Plantação e Colheita

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Plantação e Colheita.

​O mundo é um grande canteiro a ser semeado e tudo que se planta, consequentemente, se colhe. Vivemos segundo a lei da semeadura e nada pode mudar esse conceito. Semente boa, frutos bons; semente ruim, frutos ruins. Não se pode plantar limões e colher morangos, regra da lei.

​Samuel plantou ódio, rancor, inveja e maldade, e os frutos foram adubados durante sua jornada. O que lhe resta é juntar os frutos, pois a colheita chegou.

​- Não acredito que o Senhor Samuel será condenado por matar os filhos do negro Leôncio.

​- Pode acreditar, Castilho - diz o mensageiro. - Os jornais não falam outra coisa e o julgamento está às portas. Acho que seu patrão vai se dar mal.

​- Não posso crer, não posso! - O Castilho vai para a Capital, eu sei, eu escutei.

​- Cala a boca, doidinho - diz Castilho ao Juvenal que está dançando à sua frente.

​- Do que ele está falando, Castilho? - pergunta Manuela.

​- Recebi uma carta do advogado do Senhor Samuel, ele me arrolou como testemunha. Tenho que ir.

​- Meu Deusinho! Não diga nada além do que eles te perguntarem e sempre fale o que a Sinhá falar, ela é nossa patroa agora e o cramunhão do Senhor Samuel, com certeza, vai balançar na corda, aquele maldito! - diz Manuela, furiosa com a ida de Castilho para a Capital.

​- Vou dizer a verdade, doa a quem doer - arremata Castilho.

​Todas as testemunhas já foram arroladas e informadas que deverão estar presentes, pois sofrerão penalidade com todo o rigor da lei se não comparecerem ao tribunal.

​No Palacete

​A aparência entre a Baronesa e Ayana é inegável: mesmos traços corporais, mesmos olhos, cabelo... Tudo leva a crer que são gêmeas idênticas. Isso aguçou a curiosidade de todos, principalmente da Baronesa Octaviana. À noite, na mesa de jantar onde estão todos reunidos, a baronesa bate com o talher em sua taça e pede a atenção de todos.

​- Quero lhes informar que a semelhança entre Ayana e eu não é algo que se possa esquecer ou não observar. Por esse motivo, contratei um investigador particular para procurar por minhas raízes e desvendar essa história.

​José Jerônimo segura em sua mão e diz:

​- Fizeste muito bem. Sua semelhança com Ayana não pode ser apenas identidade, há algo mais.

​- Não acho que somos tão parecidas - diz Ayana.

​- Como não, se até o Gabriel confunde vocês o tempo todo? - diz Catarina, sorrindo.

​- Vocês duas são parentes! Sim, não há tanta semelhança entre duas pessoas que não tenham os mesmos genes - diz Aurélia, e confirma Letícia.

​- Também acho - diz Rodolfo, sorrindo.

​- Eu também assino embaixo - diz Damasceno, já fazendo uma rima sobre o assunto.

​- Bem, eu vejo que as duas têm mesmo uma aparência, porém não consigo ver tanta semelhança - diz Leôncio, olhando Ayana nos olhos.

​- Está bem. Entre tantos achismos, o detetive conseguiu desvendar nossa história.

​Todos olham para a Baronesa Octaviana, aguardando o desvendar da notícia.

​- Ayana e eu somos mesmo irmãs, e irmãs gêmeas. Nossa mãe foi vendida logo após nosso nascimento. Ayana foi levada e eu fiquei aos cuidados de uma escrava de dentro, minha tia, irmã do meu pai, que foi vendida dias após para o norte do país. Minha tia me criou na cozinha do Palacete dos Senhores Castro Diniz. Cresci sozinha, aprendi a ler escondida atrás da porta da Sala de Leitura. Quando tinha 16 anos, o Barão de Vertilhos olhou-me com olhos de amor, me comprou, educou e casou-se comigo. E eis-me aqui! Enquanto isso, minha mãe, que foi vendida com uma criança de braço, foi ser escrava da Fazenda Esmeralda... Teve filhos e filhas de outro país. Todavia, Ayana é minha única irmã por parte de pai e mãe.

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