3x28 - There Will Be Blood

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 Não sabia onde estava, e de repente encontrou-se perdida

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Não sabia onde estava, e de repente encontrou-se perdida. Era impossível achar a direção correta com toda aquela adrenalina percorrendo o corpo, impossibilitando-a de pensar direito. Haviam achado os trilhos de trem por puro acaso, e agora o retorno para o galpão era estranhamente difícil, mesmo com a música alta ecoando ao fundo, transpassando toda a floresta e chegando aos seus ouvidos após muita dificuldade.

Carrie não sabia o que pensar. Mal podia enxergar. Podia ver Rory em todos os lugares, memórias do amigo indo e vindo feito o vento. Os momentos ao lado dele não foram deixados para trás, independente do quão aterrorizada estava e ansiando por encontrar alguma ajuda. Coberta pelo sangue, não parava de correr por nada, disparando entre as árvores e afastando os arbustos em seu caminho, pela primeira vez não ligando de entrar em contato com alguma hera venenosa ou animal silvestre que habitasse por ali. A dor na mão perfurada era forte, mas não tão forte quanto a dor de ver o amigo morrendo.

A respiração ofegante vinha em conjunto ao choro, em soluços altos e que facilmente chamariam a atenção do inimigo. Pelo menos esperava ter sido deixada em paz, rezando para que o Carrasco não tivesse em mente fazer mais uma vítima naquela noite. E mesmo que indecisa sobre essa ideia, não parava para descansar. Não tinha tempo para isso. Poderia estar correndo perigo, e se não estivesse, tinha de alertar alguém sobre o corpo de Rory... o mesmo que estava morto, deixado abandonado e destroçado naquele trilho.

Não podia se desfazer dele como se não fosse nada. Rory, mais do que ninguém, não merecia ter passado por aquilo. Pelo menos foi rápido, pensou ela numa tentativa desconcertante de tentar achar algo bom no meio daquele caos, um instinto antigo ao se ver rodeada por tantas coisas ruins. Mas ali, era meramente impossível. Repentinamente, as memórias com o amigo tornaram-se mais sombrias, e a única coisa que conseguia enxergar era o sangue lhe arrebatando e os pedaços do corpo voando, completado pelo cadáver esmagado deixado sobre os trilhos, numa poça extensa de sangue, desfigurado.

Morreu sozinho, de certa forma. Carrie não compartilhou de sua agonia, ou de seu sofrimento. O viu morrendo e não ajudou — sequer poderia. Uma investida para tirá-lo daquele trilho e acabariam os dois mortos. Talvez essa fosse a intenção do assassino, imaginou ela. Porém, ele não constou que a garota seria tão egoísta. Não, eu não posso pensar desse jeito!, gritou internamente para si mesma. Não tinha o que fazer, não tinha como ajudá-lo. Presou pela própria vida, o que qualquer ser humano em sã consciência faria. Foi uma vítima, assim como Rory, e jamais desejou que aquilo acontecesse com ele.

Mas precisava focar em sua fuga. Não podia parar ou se distrair. Dessa forma, apressou o passo entre as árvores, escutando o estralar de galhos ao redor. Era impossível dizer se vinham por ação do mascarado, se era o vento, algum animal ou, com sorte, alguém vindo da festa que também decidiu se aventurar pela floresta. Que ideia estúpida, pensava agora. Devia ter impedido Rory de querer sair do galpão, ou então ficado apenas nas proximidades. Por que tiveram que andar tanto? Se afastar tanto? Talvez isso tenha assinado a sentença do amigo, ou talvez, seriam atacados de qualquer jeito. Era impossível saber.

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