Com a mão pousada na maçaneta, senti meu coração bater forte dentro do peito. Uma parte de mim queria recuar, fugir dali e nunca mais olhar para trás, mas outra parte precisava enfrentar o que aquele lugar significava. Respirei fundo, reunindo toda a coragem que ainda restava, e finalmente empurrei a porta.
Assim que entrei, uma sensação estranha percorreu meu corpo, quase como um choque elétrico, misturando medo, saudade, dor e uma pontada de esperança. Fiquei parada, imóvel, bem na divisa entre a entrada e a saída, observando cada detalhe ao meu redor. As mesas, as cadeiras, as paredes — tudo parecia igual, mas ao mesmo tempo carregava um peso diferente. Em cada canto havia uma lembrança guardada, uma marca viva de uma história que eu jamais conseguiria esquecer.
Depois de alguns segundos, respirei fundo mais uma vez e caminhei até o balcão, tentando manter a firmeza nos passos. Precisava me provar que era capaz de voltar ali e não desabar.
A atendente me olhou gentilmente, e logo percebi que não era a mesma de antes. Não era aquela garota assustada que mal conseguia esconder o pânico no olhar no dia do tiroteio. Essa nova funcionária parecia tranquila, alheia ao passado que se escondia entre aquelas paredes.
Me aproximei, estudando seu rosto, e ela me recebeu com um sorriso sereno.
— Bom dia — disse ela, com simpatia.
— Eu gostaria de um café, por favor — pedi, tentando manter a voz estável, embora minhas mãos estivessem frias.
— Claro — respondeu, anotando meu pedido.
Enquanto ela preparava a bebida, meu olhar se perdeu no salão, inevitavelmente atraído para aquele exato ponto onde tudo tinha acontecido. Eu podia ver, como se fosse uma projeção viva, o Brandon caído no chão, sangrando, apavorado diante da morte. Revivi a cena em detalhes: eu me ajoelhando ao lado dele, segurando seu rosto com as mãos trêmulas, implorando para que não me deixasse, para que lutasse, para que não desistisse de viver.
Até hoje, aquela lembrança invadia meus sonhos sem pedir licença, me fazendo acordar com o coração disparado. E sempre me perguntei como tudo pôde acontecer daquele jeito, conosco, logo nós dois, que parecíamos tão certos um para o outro. Foi por causa daquele momento terrível que ficamos tão ligados, de uma forma que ninguém mais poderia compreender — uma ligação impossível de quebrar, marcada na pele e na alma.
O mais inacreditável era que, depois de três meses, o destino me fez cruzar o caminho do Brandon novamente. Mas não da forma que eu havia desejado, não da forma que tinha sonhado inúmeras vezes enquanto esperava notícias dele. O reencontro aconteceu de um jeito cruel, me lembrando que nem sempre o amor vence todas as batalhas.
Continuava em pé próxima ao balcão quando uma voz quase familiar soou atrás de mim. Eu podia jurar que era a voz do Alex. Um arrepio subiu pela minha espinha, me deixando completamente paralisada. Nunca imaginei que meu corpo reagiria daquela maneira, como se cada célula se lembrasse dele antes mesmo que minha mente pudesse processar. O coração disparou no peito, e uma estranha sensação de medo e desejo me atravessou.
Ouvir a voz dele era o bastante para me desestabilizar, trazendo de volta memórias que eu tentei apagar, mas que insistiam em viver dentro de mim. Por um instante, respirei fundo e fechei os olhos, tentando manter a calma. Não sabia se tinha forças para encará-lo de novo, mas ao mesmo tempo algo dentro de mim precisava ver se era realmente ele. Porque já faziam um ano e dois meses que eu não o via.
Quando me virei, senti minhas pernas fraquejarem. Não era ele. não era ele... , era apenas um cara que tinha a voz familiar a dele. E me decepcionei porque uma parte de mim queria muito vê ele, meu corpo meu coração desejava vê-lo.
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Era Você
RomanceSarah e Julie sempre foram muito próximas, mas com o passar do tempo, isso mudou drasticamente, e a distância entre elas se tornou evidente. Sarah não via sua irmã há anos, até receber a notícia de que Julie iria se casar. Apesar de ser convidada pa...
