Recuperando
A vida está deveras agitada na capital do Império. Na delegacia, o senhor Samuel está furioso em sua cela, que, para sua desgraça, é parede meia com a de Serafim, que não o deixa em paz.
Na Santa Casa de Misericórdia, doutor Carter está inconsolável com as honrarias que a diretoria tem concedido às doutoras Aurélia e Letícia, que foram chamadas e elogiadas pela cúpula de diretores. Como foi dito, os folhetins e jornais estampam em suas páginas os procedimentos realizados com sucesso pelas doutoras Aurélia e Letícia, pontuando sempre a transfusão de sangue bem-sucedida.
No escritório, todos os advogados lutam para granjear o máximo de provas possíveis, para que, com isso, o senhor Samuel receba o castigo merecido por seus crimes.
Dona Beatriz recebe um bilhete em seu hotel:
"Senhora Beatriz Albuquerque, infelizmente não poderei defender seu marido. Peço que venha até o escritório para rescindirmos o contrato. Cordialmente, Damasceno."
- O que será que houve? - pensa Beatriz.
A tarde está caindo, mesmo assim ela pega um coche de aluguel e vai até o escritório de seu advogado.
- Boa tarde. Recebi um bilhete e gostaria de saber o motivo do tal?
- Senhora Beatriz, boa tarde. Fui até a delegacia e, somente chegando lá, pude perceber que não posso defender seu marido. Nosso escritório será a parte da acusação.
- Samuel será acusado? Você pode me dizer os reais motivos?
- A senhora deve estar ciente dos crimes que seu marido cometeu.
- Ele matou o Leôncio?
- Desculpe-me a falta de modos. Por favor, sente-se, senhora.
- Obrigada!
- Na verdade, o senhor Leôncio está vivo.
- Graças a Deus! - diz Beatriz ao ouvir o relato.
- Não por falta de tentativas da parte de seu marido... Deixe-me explicar. A ação foi impedida. Todavia, seu marido veio pessoalmente tentar terminar o serviço.
- Samuel é louco, não tem nada que possa dissuadi-lo quando ele coloca algo na cabeça - diz Beatriz, meneando a cabeça.
- Pois é, ele foi preso e o senhor Leôncio nos contou que seu marido matou os três filhos dele e, é por isso que nós, advogados deste escritório, os acusaremos no júri.
- Leôncio está bem? E a esposa dele, Ayana? Vocês sabem dela?.
- Sim! Ela foi encontrada e está bem.
- Graças a Deus! Ela foi minha mucama e ama de leite das minhas filhas. Eu prezo muito a amizade dela. Você sabe onde posso encontrá-la?.
- Dona Beatriz, posso perguntar a ela se quer falar com a senhora.
- Muito bem. Sei que não confiam em mim. Pergunte a ela e dê o meu endereço, por favor!.
- Claro! Farei isso com prazer. Vou lhe devolver a entrada que a senhora me deu e ficaremos em acordo.
- Agradeço! Você pode me indicar um bom advogado?.
- Bem, não seria ético, porém digo que converse com algum do escritório aí em frente e, se bem lhe aprouver, pode contratá-lo.
- Agradeço!.
E assim, dona Beatriz procurou outro advogado para defender seu marido.
Santa Casa de Misericórdia
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Espinhos da Liberdade
Ficção GeralApós a abolição da escravidão, muitos escravos libertos se viram sem rumo, sem perspectiva. Saíram sem nada, a não ser, suas vidas errantes pelos caminhos desconhecidos do destino. A liberdade tão sonhada, transformou-se em espinhos. Uma nova, velha...
