capítulo 60

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JULIE STEVENS

A Abby continuava imóvel no hall da porta, com os olhos arregalados, como se o mundo tivesse parado naquele exato segundo. Sua respiração estava ofegante, e as mãos trêmulas apertavam com força a lateral do  vestido, como se aquilo fosse suficiente para manter seu corpo de pé.

Meu coração, no mesmo instante, apertou no peito de um jeito doloroso, sufocante. A única coisa que passou pela minha cabeça foi que ela não poderia, de jeito nenhum, falar nada. Se falasse... eu não sabia do que seria capaz, mas a vontade de silenciá-la me consumia.

— Abby... o que você está fazendo aqui? — tentei desviar do assunto, mesmo sabendo, no fundo, que já era tarde demais. Muito tarde.

Ela não tirava os olhos de Adam, como se ele fosse um estranho, alguém que ela nunca tivesse conhecido de verdade.

— Me fala... me fala que o que eu ouvi não é verdade — disse, com a voz tão fraca que parecia prestes a desabar ali mesmo, naquele chão frio.

Adam deu um passo hesitante à frente, a expressão perdida, os olhos marejados.

— Eu... eu posso explicar... — gaguejou, com a voz falhando.

Mas Abby balançou a cabeça, desesperada, negando com veemência, enquanto passava a mão pelo cabelo, puxando os fios com força, como se aquilo pudesse afastar a dor que começava a se espalhar por todo o seu corpo.

— Não, não, não, não... isso não pode estar acontecendo... — repetia sem parar, como um mantra, uma tentativa inútil de se convencer de que tudo aquilo não passava de um pesadelo.

— Nada do que você ouviu... — tentei explicar, me aproximando, mas antes que eu pudesse terminar, ela virou-se bruscamente na minha direção, com uma fúria que eu nunca tinha visto antes.

— Cala a boca, Julie! Se cala! Cala a porra da boca! — gritou, a voz rasgando o silêncio da casa como uma faca afiada.

Eu dei um passo para trás, assustada com a intensidade do seu olhar, que agora queimava de ódio, de traição, de dor.

— Por favor, amor... me deixa explicar... — implorou Adam, totalmente desesperado, estendendo a mão na direção dela, mas Abby recuou, como se o simples toque dele fosse capaz de contaminá-la.

Ela olhou para nós dois, de um jeito que eu nunca vou esquecer. Um olhar quebrado, despedaçado, cheio de mágoa e de tudo aquilo que jamais conseguiríamos consertar.

O silêncio que se seguiu foi ainda mais ensurdecedor do que os gritos.

— Você está grávida? — perguntou com a voz fria, indiferente, como se a resposta não pudesse mais mudar nada.

— Isso não importa… — respondi, desviando o olhar, engolindo a dor que se formava na garganta.

— Só me responde. — exigiu, firme, sem demonstrar qualquer traço de hesitação.

Fechei os olhos por um segundo, respirei fundo, mas a verdade já estava solta, não adiantava mais fugir.

— Sim… — confessei, num fio de voz quase inaudível.

Ela me olhou em silêncio, um longo instante que pareceu eterno, como se estivesse tentando assimilar ou talvez conter o turbilhão que se formava dentro dela.

— Você está com quantos meses? — perguntou, com os braços cruzados, se esforçando para manter o controle.

— Um mês… — respondi, e a vergonha me fez abaixar ainda mais a cabeça, como se pudesse me proteger do julgamento que viria.

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