capítulo 58

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Em meu quarto, deitada na cama   encarando o relógio em cima do criado-mudo, eu via as horas passarem lentamente, como se o tempo tivesse parado só para me torturar. Cada tic-tac era um lembrete de tudo que estava prestes a mudar, de tudo que eu estava prestes a deixar para trás.
Por dentro, eu era um caos. Um verdadeiro turbilhão de sentimentos me consumia, e o silêncio do quarto só ampliava o barulho dos meus pensamentos. A conversa que tive com o Brandon horas atrás ainda ecoava na minha mente, confusa e dolorosa. Mas, acima de tudo, era o que eu disse para o Alex que me tirava o sono.

“Talvez eu esteja apaixonada por você.”

Essas palavras saíram antes que eu pudesse pensar, cruas e sinceras. Foi como se, naquele momento, eu tivesse tirado um peso do peito e jogado no colo dele — e agora, ele carregava aquele peso no silêncio. Eu não sabia o que ele sentiu, não sabia o que pensou. Só sabia que, desde então, tudo entre nós ficou suspenso no ar, sem resposta, sem direção.

Mas nada disso importava mais. Eu havia tomado minha decisão. Ia embora. Longe desse lugar, dessas memórias, dessas incertezas. Longe dele. Talvez fosse covardia. Talvez fosse autopreservação. Mas era o que eu precisava fazer. Colocar um ponto final antes que essa história me quebrasse por completo.

Virei para o outro lado da cama e encarei a porta do banheiro, onde minha roupa de madrinha estava pendurada, imóvel, como se fosse um lembrete silencioso do que estava por vir. O vestido já estava pronto, passado, arrumado, à espera de amanhã — o dia que, em tantos momentos, desejei que nunca chegasse, mas que agora era inevitável.

Fiquei ali, parada, imóvel sobre a cama, apenas existindo e respirando, como se qualquer movimento pudesse me quebrar de vez. Cada pensamento me consumia por inteiro, me deixando à beira de um colapso, como se o peso daquela decisão — ou da falta dela — estivesse esmagando o pouco de força que me restava.

O quarto parecia mais frio, mais escuro. Tudo à minha volta havia se tornado mais sombrio, mais doloroso, como se até o ar estivesse pesado demais para ser respirado. Olhei para o teto, para as paredes, para aquele vestido, e em tudo via uma única coisa: o fim de algo que nunca deveria ter começado.

Já eram 3:00 da manhã, e eu ainda não tinha conseguido pregar os olhos. O silêncio da madrugada era tão denso que me fazia companhia, enquanto as horas passavam lentamente, torturando cada pedaço de mim. Daqui a algumas horas, Brandon iria se casar… e não comigo.

E eu… eu apenas continuava ali, deitada, tentando encontrar alguma parte de mim que ainda fizesse sentido.

Sem pensar muito, me levantei da cama, num impulso, e fiquei parada ali, próxima à beirada, sentindo meus pés tocarem o chão frio. Meu coração batia descompassado, como se tentasse me alertar de alguma coisa que minha mente ainda não queria admitir. Eu precisava resolver aquilo de uma vez por todas. Não podia mais continuar vivendo nesse limbo, presa entre o que sinto e o que deveria sentir.

Eu precisava falar com o Alex, precisava esclarecer tudo entre nós, acabar com essa confusão que me dilacerava a cada dia. Eu amava o Brandon — disso eu tinha certeza, ou pelo menos achava que tinha. Esse sentimento estava tão cravado em mim que já parecia parte da minha identidade. E o Alex… o Alex precisava entender isso, precisava aceitar, precisava me deixar ir, mesmo que ele nunca tivesse me pedido para ficar.

Caminhei até a porta, determinada, ou talvez apenas querendo acreditar que estava. Coloquei a mão na maçaneta, sentindo o metal gelado contra meus dedos, como se o frio da superfície pudesse despertar minha razão. Mas então… vacilei.

Parei. Fiquei ali, estática, com a respiração presa e os olhos fixos no nada, enquanto minha mente era inundada por uma avalanche de dúvidas. E se… e se não fosse só isso? E se, no fundo, eu também amasse o Alex? Meu Deus… eu estava ficando louca.

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