Boa leitura 📚
Deitada na cama, eu encarava o teto, perdida em uma confusão de pensamentos que não me deixavam em paz. O quarto estava silencioso, exceto pelo som ritmado da minha respiração, e mesmo tendo visto o Brandon hoje, era o Alex que insistia em ocupar todos os espaços da minha mente. Era estranho, quase doloroso, como ele conseguia me invadir desse jeito. Uma parte de mim gritava desesperada por ele, queria vê-lo, tocá-lo, sentir sua presença ao meu lado, como se só assim eu pudesse encontrar alguma calma.
Por que ele tinha esse poder sobre mim? Por que, entre todas as pessoas, justamente ele conseguia me desmontar por dentro? O Alex havia conquistado exatamente o que desejava: tomou cada pedaço dos meus pensamentos, sem deixar brechas, me deixando à beira da loucura.
Virei a cabeça para o lado, deixando meus olhos se perderem na porta do quarto. A escuridão tomava conta de tudo, silenciosa e impenetrável, e naquele vazio também cabia outra ausência dolorida: minha mãe. Ela ainda vivia dentro de mim, como uma lembrança aconchegante e, ao mesmo tempo, tão distante. Eu sentia falta dela todos os dias, mas hoje a saudade doía ainda mais. Tinha certeza de que, se ela estivesse aqui, encontraria as palavras certas para me ajudar a entender todo esse turbilhão.
Fechei os olhos por um instante, tentando imaginar sua voz suave, seu abraço quente, e me permiti desejar, por um momento, que ela pudesse aparecer e me guiar. Porque, no fundo, eu só queria encontrar um jeito de não me perder de mim mesma. E pensando no quanto eu odiava a Julie por ter feito eu perde tanto tempo sem ela.
Eu ainda tomava meus remédios para dormir, uma tentativa de silenciar a mente inquieta e os sentimentos embaralhados que me atormentavam noite após noite. Quando o efeito finalmente veio, me entreguei a um sono profundo, pesado, como se fosse a única forma de desligar tudo ao meu redor e dentro de mim.
Na manhã seguinte, acordei antes mesmo do sol subir completamente. O céu tinha um tom pálido e frio, e o ar parecia parado. Era final de semana, o que significava que eu não precisava me preocupar com trabalho ou com pressões externas. Mesmo assim, senti um peso no peito, algo que precisava ser enfrentado.
Levantei-me devagar, me arrumei sem pressa e saí de casa ainda cedo, levando comigo um pequeno arranjo de flores que havia comprado. Cada passo até o cemitério parecia me puxar para trás, mas eu sabia que precisava ir.
Visitar o túmulo da minha mãe era sempre doloroso, mas ao mesmo tempo, de alguma forma, trazia alívio. Era como se falar com ela, mesmo que em silêncio, me fizesse recuperar um pouco de força. Caminhei pelas alamedas tranquilas do cemitério, sentindo o cheiro de terra úmida misturado ao perfume das flores recém-colocadas sobre outras sepulturas.
Quando cheguei lá, respirei fundo e me ajoelhei diante da lápide. Passei a mão sobre o nome dela, tentando absorver alguma paz daquela pedra fria. As lembranças dela voltaram com força, e eu senti um nó apertar minha garganta.
— Mãe, eu sinto tanto a sua falta… — sussurrei, sem conter as lágrimas que caíam livres pelo meu rosto.
Por alguns minutos, deixei que a dor falasse mais alto, mas também procurei encontrar conforto naquela presença invisível que, de certa forma, ainda me protegia. Eu precisava acreditar que ela continuava olhando por mim, mesmo de longe, e que ainda poderia me ajudar a encontrar um caminho no meio de toda a confusão que me rodeava.
— Aqui… eu sei que a senhora ama tulipas. — falei baixinho, depositando as flores com cuidado sobre a lápide, bem próximo ao nome dela gravado na pedra. As pétalas pareciam ainda mais vivas contrastando com o cinza frio do mármore.
Suspirei fundo, tentando conter a emoção que insistia em tomar conta do meu peito.
— Eu sei que você me ajudaria se estivesse aqui — continuei, sentindo a voz embargada. — Com certeza me daria aquelas belas broncas… — tentei sorrir, mesmo que a dor ainda latejasse forte dentro de mim, porque era assim que ela sempre fez: me puxava para a realidade, mesmo quando tudo parecia desmoronar.
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Era Você
RomanceSarah e Julie sempre foram muito próximas, mas com o passar do tempo, isso mudou drasticamente, e a distância entre elas se tornou evidente. Sarah não via sua irmã há anos, até receber a notícia de que Julie iria se casar. Apesar de ser convidada pa...
