capítulo 51

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Boa leitura 📚


Eu vou para o carro — informei, tentando manter a firmeza na voz, mesmo que por dentro tudo estivesse desmoronando.

— Sarah, espera — suplicou ele, a voz embargada, quase implorando por uma chance de ser ouvido.

Parei a poucos centímetros da porta do veículo, sentindo a tensão pesar no ar como as nuvens carregadas acima de nós. A chuva caía sem piedade, encharcando tudo ao redor, mas nem isso parecia suficiente para apagar o calor da raiva e da confusão dentro de mim.

Ele não se moveu. Continuava ali, parado no meio da chuva, com os ombros caídos e os olhos fixos em mim como se, de alguma forma, ainda houvesse algo a ser dito. Por mais que eu quisesse ir embora, meus pés pareciam presos ao chão. Soltei um suspiro e, como se algo me puxasse, dei alguns passos hesitantes em sua direção.

Cada passo que me aproximava dele era uma batalha entre o orgulho e a saudade. Quando finalmente parei diante dele, a chuva escorria pelo seu rosto como se estivesse chorando junto. Ele não disse nada. E talvez, naquele momento, o silêncio dissesse mais do que qualquer palavra.

— Quando você vai ser sincera uma única vez? — ele perguntou, a voz embargada, o olhar confuso, como se estivesse tentando entender algo que simplesmente não fazia sentido para ele.

— Alex... — murmurei, sentindo meu coração bater mais rápido só de dizer seu nome.

— Por que você sempre foge quando eu me aproximo? Por que você sempre dá um jeito de se afastar? — a dor na voz dele era evidente, e seus olhos, fixos nos meus, pareciam carregar mil perguntas sem resposta. Havia raiva ali, sim, mas também frustração, mágoa, e um sentimento que eu conhecia bem: medo de perder.

— Eu já fui sincera com você — confessei, quase num sussurro, como se tivesse medo de que as palavras ecoassem alto demais.

— Não, você não foi — rebateu ele, dando um passo à frente, como se quisesse quebrar de vez a distância entre nós. Respirou fundo, buscando ar como se isso pudesse dar forças para dizer o que estava preso na garganta. — Você nunca me deixa ver tudo. Você mostra uma parte e depois some. Você diz que sente, mas nunca fica.

— Eu já disse mil vezes o que eu sinto. O que mais você quer que eu diga? — minha voz tremeu, não de raiva, mas de exaustão. De cansaço por tentar me proteger de algo que já estava acontecendo: eu estava me perdendo nele.

— Eu só quero que você seja sincera — repetiu, mais baixo agora, quase como um pedido, não mais uma acusação.

Nos encaramos em silêncio, e naquele breve instante, parecia que tudo ao nosso redor desaparecia — a chuva, a noite, o frio. Só restávamos nós dois e todas as palavras que nunca foram ditas, mas que, de alguma forma, os nossos olhares gritavam.

— Alex, você é como fogo — confessei, sentindo o nó apertado na garganta. — E eu sei que, se me aproximar demais, vou acabar me queimando.

Ele permaneceu em silêncio, apenas me observando, como se cada palavra minha o atingisse em cheio.

— Você é intenso demais. É imprevisível, confuso... e real. Tão real que assusta. — Desviei o olhar por um segundo, tentando controlar a enxurrada de sentimentos que ameaçava transbordar. — E eu... eu passei tanto tempo tentando me proteger, tentando construir uma barreira entre o que eu sinto e o que eu deixo transparecer, que agora... eu nem sei mais como baixar essa guarda.

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