parte final

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Leiam até o final, boa leitura.  E aproveitem o último capítulo.  Bye 👋.

Com as mãos pressionando o volante com força, eu dirigia em alta velocidade em direção ao aeroporto. Meu coração batia acelerado, quase no mesmo ritmo em que os limpadores do para-brisa se moviam de um lado para o outro. Eu precisava chegar a tempo. Eu precisava consertar as coisas, dizer tudo o que ficou preso dentro de mim antes que fosse tarde demais.

Foi quando, de repente, uma chuva forte começou a cair, intensa e inesperada, como se o céu estivesse desabando, como se o mundo resolvesse chorar comigo. As gotas batiam com violência no vidro, quase me impedindo de enxergar a estrada à minha frente, mas mesmo assim eu continuei - determinada, desesperada.

Quando finalmente cheguei ao meu destino, estacionei o carro de qualquer jeito, desliguei o motor com as mãos trêmulas e saltei do veículo sem pensar duas vezes. No instante em que meu corpo ficou exposto, a chuva me engoliu por completo. Senti o impacto gelado das gotas contra minha pele e, em poucos segundos, minhas roupas já estavam coladas ao corpo, pesadas e encharcadas.

Corri o mais rápido que pude em direção à entrada do aeroporto, sentindo os passos escorregadios contra o chão molhado. Quando minhas mãos tocaram a maçaneta metálica das portas de vidro, um arrepio percorreu meu corpo inteiro - uma mistura de frio, nervosismo e medo. Medo de não conseguir... de ter chegado tarde demais.

Abri as portas com força e corri desesperada pelo saguão do aeroporto, sentindo o coração bater descompassado no peito. Minhas pernas pareciam voar sobre o chão liso enquanto desviava das pessoas, guiada apenas por uma única certeza: eu precisava chegar a tempo.

Me aproximei do balcão mais próximo, quase sem fôlego.

- Você poderia me dizer quando sai o primeiro voo para Madrid? - perguntei, ofegante, tentando conter o desespero na voz.

- Claro, vou verificar no sistema. - respondeu a atendente com gentileza, assentindo com um leve sorriso.

Ela começou a digitar calmamente, como se não houvesse pressa no mundo, enquanto eu lutava contra a ansiedade que me consumia por dentro. A espera parecia uma eternidade. Observei-a com atenção, tentando encontrar algum sinal de urgência em seus gestos. Seus cabelos, de um tom escuro intenso, caíam lisos sobre os ombros. Os olhos, brilhantes sob a iluminação fria do ambiente, refletiam tranquilidade - o completo oposto do que eu sentia naquele momento.

- Há um voo previsto para sair em vinte minutos - informou a atendente, após alguns segundos que pareceram horas. - Mas o embarque já está em andamento. Se quiser embarcar, precisa correr para o portão 18. Ainda dá tempo se for rápida.

Meu coração deu um salto. Vinte minutos. Era tudo ou nada.

- Eu preciso de uma passagem, qualquer assento! - pedi com pressa, puxando minha carteira com as mãos trêmulas. Eu precisava de uma passagem para pode passar pelo os seguranças, ele deveria estar na fila de embarque e era a única forma de chegar até ele.

- Documentos, por favor.

Enquanto entregava tudo o que ela pedia, meus olhos buscavam o relógio digital acima da parede. Cada segundo parecia gritar comigo. Ele podia já estar no avião. Podia já estar indo embora. E eu... eu não podia deixar isso acontecer.

- Aqui está. - disse a atendente, me entregando o bilhete e o comprovante. - Portão 18, vire à esquerda e siga até o final do corredor. Boa sorte.

- Obrigada! - respondi com a voz embargada, agarrando o bilhete com força.

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