— Isso é normal. Todos ficam assim antes de se casar — tentei justificar seu nervosismo, forçando um sorriso, mesmo sentindo meu peito apertado.
— É… você tem razão. — Ele me olhou em silêncio, como se quisesse dizer algo além daquelas palavras, mas não soubesse por onde começar.
O ar ao nosso redor parecia mais denso, carregado de tudo que não estava sendo dito.
— Acho que devemos entrar. Todos os convidados já foram embora, e eu já falei com os músicos sobre amanhã. — Dei um passo à frente, tentando encerrar aquela conversa estranha, talvez até perigosa demais para o que estávamos prestes a viver.
— Sarah, espera. — Ele levantou a mão, sua voz soou mais urgente do que antes.
Parei imediatamente. Não disse nada, apenas o olhei em silêncio, esperando... ou temendo... o que viria a seguir.
— A noite ainda não acabou. E eu gostaria muito de dançar com você — ele disse, sorrindo de forma gentil, quase com um toque de melancolia nos olhos.
Meu coração deu um pequeno salto. Não era só o pedido. Era a maneira como ele falava, como se estivesse tentando segurar o tempo com as próprias mãos.
— Brandon... — vacilei, sentindo a garganta apertar. Olhei ao redor, como se o salão vazio pudesse me oferecer alguma resposta.
Ele deu um passo mais perto, com a expressão serena, mas determinada.
— É só uma dança. Como amigos — disse, me encarando com firmeza, mas sem perder a doçura no olhar. — Uma última dança.
Sua mão se estendeu em minha direção, e naquele gesto havia mais do que um convite — havia uma despedida disfarçada de oportunidade. Por um segundo, hesitei. Sabia que, se aceitasse, talvez fosse ainda mais difícil deixá-lo ir depois. Mas talvez... só talvez... uma última dança fosse tudo o que precisávamos.
Com um movimento leve, estendi minha mão e toquei a sua suavemente. Sua pele era macia, mas estava fria, como se guardasse um pouco da noite dentro dela. Ainda assim, o toque era reconfortante, quase familiar.
Ele segurou minha mão com delicadeza, como se tivesse medo de quebrar algo frágil, e então me conduziu até o centro do salão vazio. Nossos passos ecoavam suavemente pelo chão de madeira. Só havia nós dois ali, cercados por silêncio, por lembranças e por tudo o que não foi dito.
— Não tem música… como vamos dançar? — perguntei, deixando minha mão pousar sobre seu ombro, ficando a poucos centímetros do seu rosto. A proximidade me fazia perder a concentração. Eu podia sentir o calor do seu corpo, o perfume sutil e reconfortante que sempre o acompanhava.
— Não precisamos de música — respondeu, com um sorriso discreto. Seus olhos buscaram os meus como se tentassem me ancorar ali, naquele momento.
— Ok… tudo bem — sussurrei, e um pequeno sorriso escapou dos meus lábios, sem que eu percebesse.
— Por que está rindo? — ele perguntou, rindo junto, com um olhar curioso.
— É que… é meio estranho estarmos aqui. Sozinhos, no meio do nada, dançando sem música… — falei, meio sem graça. — Parece algo tirado de um sonho.
— Então vamos fingir que é só isso — disse, a voz baixa, quase um sussurro. — Finge que é um sonho. Se concentra nos passos… continua olhando pra mim… e não pensa em mais nada.
Assenti, tentando conter o turbilhão dentro de mim. E assim começamos a dançar. Sem melodia, sem regras, sem tempo. Apenas nós dois, movendo-se no silêncio como se nossos corpos se lembrassem de algo que nossas mentes haviam esquecido. E, por um instante, tudo fez sentido.
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Era Você
RomanceSarah e Julie sempre foram muito próximas, mas com o passar do tempo, isso mudou drasticamente, e a distância entre elas se tornou evidente. Sarah não via sua irmã há anos, até receber a notícia de que Julie iria se casar. Apesar de ser convidada pa...
