O começo do Fim

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O Começo do Fim

​I. A Inevitabilidade do Tempo

​O Tempo é um amigo indiscreto que exige estar presente em todos os eventos. Ele não perdoa ser esquecido ou deixado de lado; é aquele convidado que, mesmo sem receber convite, é o primeiro a chegar. Não há como pará-lo ou relegar sua amizade ao esquecimento, pois é ele quem dita o compasso do início e o veredito do final de cada ciclo. O melhor a se fazer é cultivar essa amizade, para que o tempo seja cordial e gentil com aqueles que o respeitam.

​II. Refúgio no Sítio

​Enquanto o tempo corre, no Sítio, o Senhor Damião e Dona Alma encontram uma alegria há muito perdida. Estão dedicados ao cuidado do pequeno Benício. Selma o segura com um carinho que transborda, retribuindo com sorrisos a cada gracinha que o menino faz.

- Meu marido - disse Alma, emocionante -, buscar esse menino de volta foi o melhor que você pôde fazer. Selma está radiante. Aposto que, se Catarina visse o filho tão saudável e bonito, iria amá-lo com a mesma força que nós o amamos.

- É, minha velha, eu acredito que sim - respondeu Damião com um suspiro pesado. - Não teria como nossa filha não amar esse inocente. Tudo ficou no passado. O que aquele maldito fez é difícil de apagar, mas, com o tempo, pode-se esquecer.

Nas terras ao redor, o Sítio progride sob o suor de uma grande família de imigrantes italianos. São braços trabalhadores que fazem a terra florescer.

​III. A Espera na Fazenda Esmeralda

​Na Fazenda Esmeralda, o clima é de transição. Castilho assumiu a gerência enquanto Dona Beatriz permanece na Capital, com o coração em suspenso, aguardando o julgamento de Samuel. Na Casa Grande, as três filhas de Beatriz crescem sob os cuidados atentos de Manuela e Nhá Jacinta.

Desde que Samuel arrendou as lavouras para os italianos, a fazenda parece caminhar por conta própria. Castilho desdobra-se entre a gerência da casa e os pormenores da condução do trabalho estrangeiro, mantendo a ordem enquanto a tempestade jurídica não desaba.

​IV. Sombras na Santa Casa

​Na Santa Casa de Misericórdia, o Doutor Valdomiro Cartter sente o peso dos anos. Ele está desiludido; sua medicina, outrora soberana, parece ter estagnado no tempo. Em contrapartida, a medicina moderna praticada pelas doutoras Aurélia e Letícia brilha nos folhetins. Elas estão em alta, requisitadas pela alta sociedade que antes as olhava com desconfiança.

Ao ver o sucesso das colegas, Valdomiro sente o desejo amargo de "pendurar as chuteiras". Enquanto Aurélia e Letícia frequentam o palacete da Baronesa, Damasceno e Rodolfo unem forças com o Doutor José Jerônimo. O objetivo é um só: organizar o xeque-mate.

​V. O Tabuleiro do Julgamento

​As estratégias para o julgamento são montadas com precisão cirúrgica. A acusação vasculha cada canto atrás de testemunhas, ciente de que o Doutor Daniel Sampaio não facilitará o caminho. Quando Sampaio assume uma causa, ele se torna um adversário perigoso, capaz de usar todos os subterfúgios e meios não convencionais para vencer.

Diante de um oponente inescrupuloso, a acusação de Samuel sabe que não pode haver hesitação: o ataque terá de ser ferrenho e implacável.

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​VI. Na Delegacia (O Delírio de Samuel)

​Dona Beatriz vê em seu marido a imagem da loucura que via em seu sogro. Samuel pega o papel e o levanta, segurando-o com as duas mãos. Suas palavras fazem Dona Beatriz sentir um arrepio de medo:

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