capítulo 45

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Boa leitura 📚

O Brandon entrou no quarto e fiquei sozinha no corredor. Assim que me vi ali, isolada, foi como se o peso de tudo o que eu vinha reprimindo me atingisse de uma vez. Meu peito apertou, como se fosse explodir, e, por um instante, tive a sensação de que o chão sob meus pés poderia simplesmente desaparecer. Minha mente girava, tomada por um turbilhão de pensamentos que eu não conseguia conter. E no meio de tudo isso, uma pergunta surgiu como uma faca afiada: como eu poderia ter sentimentos pelo Alex?

A ideia era absurda. Eu não o suportava. E isso, por si só, já deveria ser o suficiente para afastar qualquer possibilidade de amá-lo. Ou, ao menos, era o que eu tentava me convencer.

Respirei fundo e caminhei até minha porta. Coloquei a mão na maçaneta, mas hesitei. Meu corpo permaneceu imóvel, como se meu próprio subconsciente me impedisse de seguir adiante. Minhas mãos tremiam, meu coração batia forte, e a sensação de sufocamento só aumentava.

Olhei ao redor, sentindo o silêncio pesado do corredor. Era sufocante, quase ensurdecedor. Sem pensar muito, me afastei da porta e, como se meus pés tivessem vontade própria, desci os degraus novamente.

Quando cheguei à sala, um silêncio pesado tomou conta do ambiente, como se o ar ao meu redor tivesse se tornado denso e opressor. Por dentro, porém, um turbilhão de emoções se misturava, conflitantes, bagunçadas, me deixando incapaz de entender o que realmente sentia.

Fiquei parada por alguns segundos, tentando captar qualquer som que pudesse indicar que eu não estava sozinha. A Abby e o Adam haviam subido. O Brandon também estava no andar de cima. Minha mãe, pelo que eu sabia, não havia saído do quarto. Isso significava que apenas a Julie e o Alex restavam na casa, mas eu não fazia ideia de onde eles estavam.

Foi então que, em meio àquele silêncio esmagador, uma luz suave rompeu a penumbra da sala. Sua presença era discreta, mas suficiente para chamar minha atenção. Meu olhar seguiu o brilho amarelado que se projetava contra o chão e as paredes, vindo de uma porta entreaberta.

Caminhei na direção da luz, movida por um misto de curiosidade e receio. Meu coração batia forte quando percebi que ela vinha do antigo escritório do meu pai.

Parei diante da porta, sentindo um aperto no peito. Desde que havia chegado, há pouco mais de uma semana, nunca senti vontade de entrar ali. Evitei aquela parte da casa como se atravessar aquela soleira fosse trazer de volta todas as lembranças que eu tanto lutava para manter à distância. Tudo naquele lugar me lembrava meu pai—o cheiro da madeira, os livros alinhados na estante, o som abafado das teclas do computador que ele costumava usar.

Fechei os olhos por um instante, tentando afastar a tristeza que ameaçava me engolir. Não queria reviver a dor de lembrar que ele não estava mais ali. Mas, ao mesmo tempo, algo dentro de mim me dizia que talvez já fosse hora de encarar aquele espaço novamente.

Respirei fundo e, hesitante, empurrei a porta, deixando a luz me envolver.

Assim que coloquei meus olhos no cômodo, fui tomada por uma sensação estranha, como se tivesse invadido um espaço proibido. A luz suave do abajur iluminava parcialmente o ambiente, lançando sombras nas prateleiras cheias de livros antigos. O cheiro de madeira e papel envelhecido ainda estava impregnado no ar, trazendo lembranças que eu não sabia se queria reviver.

Foi então que o vi.

Alex estava sentado na antiga cadeira que meu pai costumava ocupar, com um livro aberto nas mãos. Seus olhos corriam atentamente pelas páginas, e ele parecia tão focado na leitura que sequer havia notado minha presença. Seu rosto estava sereno, quase vulnerável sob a luz amarelada, e por um breve instante, eu me permiti observá-lo sem a barreira do ressentimento que sempre ergui entre nós.

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