capítulo 59

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— Meu Deus… como a Julie não disse isso pra mim… — ele disse, se afastando, passando as mãos pelos cabelos, como se estivesse tentando arrancar aquela realidade da cabeça.

Eu senti meu coração apertar. Respirei fundo, lutando contra a vontade de chorar, mas eu precisava ser forte agora, por mais que tudo em mim estivesse desmoronando. Dei um passo em direção a ele, mas parei. Tinha medo que ele fugisse ainda mais.

— Eu sei… eu sei que é muita coisa pra você… — minha voz saiu trêmula, quase um sussurro. — Mas… você não pode desistir do casamento.

Ele virou lentamente o rosto pra mim. O olhar dele… Deus, aquele olhar. Confuso, ferido, perdido.

— Sarah… eu não a amo. Como… como você quer que eu faça isso? Não posso… não posso me casar com alguém assim…

Fechei os olhos por um segundo, tentando conter as lágrimas que já ameaçavam cair.

— Eu sei que você não ama a Julie… mas a minha mãe… — minha voz falhou, e eu precisei respirar fundo pra conseguir continuar — a minha mãe não vai aguentar tudo isso.

Ele ficou ali, parado, como se estivesse preso ao chão, como se qualquer movimento pudesse quebrá-lo por completo. Eu via o peito dele subindo e descendo rapidamente, tentando processar tudo.

— Você quer… que eu me case? Mesmo assim? — ele perguntou, a voz embargada. — Sarah… eu adoro a sua mãe, você sabe… mas… fazer isso… não vai melhorar as coisas. Só vai… só vai prolongar a dor.

Mordi o lábio, sentindo a primeira lágrima escorrer pelo meu rosto, quente, silenciosa.

— Brandon… a minha mãe já se magoou demais… — disse, com a voz falhando mais uma vez. — Eu não quero… não quero vê-la sofrer de novo. Ela não merece… não merece que a última lembrança dela seja marcada por um escândalo desse tamanho.

Ele baixou a cabeça, e eu senti como se o mundo todo estivesse desabando entre nós.

— Eu… — ele tentou dizer alguma coisa, mas não conseguiu.

— Eu já cometi um erro uma vez… — soltei, sentindo meu peito apertar, como se faltasse ar — e… e a minha mãe quase não me perdoou. Eu sei que, se eu fizer isso de novo… se eu deixar que isso aconteça… ela nunca mais vai me perdoar.

O silêncio tomou conta do espaço entre nós, pesado, sufocante, como se o ar tivesse sumido dali. Eu só ouvia nossas respirações descompassadas, e o meu coração batendo rápido demais, como se fosse explodir a qualquer momento.

— Sarah, eu não posso me casar… eu não posso me casar amando outra mulher — disse, descontrolado, a voz embargada pela dor que ele tentava, em vão, esconder.

Eu respirei fundo, sentindo meu peito apertar como se algo me esmagasse por dentro.

— Mas você tem que fazer isso… por mim — insisti, mesmo que cada palavra me cortasse por dentro.

Ele começou a caminhar em círculos, passando as mãos pelos cabelos, inquieto, perdido. O olhar parecia procurar uma saída que não existia, como se, girando ali, pudesse encontrar alguma resposta escondida.

— Eu… eu não sei o que fazer — murmurou, mais para si do que para mim.

O silêncio se instalou por alguns segundos, denso, pesado.

Até que ele parou, respirou fundo e disse:

— Tudo bem… eu me caso.

As palavras saíram como um suspiro cansado, mas logo emendou, com um tom mais firme, como se quisesse deixar claro o limite de sua entrega:

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