Quando cheguei à Cabello na segunda pela manhã, já estava me sentindo completamente revigorada, passar o final de semana na cama, sendo paparicada pelo meu namorado, operou verdadeiras maravilhas. Infelizmente, toda a paz que eu estava sentindo se foi quando Sandra avisou que Miguel havia ligado dizendo que se eu não atendesse na próxima vez, ele iria até lá. Eu estava ignorando suas ligações e mensagens, mas pelo visto, ele não havia desistido. Como não tinha estômago para encará-lo depois de todas as coisas que descobri, decidi que se ele ligasse novamente iria atender, para deixar claro que não o queria me rondando. A primeira coisa que fiz quando entrei em minha sala foi cancelar meu curso de culinária. Se continuasse minhas aulas, acabaria me encontrando com Fernanda e ainda teria que aturar sua cara sonsa e dissimulada, então achei melhor desistir e fazer em outro momento. Shawn concordou e me deu a ideia de procurar outro lugar, mas preferi não mexer com isso por enquanto, depois do que aquela bruxa fez, era primordial que ela sumisse de nossas vidas e só depois disso é que eu pensaria em fazer qualquer coisa. Perto das 10h, meu ex ligou novamente e dessa vez Sandra transferiu.
— Bom dia, Miguel — falei de forma polida.
— Até que enfim você atendeu.
— Seja breve, estou com o dia bem cheio hoje — dei um corte para que ele entendesse que as coisas não tinham mudado.
— Podemos nos ver? Você terminou tudo por telefone e...
— Miguel, vou ser curta e grossa. Eu te vi numa farmácia acompanhado por duas mulheres. Sei também que continuou frequentando clubes de swing enquanto estava comigo, sem contar as mentiras que inventou ao meu pai para conseguir a sociedade. Baseada nisso, acho que fui educada até demais ao terminar por telefone. Silêncio.
— Ei, não precisa ser assim, já estou dando um jeito na situação das empresas, as garotas da farmácia eram minhas amigas e o clube de swing, eu não sei, mas certamente deve ser alguém parecido comigo, não frequento esses lugares. Miguel e Fernanda deveriam se conhecer, nunca vi duas pessoas tão dissimuladas.
— Tudo bem, mas eu não quero mais. Na verdade, já estou conhecendo outra pessoa, então, pare de ligar. Ele deu uma risada debochada.
— Isso não é totalmente verdade, não é mesmo, Camila, já que deve conhecer a cama de Shawn Mendes há bastante tempo. Fiquei sem palavras por alguns segundos. Como ele sabia?
— Não fale besteiras.
— Eu os vi em um restaurante e só um cego não percebe que há alguma coisa entre vocês. Vai mesmo me trocar por aquele coroa? O sangue ferveu em minhas veias de raiva e confusão, como ele sabia sobre o Shawn? E como ousava chamá-lo de coroa. Respirei muito fundo para me acalmar, não queria entrar em uma discussão com aquele idiota.
— Escute, nós não chegamos a ter nada sério, então, pare de ligar ou tomarei medidas judiciais. Desliguei na cara dele e desabei em minha cadeira. Até Miguel já sabia do meu caso com Shawn e meu pai ainda não. Isso me deixou preocupada. A qualquer momento alguém poderia cometer uma indiscrição e as coisas poderiam sair de controle. Papai ficaria chateado se soubesse de algo assim através de terceiros, além disso, uma notícia dada da forma errada, certamente, o desestabilizaria e como o médico disse, ele não podia viver fortes emoções. Fortes emoções. Minha vida estava baseada nisso ultimamente e eu não aguentava mais me esconder ou me sentir ameaçada pelos outros. Tomada de coragem e sem pensar direito, saí da minha sala e fui até o escritório de papai, mas assim que entrei, vi Sandra ao seu lado, medindo sua pressão.
— O que foi, papai?
— Nada de mais, apenas sua mãe que colocou Sandra para me monitorar na empresa. Agora eu tenho duas pessoas me vigiando. Respirei aliviada por saber que ele não estava passando mal, mas só de vê-lo com aquele aparelho no braço minha coragem foi para o espaço.
— Duas, não, três — falei, sorrindo.
— Você também, filha? Achei que tivesse ao menos uma aliada.
— Não se isso o fizer ficar doente.
— Sei, sei. Mas você precisa de alguma coisa?
— Nada importante, só vim roubar uma xícara de café — menti. Nessa hora, Sandra saiu, dizendo que a pressão estava boa e papai ajeitou a manga da camisa, indo ao local onde a secretária guardava o bule e a louça e nos serviu.
— Obrigada — falei quando recebi minha xícara.
— Estou te achando meio abatida, querida, está tudo bem? Ninguém melhor que nossos pais para saber ler nossas expressões.
— Sim, mas estou preocupada com o senhor, não acha que está na hora de pisar no freio? Ele fez que não com a cabeça.
— Se ficar em casa, vou morrer mais rápido. Balancei a cabeça e sorri.
— O senhor tem muita grana, não precisaria exatamente ficar em casa, poderia viajar com a mamãe, vocês nunca fazem nada.
— E ela vivia reclamando disso, chegando a até ameaçar que viajaria sozinha, coisa que jamais iria acontecer.
— Só vou me aposentar quando você se casar, e de preferência com um homem que entenda sobre o ramo da construção, para poder te ajudar em tudo. Quase cuspi o café que havia acabado de colocar na boca. Sem saber, o Sr. Alejandro estava tendo uma premonição, seu genro, com certeza, entendia tudo sobre o assunto.
— Vou me esforçar para encontrar esse príncipe da construção, papai.
— Talvez já tenha encontrado, não é mesmo, filha — ele disse, sorrindo, depois deu um tapinha nas minhas costas e foi atender o telefone celular que havia começado a tocar. Fiquei paralisada com seu comentário. Tirando seu sócio, não mantinha contato direto com ninguém no ramo da construção, a não ser os funcionários da empresa com os quais não tinha qualquer intimidade. Será que ele já sabia sobre Shawn e estava me dando uma indireta? O comentário de papai me deu uma enorme injeção de ânimo. Talvez as coisas estivessem melhores do que pensávamos. Terminei meu café, mandei um beijo para ele, que ainda falava ao telefone, e fui direto para o escritório de Shawn, precisava saber o que ele acharia daquilo.
— Seu pai disse isso? —ele questionou quando terminei de narrar nossa conversa.
— Disse e me deixou completamente confusa, acha que foi uma indireta?
— Vai saber... Mas eu andei pensando e achei que o aniversário dele seria uma ótima oportunidade para falarmos sobre nosso namoro, ele já está tomando os remédios há um bom tempo e, além disso, estará feliz por ter os amigos todos reunidos. O que acha?
— Acho uma ótima ideia, ainda mais com esse comentário. De qualquer forma, podemos falar mais para o final da festa, assim, se ele não gostar, não estragamos completamente seu aniversário — sugeri.
— Concordo. Vamos fazer isso então. Assenti, dando a conversa por encerrada, mas em vez de sair, tranquei a porta de comunicação, depois fui até a porta principal de sua sala e a tranquei também. Shawn acompanhou meus movimentos, cravando os olhos nos meus quando parei ao seu lado, de um jeito bem sugestivo. Quando afastou um pouco as pernas, foi possível ver que seu pau gostoso já estava marcando a calça.
— Ai... — gemi quando ele apertou minha coxa por trás e me puxou para seu colo.
— Não sei se aguento até a noite, estou com muita saudade de te sentir — falou, já abaixando a alça do meu vestido e sugando um seio.
— Que delícia, Shawn. Ele continuou sugando e alisando a pele lisa das minhas coxas, suas mãos subiam e desciam, deixando-me quente e excitada como de costume, era uma delícia estar entregue a ele. Subitamente, Shawn se levantou e me colocou de frente para a mesa e, em seguida, ouvi o barulho de seu cinto sendo aberto e do zíper de sua calça descendo, enquanto a saia do vestido subia.
— Você é maluco.
— Isso vai ser rápido — garantiu, afastando minha calcinha para o lado e me penetrando. Arqueei o corpo, mantendo os seios pressionados contra o tampo gelado da mesa e mordi o lábio, enquanto ele investia dentro de mim.
— Estou quase gozando... — ele avisou, vários minutos depois, a voz completamente enrouquecida.
— Eu também — afirmei e empurrei a bunda de encontro ao seu pau, tapando minha boca para não soltar o grito de puro prazer que estava preso em minha garganta quando comecei a gozar. Nessa hora, Shawn segurou firme na minha cintura e começou a meter mais rápido e fundo, gozando logo em seguida. Ele chegou a descansar o tronco contra as minhas costas, mas logo se lembrou de que estávamos na empresa e saiu rapidamente de dentro de mim.
— Porra! Você me faz perder a cabeça — ele disse indo até o banheiro para se recompor. Segui-o até lá e também me limpei do jeito que deu. Então peguei um spray aromático que havia ali e borrifei pela sala dele, para que ninguém notasse o cheiro de sexo que pairava pelo ar, enquanto Shawn abria as janelas. Antes que eu pudesse chegar à porta de comunicação, ele me puxou e tomou meus lábios em um beijo apaixonado.
— Até mais tarde — ele disse, destrancando a porta e abrindo- a para que eu passasse. Sorri e confirmei com a cabeça. Nos dias que seguiram, foi como se aquela nossa primeira briga séria nunca tivesse acontecido. As coisas voltaram ao normal e atribuí aquela tranquilidade ao fato de termos nos mantido bem longe de Fernanda. Devido ao clima de paz que nos rondava, consegui me dedicar completamente a Shawn e à festa do meu pai. Contratei uma empresa especializada em churrasco para cuidar de tudo no dia, não queria que mamãe ficasse preocupada com a comida e acabasse esquecendo de se divertir. Além disso, Davi me indicou uma dupla sertaneja que tinha um repertorio mais antigo, exatamente como papai gostava. Cheguei a cogitar a possibilidade de contratar o serviço de bar de Rebeca, mas depois pensei melhor e decidi que não queria correr o risco de topar com Rodrigo no dia da festa, tinha ficado com o pé atrás desde o dia em que o vi naquele barzinho com a Fernanda. Por causa disso, pedi que Shawn fosse comigo à distribuidora que Davi indicou e ajudasse a escolher as bebidas, assim como as quantidades certas para o número de pessoas, que, na verdade, estava bem restrito, apenas família e amigos bem próximos. Na sexta-feira à noite, fiquei até tarde no salão de festas organizando tudo e verificando se não estava faltando nada, não queria ter surpresas no dia seguinte.
— Chega de trabalhar por hoje, dona Camila — ouvi a voz de Shawn atrás de mim. Ao me virar, encontrei-o encostado na porta do salão, despojado e despreocupado.
— Eu já estava indo embora, estou morrendo de fome.
— Então vamos comer alguma coisa. Assenti e fui fechar as portas que davam acesso ao deck, enquanto Shawn cuidava do resto.
— O que quer comer? —ele perguntou quando estávamos dentro de seu carro.
— Um sanduiche ou cachorro quente, sei lá, algo bem gorduroso. Ele franziu o cenho diante do meu pedido, pois eu dificilmente comia esse tipo de coisa.
— Está doente? — ele brincou.
— Não. Só com muita fome mesmo, uma salada não vai me saciar.
Shawn foi ao Mc Donald’s, mas em vez de entrar na lanchonete, optamos pelo Drive Thru, onde ambos pedimos McNífico Bacon, com batata frita e Coca-Cola. Estávamos esperando nosso pedido ser preparado, quando reconheci o motorista do carro logo atrás do nosso: era Rodrigo e para minha total surpresa, Fernanda estava com ele e ainda por cima, com uma garrafinha de cerveja na mão. Obrigada por esse momento, meu Deus. A justiça tarda, mas nunca falha! Shawn estava distraído mexendo no celular e nem se deu conta do que estava acontecendo a sua volta, então, resolvi dar uma ajudinha:
— Não é a Fernanda no carro de trás? Shawn encarou o retrovisor e depois se virou para ter certeza de que não estava tendo uma alucinação.
— Aquele é o Rodrigo? — Foi a primeira coisa que disse, até se dar conta do que ela tinha na mão. — Ela está bebendo cerveja? — perguntou, sem acreditar no que seus olhos viam.
— Parece que sim, né? — ironizei, cruzando os braços em frente ao peito, como quem diz: eu não te falei?
— Juro que só estou acreditando porque a cena está acontecendo na minha frente — ele comentou, meio sem graça.
— Pois é. Ela me disse naquele dia, que depois do acidente muitas coisas mudaram em sua vida e que beber uma cerveja não iria matá-la. Depois que fiz o comentário, me arrependi. Shawn poderia achar que Fernanda estava mudando em todos os sentidos. Além disso, ele nunca a tinha visto com outro homem e isso poderia abalar seu emocional. Depois disse a mim mesma para deixar de ser insegura, Shawn estava comigo e agora saberia que aquela vaca não era essa santa que todos pintavam. Tinha certeza de que na próxima vez, ele ficaria do meu lado.
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