capítulo 63

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ALEX SCOTT

Estava próximo a uma mesa com a Audrey ao meu lado. A noite, apesar de elegante, carregava uma sensação incômoda de vazio. As luzes suaves penduradas entre as árvores lançavam um brilho dourado sobre os convidados, mas nada daquilo me parecia bonito ou memorável. Porque, no fundo, a verdade era simples: a Sarah não estava aqui. Não estava ao meu lado, nem sequer em algum canto do jardim onde eu pudesse vê-la, mesmo que de relance.

O que ela havia me dito um dia antes não saía da minha cabeça. Suas palavras ecoavam como uma ferida aberta, insistentes, dolorosas, impossíveis de esquecer. Era como se cada sílaba tivesse cravado um peso dentro do meu peito, e desde então, tudo dentro de mim gritava por ela.

Cada gesto seu, cada sorriso, cada olhar — tudo nela parecia ter sido feito para me desestabilizar. Ela era intensidade pura, e sua ausência agora parecia um castigo. Como se o mundo tivesse perdido as cores, e eu estivesse preso em um cenário bonito, mas sem alma.

Audrey dizia algo ao meu lado, mas sua voz soava distante. Eu apenas assentia, sem realmente escutar. Porque minha mente estava longe — perdida em lembranças de Sarah. A forma como ela franzia a testa quando estava confusa, o brilho que surgia nos olhos quando falava de algo que amava, o jeito como sua presença tornava tudo mais leve.

Era insuportável estar aqui sem ela. Tudo nela era perfeito. Sua beleza, sim, era inigualável — mas era mais do que isso. Era a alma dela que me fascinava. E agora, com aquele silêncio entre nós, eu sentia que estava afundando lentamente em algo que talvez não tivesse volta.

Ela disse que talvez me amasse,  e naquele momento tive vontade de dizer que também a amava , mas me calei por medo da sua reação.  Porque está ali sentindo seu cheiro e vendo a forma como ela me olhava era fascinante e o suficiente,  mesmo querendo que ela também me amasse que tivesse certeza do que sentia por mim.

Tomei um gole do champanhe que segurava na mão, sentindo o gosto suave e gelado escorrer pela garganta. Em seguida, coloquei a taça sobre a mesa de madeira cuidadosamente decorada com arranjos de flores brancas.

— Aonde a Sarah está? — perguntei, estranhando sua ausência. — Não a vejo desde a cerimônia.

Audrey me olhou por um instante, e a expressão em seu rosto mudou. Havia algo nos olhos dela que fez meu peito apertar de forma quase insuportável.

— Ela foi embora — disse com suavidade, como se quisesse diminuir o impacto daquelas palavras.

— Como assim foi embora? — franzi o cenho, sentindo a confusão se transformar em uma angústia crescente.

— Ela precisou ir mais cedo do que o esperado. Teve alguns problemas em Nova York e teve que voltar. Eu... pensei que ela fosse se despedir de você.

— Mas ela não se despediu ...Ela falou com  você antes de ir ?

— Sim. E ela me pediu desculpas por não poder ficar. Disse que preferia ir assim, sem chamar atenção... Não queria estragar o momento da irmã — explicou, com a voz carregada de compreensão.

Levei alguns segundos para processar. Meus olhos encaravam o nada, e o barulho ao redor parecia distante, abafado. O coração batia forte demais.

— Ela... não podia simplesmente ir embora desse jeito. Sem ao menos olhar nos meus olhos — murmurei, já me levantando da cadeira com um impulso quase desesperado. — Eu preciso vê-la.

— Alex, espera. — Audrey se levantou também, segurando levemente meu braço. — Eu sei o que você sente. Eu sei que você gosta da Sarah. Mas... ela ainda está confusa. Ela não sabe o que sente. Dá um tempo pra ela.

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