Capitulo 9

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— Nós vamos, não é? — Rafa perguntou assim que entramos em casa.
— Estou pensando — respondi, apoiando-me nela para tirar as sandálias. Se eu já estava indecisa antes, após aquele momento tenso com Shawn, a probabilidade de ir para à fazenda na virada do ano, estava cada vez menor. O grande problema nisso tudo seria como explicar minha recusa ao meu pai, ele não entenderia o porquê de preferir passar o Réveillon sozinha, depois de tanto tempo longe da família, na qual ele incluía Karen e Shawn. Além disso, agora havia a Rafa. Apesar de ser super compreensiva, eu tinha certeza de que não aceitaria muito bem a minha recusa. Ela estava bastante interessada no Davi e mal conseguia disfarçar seu encantamento, de forma que achei melhor encerrar a noite antes que a minha amiga se jogasse em cima dele e estragasse todas as suas chances.
— Não sei se gosto dessa sua versão sensata — ela brincou.
— Pois comece a gostar, essa versão pode te ajudar com o Davi. Sabe o que a antiga Camila faria? Iria propor que sequestrássemos os dois. Rafa parou no meio da sala e começou a gargalhar. Revirei os olhos e fui em direção a escada, seguida por ela. Assim que entramos no meu quarto, já começamos a nos preparar para dormir. Ainda estava cedo, mas o sol da tarde misturado à cerveja que tomamos, tinham tirado as nossas energias.
— Você está em uma ótima fase — falou, otimista, quando terminou de escovar os dentes. — Acabou de voltar dos Estados Unidos, está morando sozinha nessa puta casa e agora é vizinha de porta de Shawn, não tem como as coisas darem errado
— Exceto que a namorada dele, com certeza, vai querer passar a virada de ano com ele — lembrei a ela enquanto colocava meu pijama, não poderia dormir nua com Rafaela ao meu lado.
— Eu tinha me esquecido disso — admitiu, com uma careta enquanto se deitava na minha cama.
— Mas é inegável que ele está atraído por você. Mesmo meio hipnotizada pelo Davi, percebi a forma como ele estava te encarando. Era tão intenso que eu não entendo como você não derreteu. Ah, se ela soubesse! Estremeci um pouco por dentro ao me lembrar daquele momento tenso. Eu não pretendia contar sobre aquilo, se ficasse sabendo, Rafa começaria a fantasiar todo tipo de coisa e acabaria me contagiando e isso apenas me deixaria mais confusa.
— Pense pelo lado positivo — ela bocejou antes de continuar: — você tem dez dias para deixar Shawn louco, quem sabe ele não termina com a Fernanda até lá. Hum, é uma boa ideia, pensei ao me deitar do outro lado da cama. Eu estava com todas as cartas na mesa, só tinha que analisar muito bem as jogadas que iria fazer. No dia seguinte, eu e Rafa ficamos deitadas até nossos estômagos começarem a roncar de fome. Como ainda eram 11h da manhã, tomamos um café reforçado para não termos que nos preocupar com o almoço e meia hora depois fomos para a academia e malhamos por mais de uma hora. No meio da tarde, resolvemos pegar sol novamente e depois da primeira hora em que Rafa falou sem parar sobre o Davi, ficamos em um silêncio preguiçoso, o que me deu a chance de avaliar meus sentimentos. A primeira coisa a fazer era admitir que, por mais que tenha me enganado enquanto estive longe, na hora em que reencontrei Shawn, tudo o que eu sentia voltou com força total. Eu o amava intensamente. Mas, apesar de ainda amá-lo, não havia mais aquele desespero; como adulta, meu amor era profundo, mas sereno e compreensivo. Se eu me conformasse com o fato de que ele era um homem comprometido e me dispusesse a esquecê-lo, tinha certeza de que sofreria, mas não seria tão desesperador quanto foi nos meus primeiros meses em Boston. E era exatamente isso que eu faria se tivesse certeza de que Shawn amava a Fernanda e que eu não teria qualquer chance. Sairia derrotada, mas de cabeça erguida. O problema era que, por tudo o que escutara nesses últimos dias de pessoas diferentes, ele não amava a namorada, e pior, não estava feliz. Além disso, demonstrava estar profundamente interessado em mim. Diante disso, tudo o que me restava fazer era lutar por ele, mas não como a garotinha inocente ou a adolescente impulsiva, mas como a mulher que havia aprendido a controlar suas emoções, a entender melhor a cabeça dos homens e a usar o que possuía de melhor a seu favor. Iria lutar com as armas que tinha, sem forçar a barra, para fazê-lo perceber que eu era exatamente o que ele precisava, que, inconscientemente, ele estava esperando que eu crescesse para que pudesse, enfim, ser completo. Se no final, isso não acontecer e ele ainda preferir ficar com ela, eu farei o que se espera: desejarei que ele seja feliz e procurarei, em outro lugar, a minha própria felicidade. Definir aquelas metas me deixou um pouco mais leve, pois eu faria a minha parte, mas se ele não me enxergasse, não enfrentasse qualquer barreira para estar comigo, significaria que ele nunca foi digno de mim. Essa minha nova versão, merecia amor incondicional, atenção e cuidado especial, e eu não aceitaria nada menos do que isso. Feliz com minha decisão, levantei-me da espreguiçadeira e caí na piscina, iria nadar um pouco antes de entrar. Naquela noite eu e Rafa ficamos até tarde vendo TV, comendo pipoca e tomando sorvete. Quando deu 9h, virei-me para ela e falei:
— Acho melhor dormirmos cedo, amanhã precisamos ir atrás dos vestidos que usaremos na virada do ano, na fazenda de Shawn. Rafa ficou olhando para mim por alguns segundos, até que sua ficha caiu e ela começou a pular em cima do sofá, feito uma criança, me fazendo rir de sua empolgação.
— Mas dependendo do que aconteça, você vai ter que me ajudar com o papai, não quero que ele veja alguma coisa e fique chateado — falei quando ela voltou a se sentar. Rafa revirou os olhos e se levantou, me puxando para ficar de pé.
— Eu ainda tenho minhas dúvidas sobre seu pai. Não sei se ele é lerdo daquele jeito mesmo, ou se faz. Mas pode contar comigo, você sabe. Estávamos rindo e traçando planos enquanto subíamos para o quarto. Quando fomos nos deitar, parecíamos duas adolescentes suspirando pelos amores de nossas vidas. No dia seguinte, fui acordada por uma Rafaela ansiosa e tagarela. Ela já estava planejando sua maquiagem e penteado e foi impossível não me contagiar com seu entusiasmo. Saímos de casa pouco depois das 10h da manhã e fomos a uma boutique onde tanto a minha mãe como a dela costumavam comprar vestidos de festa. Depois de quase uma hora experimentando roupas, ambas encontramos o vestido perfeito. Após deixarmos a loja, cada uma seguiu seu caminho, Rafa foi para casa, afinal, já tinha dois dias que não aparecia e eu fui ajudar a minha mãe com os preparativos para a ceia do Natal, que aconteceria dali a dois dias. Nessa data nós nos juntávamos à nossa família, e Shawn, à dele, mas depois da meia-noite, sempre aparecia na nossa casa e, geralmente, ele e Karen almoçavam conosco no outro dia. Não cheguei a perguntar a ninguém como tinha sido nos Natais anteriores, afinal, Shawn nunca havia namorado sério com ninguém, mas imaginei que ele tivesse ficado com Fernanda. Falei para mim mesma que, talvez, ele não aparecesse naquele ano, e que era melhor eu já me acostumar com essa ideia, para não ficar sofrendo depois.
— Não vai enfeitar a casa, Camila? — mamãe quis saber enquanto separava os enfeites que decorariam as mesas e aparadores na noite de Natal.
— Deixa para o ano que vem, não dá mais tempo.
— E como estão as coisas na casa nova?
Tinha certeza de que dona Elise queria mesmo era saber sobre Shawn, se eu o tinha visto, como ele tinha reagido, ou qualquer coisa que pudesse contar, mas depois dos últimos cortes que eu dei, devia estar receosa em tocar no assunto.
— Estão ótimas, Maria me ajudou a organizar tudo e vai dar faxina uma vez por semana. Agora só preciso ir ao mercado para abastecer a geladeira.
— Que bom, filha, quando estiver tudo pronto, tem que fazer um jantarzinho para inaugurar — ela sugeriu assim que tirou a prataria do armário. Se decidisse fazer esse tal jantar, meus pais, Rafa, Shawn e Karen seriam meus convidados, além dos parentes que também viviam na cidade. Talvez, pelaquantidade de pessoas, fosse melhor fazer uma festa. Mas isso era algo para pensar em outro momento.
— Boa ideia, vamos fazer alguma coisa, sim. Mas deixa para o ano que vem, já vamos ter muitos encontros nos próximos dias. Ela concordou com a cabeça, mas percebi que estava bem inquieta e resolvi ajudar.
— Desembucha, mãe. Ela me olhou de um jeito engraçado, largou os talheres na mesa e se sentou na primeira cadeira que viu.
— Fernanda ligou para Karen querendo saber sobre o jantar de Natal.
— É natural, afinal ela é namorada dele, mamãe — enfatizei, pois parecia que elas às vezes se esqueciam disso.
— Eu sei e, numa situação normal, eu nunca falaria isso, mas quando é que você vai colocá-la para correr.
— Mãe! — a repreendi, mas não pude deixar de rir de suas palavras.
— Depois de tudo o que eu e Karen
dissemos — ela continuou —, achei que você fosse tomar uma atitude.
Karen estava contando que no Natal ele já tivesse terminado com ela, e de preferência já estar com você. Ao finalizar, mamãe franziu o cenho e começou a me analisar com mais atenção.
— O quê? — perguntei.
— Você disse que não era mais a mesma e agora eu estava pensando que isso pode ser mesmo verdade e nós é que ainda estamos te vendo como aquela garota de cinco anos atrás, não como a mulher que se tornou. É isso mesmo, você não ama mais o Shawn? Sentei-me na cadeira ao lado dela e respondi, sincera:
— Eu acho que agora o amo mais do que antes.
— Mas então porque parece tão indiferente.
— Porque como a senhora mesma falou, eu mudei. Não quero migalhas, não quero que ele termine com ela e fique comigo porque forcei a barra. Shawn não é bobo e já deve ter percebido que eu ainda gosto dele, se ainda assim quiser ficar com ela, não há nada que eu possa fazer.
— Quem é você e o que fizeram com a minha filha? Ri novamente.
— Mãe, que eu me lembre, você sempre foi tolerante, mas nunca a favor da minha paixão por Shawn.
— Isso porque você era apenas uma adolescente desmiolada e eu achava que tudo aquilo que dizia sentir, iria passar. Mas, como você mesma acabou de confirmar, isso não aconteceu, então eu quero que você seja feliz. E não consigo imaginar ninguém melhor para ser o meu genro. Ouvir aquilo aqueceu meu coração e apenas atestou a decisão que tomei ontem.
— Ótimo, porque não forçar a barra não significa que vou ficar esperando por ele passivamente. Como a Rafa mesma falou, quem não é visto, não é lembrado, e eu vou fazer de tudo para que Shawn me veja muito de hoje em diante.
Mamãe me encarou de olhos arregalados e depois caiu na gargalhada, provavelmente já imaginando o que eu iria aprontar. A noite de Natal foi maravilhosa. Não tinha percebido o quanto havia sentido falta do aconchego familiar até aquele momento. A ceia estava divina e, como sempre, eu comi demais. No decorrer da noite, vários parentes aproveitaram para me perguntar tudo sobre Boston e os lugares que eu e meus pais visitamos nos últimos anos. Era meio cansativo repetir tudo uma e outra vez, mas eu estava feliz. Como já imaginava, Shawn não apareceu depois da meia-noite, mas tanto ele quanto Karen foram almoçar conosco no dia seguinte. Não pude deixar de notar o quanto ele parecia distante; alguma coisa havia acontecido e meu instinto me dizia que tinha a ver com a Fernanda. Minhas suspeitas se confirmaram quando Karen me seguiu até o andar superior, logo depois do almoço. Eu tinha ido escovar os dentes no meu antigo quarto e a encontrei sentada na cama, assim que saí do banheiro. Na mesma hora imaginei que ela tinha ido me falar sobre o motivo da cara feia de Shawn.
— Karen, aconteceu alguma coisa? — perguntei, para não parecer ansiosa.
— Eles brigaram — soltou, sabendo que eu entenderia. Na mesma hora senti meu coração disparar e fui me sentar ao lado dela.
— Você sabe o que houve?
— Infelizmente, não. Por mais que tenha perguntado, ele não me falou, só pediu que eu lhe desse um tempo, porque não estava a fim de brigar com ninguém hoje de novo.
— Quer dizer que eles se viram ontem.
— Sim. Este ano nós nos reunimos na casa da Rosana, minha prima. Por volta das 22h, os dois chegaram, ficaram conosco por pouco mais de uma hora e depois foram para a casa dela, onde participariam da ceia de Natal. Acredito que a briga tenha acontecido enquanto ele ainda estava lá, porque voltou para casa sozinho e nesta manhã, estava com um humor dos infernos.
— Eu percebi que algo tinha acontecido assim que o vi.
— É, Shawn não consegue disfarçar. Mas acredito que o humor dele tenha piorado, quando seu telefone começou a tocar insistentemente por volta das 7h da manhã. Logo depois eu percebi que ele estava discutindo com alguém; apesar de não gritar, sua voz soava muito exasperada. Então ele ficou em silêncio, indicando que a conversa havia terminado, mas logo depois o telefone voltou a tocar e eu o escutei falar o nome dela de forma exaltada. Infelizmente não deu para saber sobre o que discutiam, por mais curiosa que estivesse, eu nunca ficaria atrás da porta dele, ouvindo suas conversas.
— Claro — falei, sabendo o quanto ela era íntegra.
— Eu vim te contar tudo isso, porque essa é a sua chance, querida. Aproxime-se dele, antes que ela volte a rondar e ele acabe cedendo.
— Mas Karen, nós nem sabemos se eles terminaram ou não, pode ser apenas uma briga — ponderei.
— Uma briga séria, Camila. Olha, meu filho não ama essa moça, isso eu te garanto, mas ele se acostumou com ela e talvez até mesmo a pedisse em casamento, por comodidade, pena, culpa, mas não por amor e eu não quero isso para ele. Sabe o que eu quero para Shawn? — perguntou e eu neguei com a cabeça. — Quero vê-lo sempre com o mesmo entusiasmo que estava quando me ligou pedindo que eu te chamasse para ir à fazenda. Com o mesmo brilho nos olhos de quando me disse o quanto você estava linda e o mesmo olhar de desejo de quando te olhava, achando que ninguém estava vendo. No final do seu relato eu já estava com os olhos marejados e sequer fiquei com vergonha do último comentário dela.
— Eu quis que soubesse o que havia acontecido, porque sei que você ama o meu filho e eu não consigo imaginar ninguém melhor para ser minha nora e mãe dos meus netos. Naquela hora eu já chorava abertamente, emocionada pelas palavras doces. Karen me puxou para seus braços e afagou meus cabelos até eu me acalmar.
— Pronto, pronto — falou, enxugando os últimos resquícios de lágrimas do meu rosto. Depois pegou minha mão e me olhou com ternura.
— Pense com carinho em tudo que lhe disse, mas antes de qualquer coisa, lembre-se de não se rebaixar, nunca. Não faça nada por obrigação ou por medo, mas por desejo, por vontade própria, para não se arrepender depois.
— Eu nunca me arrependeria de nada que compartilhasse com Shaw .
— Meu filho não é nenhum santo, Camila. Eu sei que ele nunca te magoaria de propósito, mas isso não faz dele um homem perfeito. Não o coloque em um pedestal, porque uma hora ele pode cair de lá. Eu sei que você se acostumou a vê-lo como uma espécie de príncipe encantado, mas Shawn tem defeitos, assim como você e eu. Prometa que vai se lembrar disso para não se frustrar, mas principalmente, para não o culpar, caso ele não consiga superar expectativas que estavam apenas na sua cabeça. Ouvir tudo aquilo me fez perceber que era exatamente daquela forma que eu o via. Mas Karen estava certa, ninguém era perfeito, nem mesmo o homem que eu amava.
— Tudo bem, eu prometo — falei, convicta. — Agora eu vou descer.
Aproveitei que Shawn tinha ido para o escritório com seu pai, mas ele já deve ter saído e se vir que eu estou sumida há muito tempo, vai desconfiar. Levantamo-nos juntas e nos abraçamos rapidamente antes de ela sair do meu quarto, fechando a porta atrás de si. Fiquei por uns quinze minutos deitada na minha antiga cama, pensando em tudo o que tinha ouvido, antes de descer e voltar a interagir com os convidados.
— Seu homem está tão mal-humorado, que nem esse seu decote o animou. O que será que aconteceu? — Rafaela falou baixinho no meu ouvido. Estávamos na área externa, sentadas no sofá colmeia que ficava embaixo da copa de uma árvore que gerava uma sombra enorme. De lá, dava para ver todos os movimentos de Shawn, que conversava com o meu pai e um outro homem perto da churrasqueira.
— Karen me falou que ontem, ele e a Fernanda tiveram uma briga séria — abri o jogo com a Rafa.
— Ah, meu Deus, eu não te disse que você estava numa ótima fase! — ela falou, batendo palminhas.
— Hoje de manhã ela ligou algumas vezes e eles discutiram novamente. Karen disse que ele ficou muito alterado.
— Odeio mulher que não sabe perder — confessou Rafa, com uma careta.
— Imagino que deve estar sendo difícil para ambos, eles ficaram cinco anos juntos, é muito tempo.
— Pelo amor de Deus, Camila, tira essa máscara de mulher compreensiva e começa amaldiçoar essa vaca da Fernanda. Soltei uma gargalhada tão escandalosa, que as pessoas à nossa volta pararam de conversar para observar o meu mico.
— Desculpa, gente — falei bem alto para que todo mundo ouvisse e me voltei para Rafa. — Amiga eu sei que você torce por mim, mas aprendi que não adianta correr atrás dele, pelo menos não da forma como eu fazia antes. No entanto, se ele der o primeiro passo, eu não vou dispensá-lo. Eu e Rafa continuamos conversando sobre nossos homens. Ela estava ansiosa pelo dia 31, assim como eu, já que depois daquela novidade, estava enxergando a minha virada de ano sob uma nova perspectiva, muito mais auspiciosa. Por volta das 3h da tarde, Karen e Shawn se aproximaram de nós para se despedir. Ela queria voltar para a fazenda, então, preferia pegar a estrada mais cedo. Ele continuava com a cara péssima, mas foi educado como sempre. Eles já tinham se virado para ir embora, quando Karen parou e se voltou para nós.
— Ah, meninas, não se esqueçam que daqui a uma semana teremos a nossa festa de Réveillon. Eu espero contar com a presença de vocês — falou, os olhos faceiros direcionados a mim. Ao ouvir o comentário da mãe, Shawn também se virou para me olhar.
— Será um prazer, Karen — afirmei e quando relanceei o olhar para Shawn, sua expressão estava mais suave, os olhos emitindo um brilho que eu não tinha visto ainda naquele
dia.
— Ótimo, tentem chegar mais cedo. Até lá.
— Até —  e Rafa falamos juntas e com isso eles voltaram a caminhar em direção a saída.
— Já vai, filha? — papai perguntou quando apareci ao lado dele com minha bolsa na mão. Era quase final de tarde e todos os convidados já tinham ido embora restando apenas Rafaela e eu.
— Vou sim, pai, a Rafa tem que ir para casa e eu quero dormir um pouco. Ele me deu um beijo e subiu para o seu quarto, já minha mãe olhava para mim com a ansiedade estampada no rosto.
— O que foi, mãe?
— O que foi — repetiu, exasperada.
— Agora que não tem mais Fernanda, o que você vai fazer? Meu Deus, mamãe parece mais ansiosa do que eu.
— Exatamente o que te falei, fazer o possível para ser vista — garanti. Nós duas rimos, então ela me abraçou, desejou boa sorte e eu fui embora.

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