capítulo 52

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Continuava em pé, permitindo que a chuva me envolvesse, como se ela pudesse lavar não apenas meu corpo, mas também a confusão que me dominava por dentro. Era como se cada gota me lembrasse que, naquele momento, nada mais importava. O barulho ao redor parecia distante, quase inexistente, e tudo o que restava era o peso do que acabara de acontecer.

O que havia acabado de acontecer... aquilo mudava tudo. Virava de cabeça para baixo tudo o que eu acreditava, tudo o que eu sentia. Será que o amor que eu sentia pelo Brandon seria capaz de suportar uma tempestade como essa? Ou será que, no fundo, eu nunca o amei de verdade? Essas perguntas me corroíam por dentro, como se tentassem arrancar uma verdade que eu não queria enfrentar.

Eu estava confusa. Completamente perdida. E, por mais que eu tentasse, não conseguia encontrar uma saída. Minutos atrás, agi por impulso, deixei que meu corpo falasse por mim, que minhas emoções me guiassem sem pensar nas consequências. Agora, tudo estava desmoronando. E eu sabia... sabia que tinha estragado tudo.

O pior de tudo é que, no fim dessa história, meu coração não seria o único a ser destruído. Haveria mais dor, mais lágrimas. E talvez, arrependimento demais para caber dentro de mim.

Respirei fundo, tentando conter o tremor nas mãos. Finalmente tomei coragem, caminhei até o carro, abri a porta e me sentei no banco do motorista. O couro gelado tocou minhas costas encharcadas, mas eu não me importei. Porque, por dentro, eu já estava fria há muito tempo.

- Você está tremendo. - disse ele, a voz suave, mas carregada de preocupação.

- Eu estou bem. - respondi, tentando disfarçar a inquietação que me invadia. A chuva continuava a cair lá fora, uma cortina fria e incessante que parecia envolver o mundo em uma quietude desconfortável. A estrada estava silenciosa e calma, como se o tempo tivesse desacelerado. Não havia nenhum sinal de vida. A única coisa que preenchia o silêncio era o som das nossas respirações, profundas e ansiosas, como se estivéssemos esperando algo que não sabíamos nomear.

- Toma. - Ele estendeu um casaco na minha direção. - Eu deixei esse casaco no banco de trás do carro.

Em silêncio, peguei o casaco e o vesti rapidamente, tentando esconder o quanto o frio me afetava, não só fisicamente, mas também emocionalmente. Havia algo no ar, uma tensão que não conseguia dissipar. Tudo parecia fora de lugar.

- Obrigada. - Agradeci sem olhá-lo diretamente, os meus olhos ainda fixos na estrada escura à frente, como se buscassem algum tipo de resposta ali.

Ele finalmente quebrou o silêncio, a voz hesitante, mas firme.

- Você não vai dizer nada? - perguntou ele, os olhos fixos em mim, procurando uma reação, qualquer coisa que o fizesse entender o que estava acontecendo.

Olhei para ele e, por um momento, o vi completamente vulnerável. Algo em seus olhos, uma mistura de incerteza e medo, me fez sentir um peso ainda maior em meu peito. Eu sabia o que ele queria ouvir, mas não sabia como dizer.

- O que você quer que eu diga? - perguntei, a voz rouca, tentando manter a calma. Limpei a garganta, como se tentasse afastar a sensação de que minha própria alma estava sendo examinada.

Ele suspirou e me encarou, uma frustração evidente nos olhos.

- Eu não sei... A gente acabou de... - Ele parou, como se as palavras fossem difíceis de sair, como se o que tinha acontecido fosse algo que não cabia mais em nenhum dos nossos mundos. - A gente acabou de transar e você age como se nada tivesse acontecido.

As palavras dele ficaram no ar, suspensas, e eu senti um nó se formando na minha garganta. Eu sabia que ele esperava algo, mas o que eu podia dizer? Tudo havia mudado em um único momento, e as palavras pareciam tão pequenas diante do que realmente sentíamos.

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