleada. O projétil continuava ali. Mesmo que não pudesse vê-lo por estar coberto pela manga do sobretudo de Lola, ela podia senti-lo remexendo a cada passo. Respirou fundo. Teria de tirá-lo para aliviar um pouco da dor. Mas o ato de retirar seria dez vezes mais doloroso. Bethany pensou no que fazer. Ao mesmo tempo que devia se apressar, sabia da necessidade de fazer uma intervenção para que conseguisse andar mais rápido. Com metade da dor retirada de si, conseguiria isto.
Suspirou antes de desfazer o nó da manga do sobretudo, arfando no mesmo instante quando o aperto sumiu de sua perna. O sangue desceu numa pressão ainda maior, fazendo a jovem se preocupar com uma hemorragia. Mas resolveu prosseguir, desde que já havia chegado àquele ponto. Assim, vacilou com os dedos acima da parte rasgada do jeans e da carne aberta, hesitante. A agonia apenas crescia e, envergada naquela posição, Bethany sentia o coração acelerando. Uma olhada para o fim do corredor a encorajou a ser mais rápida, e por isso fincou o indicador e o polegar de uma vez dentro da própria perna.
O grito gutural expelido veio acompanhado do arrepio por todo o corpo. A menina tirou os dedos dali por um instante, mas voltou a enfiá-los fundo. Apoiou-se na parede com a outra mão, sentindo a visão dançando. Teria perdido sangue o suficiente para desmaiar? Aquilo a assustou. A última coisa que poderia acontecer seria aquilo. Dessa forma, apressou-se, caçando dentro da própria carne escorregadia, a bala alojada. Lágrimas desceram mais por uma ação inconsequente do corpo, do que por vontade própria.
A busca pelo projétil se estendeu por um tempo maior do que o esperado. Bethany já sentia a perna envergando pelos toques contínuos no músculo, trazendo uma onda de desespero ainda maior. A respiração esbaforida enchia o corredor silencioso e quando, por fim, sentiu os dedos tocando no pequeno objeto sólido, foi como um toque de Deus em seus ombros. Puxou a bala e a encarou por alguns instantes, o metal brilhando e coberto de sangue. Jogou-a no chão com um tilintar e voltou a atenção para a perna, agora alvo de uma pulsação lancinante e avassaladora. A cada segundo, sentia-se mais fraca.