Ninguém está livre do passado quando este se resume a um filme de terror.
Um ano se passou desde que terríveis assassinatos abalaram a cidade de Oakfield pela segunda vez. Juntos, os sobreviventes tentavam recuperar a sanidade na Universidade de Wi...
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O joelho ardia e pulsava a todo instante. Linda ficava com a mão o pressionando levemente, tentando amenizar a dor. Expressava caretas enquanto Asher ria, debochando de sua inútil tentativa de fuga. "Apenas se machucou" dizia ele, a cada riso frouxo, mudando o foco entre dirigir e arrumar o cadáver de Connie no banco de trás a cada novo solavanco do carro ou lombada passada. As árvores eram deixadas para trás e, toda vez que uma placa surgia no caminho, eles sabiam que estavam mais próximos. A primeira delas, indicando menos de 60 km de Winchester, tinha passado a mais de dez minutos. Faltavam poucos minutos para atingirem a universidade. O terror se alastrava por Linda.
Não queria voltar. Teve essa certeza desde que entrou forçadamente no carro pela segunda vez. E não tinha meios de fugir. Não arriscaria se jogar de novo. Da última vez não surtiu efeito algum e acabaria apenas se machucando mais ainda. Podia sentir o sangue voltando a eclodir do corte no braço e a ardência nos braços ralados. Tentava não ligar para isso, mas tornava-se meramente impossível. Era a única coisa em sua mente.
— Aprendeu a não ser uma garota burra, Linda? — dizia Asher, com um sorriso no rosto. — Quer que eu te jogue do carro da próxima vez?
Quieta, sem paciência, a sobrevivente manteve os olhos fixos no para-brisas quebrado. O carro que passou por eles antes não voltou a ser visto.
— Por que fez isso, Asher? — tentou arrancar respostas, dando um rumo diferente à conversa, voltando a mirá-lo. — Por que disse que é pela família?
— Você vai descobrir uma hora. Precisamos chegar lá primeiro.
— Você tem algum parentesco com Molly? Ou Julia?
— Shh, shh, shh — murmurou ele, silenciando-se.
Subitamente, uma luminosidade surgiu ao fundo. Prestando mais atenção, Linda constatou se tratar dos portões da faculdade. À esquerda, ladeados de ambos os lados pelas árvores, a estrutura alta e resiliente sobre o chão de terra era como uma porta aberta para o inferno. O logo de Winchester cravado ao lado dele explicitava isso.
— Até que enfim — falou Ash. — Foi uma noite e tanto.
Dando seta para a esquerda, ele manuseou o carro para aquela direção, diminuindo de velocidade. As duas placas de metal, enormes e pesadas, estavam abertas, como deixaram quando saíram de lá, quando ainda estava na companhia de Britt e, não sabendo, acompanhada de dois psicopatas. Aquela fora a escolha mais burra feita em anos, para ela.
Em instantes, ultrapassaram a entrada e as lâmpadas de indicação nos muros de pedra, adentrando uma nova estrada, mais estreita, mas, mesmo assim, larga o suficiente para dois carros passarem um ao lado do outro. Arbustos bem cuidados e grandes árvores de eucalipto acompanhavam a passagem da dupla — e do corpo — dentro do automóvel, que iluminava, em companhia a postes postos a cada dez metros de ambos os lados, com seus faróis fortes o concreto adiante. Ao longe, os prédios eram vistos.