capítulo 56

59 6 11
                                        

A poucos metros de distância agora, o Alex me olhava atentamente. Seus olhos estavam fixos em mim, como se buscassem entender tudo o que passava dentro de mim naquele instante. E os meus, quase sem querer, se prenderam nele também, analisando cada traço do seu rosto — o contorno do maxilar, a forma como suas sobrancelhas se arqueavam com leve preocupação, o modo como ele reagia à minha confissão. Eu tinha acabado de dizer que talvez estivesse apaixonada por ele... e mesmo assim, mesmo com todas essas palavras expostas, os meus sentimentos pelo Brandon permaneciam inabaláveis. Inexplicáveis. Dolorosamente reais.

Às vezes me pego pensando: como foi que cheguei a esse ponto? Conheci o Alex de maneira simples — trocamos algumas palavras, conversamos como dois desconhecidos cruzando caminhos. Mas eu não senti nada. Nenhuma faísca, nenhuma perturbação interna, nenhum sinal. Era só ele, ali, e eu, aqui, com um silêncio confortável entre nós. Mas com o Brandon... com o Brandon foi diferente desde o primeiro segundo.

Ele entrou naquela lanchonete como se o mundo ao redor tivesse ficado em segundo plano. E naquele momento, antes mesmo que dissesse qualquer coisa, eu sabia. Sabia que me apaixonaria. Foi instintivo, avassalador. Algo que ultrapassava a lógica ou o controle. Nunca havia me sentido daquele jeito. Era como se faíscas invisíveis percorressem meu corpo inteiro, como se minhas mãos não soubessem mais permanecer firmes, como se o meu ar tivesse sido roubado só pelo modo como ele me olhou. Por aqueles olhos azuis que me atravessaram e me deixaram exposta, vulnerável... viva.

Temo todos os dias que ele seja o cara certo pra mim. Que ele seja a minha pessoa. Porque, se for assim, então eu já perdi o amor da minha vida. E o mais cruel de tudo isso é que perdi alguém que nunca foi meu de verdade.

Mas agora… agora o Alex havia se tornado algo real. Algo possível. Um sentimento que, até pouco tempo atrás, eu nunca imaginei ser capaz de sentir. Era como se ele tivesse atravessado uma barreira invisível entre o que era apenas momentâneo e o que, de repente, se tornava palpável, concreto. E isso me assustava. Me paralisava.

O Alex era imprevisível. Era o tipo de pessoa que poderia te levar ao topo do mundo num segundo e te lançar ao chão no instante seguinte — e mesmo assim, você ainda imploraria por mais um momento ao lado dele. Havia algo de instintivamente apaixonante nele, como se sua presença fosse feita de enigmas e caos envoltos em charme e intensidade. Ele seria, facilmente, uma aventura perigosa. E eu não sabia se estava pronta para mergulhar nesse abismo sem fim.

Porque a verdade é que eu não estava disposta a me jogar de cabeça. Não de novo. Já havia me afogado uma vez e mal consegui emergir. Com o Alex, tudo parecia extremo: os silêncios, os olhares, os gestos. Ele despertava algo inédito em mim — uma mistura estranha de vulnerabilidade e adrenalina. Como se, ao lado dele, eu estivesse sempre no limite entre o controle e o descontrole.

Ele era inconstante. Um terreno que tremia sob meus pés. Algo incerto, não resolvido, como uma equação que nunca fecha. E no fundo, bem lá no fundo, eu sabia que nunca estaria estável com ele. Que amar o Alex seria como dançar na beira de um penhasco: perigoso, vertiginoso... mas absurdamente tentador.

Minha atenção foi tomada , por um pequeno barulho de duas taças brindado. O Brandon estava de pé com uma taça de espumante na mão,  a Julie estava ao seu lado.  E todos presentes direcionaram sua atenção para ele.

— boa noite,  a todos.— sorriu com timidez.

O Alex não prestava mais atenção em mim, seus olhos estavam fixos em seu irmão agora. A expressão dele era difícil de decifrar — talvez surpresa, talvez algo mais profundo, que ele próprio ainda não sabia como lidar.

O Brandon estava parado no meio do salão, com a atenção de todos voltada para ele. Seu terno escuro contrastava com a luz suave que preenchia o ambiente. Ele não olhou diretamente para mim, mas ainda assim, eu podia sentir a intensidade dos seus olhos azuis, como se mesmo sem me encarar, soubessem exatamente onde eu estava.

Era Você Histórias para pegar e não largar. Descubra agora