3x40 - Ready or Not

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Nem se lembrava como desmaiou

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Nem se lembrava como desmaiou. A última memória que tinha era Emily caída a alguns metros, e o assassino sobre si. Nem mesmo viu a faca descer. E por um instante pensou estar morto. Sean se remexeu subitamente, mas os braços estavam presos. Ao tentar erguer o torso, bateu com a cabeça em alguma coisa, e a dor que antes não havia sentido, se uniu a nova dor do baque, fazendo com que ele tornasse a se deitar. Abriu as pálpebras com dificuldade, fazendo uma careta e soltando um grunhido. Tudo estava escuro.

O desespero se aflorou. Estaria numa caixa, num caixão ou, realmente, no purgatório? O sobrevivente só foi ter certeza do local ao menear a cabeça para trás. Podia sentir um ponto dolorido na testa, mesmo que incapaz de tocá-lo. Provavelmente foi ali que foi acertado. Mas nada disso importava agora, apenas o seu alívio em notar algo claro a alguns metros. Após alguns minutos encarando, percebeu se tratar de uma janela.

Respirou fundo. A visão se acostumou e logo, as coisas ao redor tomaram forma. Logo atrás de si, uma escrivaninha, e ao lado, uma cama, onde bateu com a cabeça ao tentar se levantar. Adiante, um closet pequeno e, seguindo a mesma direção, uma porta entreaberta. Era um quarto. Certamente um dormitório do prédio, como podia perceber ao ver o céu estrelado pela janela. Continuava no edifício, o que era algo bom, porém, sabendo da forma como foi posto ali, Sean voltou a se preocupar.

As mãos ainda não conseguiam ser movidas, presas por algo que cortava e machucava-lhe os pulsos a cada movimento apressado. Os pés encontravam-se na mesma posição. Por que merecia aquilo? Estava sozinho, até onde percebia.

Tentou sentir o celular no bolso, mas notava-o vazio. Merda, pensou consigo mesmo, impedindo-se de fazer qualquer som. Se o Carrasco estivesse ali, não gostaria de provar que tinha acordado. Pensou no que fazer. Precisava sair dali. Mesmo com os pensamentos ainda um tanto avoados, Sean não se prestou a descansar por um segundo sequer.

Lembrou-se de Emily, e perguntou-se se ela estaria ali também, ou se foi pega e colocada em outro quarto. A forma como o maníaco havia dominado-os tão facilmente, mesmo estando armado, era assustadora. Realmente, as coisas não eram como antes. Lembrou-se da noite em que, em companhia de seu falecido amigo Patrick O'Reilly, iniciaram a missão de resgate a Jordana Brammall na festa de Colby Ross. Patrick conseguiu salvar a garota e quase matou o assassino — provavelmente Connor McGrath — ao jogá-lo do telhado. Ele apenas sobreviveu por mera sorte de se agarrar a um sistema de ar-condicionado e entrar na casa por uma das janelas. Ainda assim, um adolescente foi capaz de derrotar um assassino em série profissional, mesmo levando um golpe de facão na perna. De qualquer jeito, era aterrador imaginar com quem estavam lidando daquela vez.

Ergueu as mãos amarradas e observou os pulsos, presos pelo que parecia ser um fio, não muito grosso, mas em voltas o suficiente para deixá-los estagnados naquela posição. Voltou a analisar o ambiente, buscando por alguma solução para aquilo. Por Deus, eu não posso morrer agora, voltou a pensar. O que poderia fazer? Nada parecia bom o suficiente para libertá-lo, e ainda contava com a incerteza do Carrasco continuar por perto.

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