capítulo 66 parte um

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Em meio àquilo tudo, a Julie desabou completamente. Foi preciso que algumas enfermeiras a levassem para um quarto reservado, longe daquela tensão toda. Eu fiquei ali, parada, assistindo sem poder fazer nada, com o coração apertado de preocupação - não só por ela, mas também pelo bebê. O medo de que algo ruim acontecesse aos dois me deixava sem ar, como se uma mão invisível apertasse meu peito.

Voltei a me sentar na sala de espera, em uma das cadeiras frias e desconfortáveis, tentando acalmar a respiração. Era estranho, mas de repente fui tomada por uma sensação de déjà-vu, como se já tivesse vivido aquela angústia antes. Estar naquela sala de recepção me trouxe à tona lembranças dolorosas, memórias que eu havia tentado enterrar em algum canto escuro do meu coração. Lembrei de tudo que passei quando conheci o Brandon, de como a dor tinha sido cruel naquela época, e, por um instante, senti que tudo voltava a me sufocar.

Foi nesse momento que o vi. O Brandon apareceu no corredor, caminhando em minha direção, e meu instinto me fez levantar rapidamente, quase tropeçando nos próprios pés. Fui até ele sem pensar.

- Como a Julie está? - perguntei, minha voz falhando de tanta ansiedade.

- Ela está bem - respondeu com firmeza, tentando me tranquilizar.

- E o bebê? - insisti, com o coração ainda disparado.

- Ele também está bem. Ela só passou mal por causa da notícia - explicou, respirando fundo, como se ainda processasse tudo.

Ao ouvir aquelas palavras, senti um certo alívio percorrer meu corpo, como se um peso saísse dos meus ombros. Mas, ainda assim, a dor de ter perdido minha mãe queimava dentro de mim como uma ferida que nunca cicatrizava. Era uma dor eterna, que eu aprendera a carregar em silêncio.

O olhar do Brandon encontrou o meu, e ele me fitou daquele jeito único, intenso, que só ele sabia fazer.

- E você, como está? - perguntou, com uma voz suave, quase sussurrada.

- Eu não... - tentei responder, mas as palavras se perderam. Balancei a cabeça em concordância, como se admitisse que não estava nada bem. Tudo em mim doía, e eu já não tinha forças para fingir que era forte. Porque eu não era.

Antes que eu pudesse pronunciar qualquer outra palavra, Brandon me puxou para perto e me envolveu em um abraço apertado, firme, protetor. Então, finalmente, me permiti desabar. As lágrimas romperam como uma represa quebrada, molhando sua camisa. Enterrei meu rosto em seu pescoço e deixei que toda a dor, todo o medo e toda a saudade me dominassem.

Ali, nos braços dele, pela primeira vez em muito tempo, senti que não precisava ser forte. Podia apenas sentir.

Ele não me afastou; permitiu que eu ficasse ali pelo tempo que precisasse, sem medir palavras, sem me apressar.

- Eu estou aqui, eu sempre vou estar aqui ao seu lado. - disse, enquanto seus dedos acariciavam delicadamente meus cabelos, num gesto que me trazia uma pontada de paz em meio ao caos.

- Eu sei. - afirmei, mesmo em meio às lágrimas que insistiam em cair.

Ter ele aqui comigo amenizava a dor que rasgava meu peito. Porque, sem ele, eu desabaria de vez, perderia completamente o chão.

Ele respirou fundo, segurou meu rosto com cuidado, e seus olhos encontraram os meus como se tentassem ancorar minha alma.

- Sarah... - sua voz soou embargada, - você precisa ser forte agora.

- Eu não consigo, Brandon... - murmurei, a voz falhando, enquanto tentava, em vão, agarrar alguma esperança no olhar dele. Como se só assim, só ao encarar aqueles olhos, a dor pudesse desaparecer.

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