Ninguém está livre do passado quando este se resume a um filme de terror.
Um ano se passou desde que terríveis assassinatos abalaram a cidade de Oakfield pela segunda vez. Juntos, os sobreviventes tentavam recuperar a sanidade na Universidade de Wi...
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O som das viaturas não parava de soar pelo campus deserto. O caos tinha se encerrado, momentaneamente, e até onde sabiam. O cheiro de queimado predominava no ar, e os bombeiros se apressavam sobre as enormes escadas que se erguiam dos caminhões espalhados, tentando ao máximo encerrar o incêndio que acometia o prédio dos dormitórios.
O falatório também era insistente. Cada pessoa, seja policial, bombeiro ou enfermeiro, não escondia a expressão de choque envolto pelo receio. Jamais teriam pensado que algo daquela proporção acontecia a menos de 10km de onde estavam. Os agentes do FBI interrogavam as poucas testemunhas, que àquele momento, eram os primeiros policias que apareceram em Winchester para atender a ocorrência. Até então, nenhum sobrevivente tinha sido encontrado, e a esperança aos poucos se apagava no peito de cada um, conforme outros oficiais permaneciam nas buscas dentro do edifício.
Era levemente impossível fazer uma boa varredura da situação. Uma equipe grande tirava os corpos pendurados da varanda da Reitora, do outro lado do enorme gramado. Um deles tinha caído após a corda ter arrebentado e, com a ajuda de uma grande pá, eles davam o máximo para juntar os pedaços que explodiram ao encontro com o solo. O gramado em si estava coberto de sangue. Poças enormes se formavam, principalmente aos pés das árvores. Além disso, a fumaça se erguia do prédio em chamas, escondendo a lua e trazendo uma tenebrosidade ainda maior para o cenário.
— Onde nós estávamos enquanto tudo isso acontecia? — comentou um rapaz fardado, aproximando-se de seu colega de serviço, parado do outro lado da calçada, olhando para cima, na direção das chamas que se erguiam e balançavam através das janelas.
— Era para esse lugar estar vazio — respondeu ele.
— É, pelo jeito não estava.
— Isso é culpa do FBI. Eles decidiram tirar o caso das nossas mãos.
— Nancy não ajudou nenhum pouco nessa decisão — debochou o outro.
— Deixe a maldita xerife descansar em paz, palerma.
Ficando quieto, o mais jovem desviou os olhos para o corpo de Connie, antes encostado na parede da construção e agora sendo colocado dentro de um saco preto. O cadáver de Asher tinha sido o primeiro a ser removido, deixando para trás apenas o sangue no asfalto.
— Ei, olhe lá. — O policial a observar o caos apontou para a porta do prédio.
Lá, uma movimentação diferente se formava. Enfermeiros e policiais corriam para dentro, conforme uma gritaria se dava, vinda do interior.
— O que está acontecendo? — questionou o jovem oficial.
Em conjunto, trataram de correr até lá, até a voz de um superior ser ouvida:
— Encontramos alguém! — dizia ele. — Graças a Deus, tem uma pessoa viva!