capítulo 43

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Eu não sabia o que dizer. Meu corpo inteiro havia paralisado, como se um choque tivesse percorrido cada célula, me prendendo no lugar. Meu coração batia forte, mas minha voz simplesmente não saía. Era como se eu tivesse entrado em pânico e, sem saber como reagir, permaneci calada, deixando que o Brandon resolvesse tudo sozinho.

Quando finalmente reuni coragem para levantar o olhar, vi Brandon ali, parado, tão exposto quanto eu jamais o tinha visto. Havia algo nele que não reconhecia - uma mistura de frustração e desespero. Ele parecia perdido, como se não soubesse como agir, como se o controle que sempre demonstrou simplesmente tivesse escorregado por entre seus dedos.

A forma como ele tratou Adam me pegou de surpresa. Nunca, em todos esses dias que o conhecia, o tinha visto perder o controle daquele jeito. O tom da sua voz, a intensidade em seu olhar, cada gesto exaltado... tudo aquilo era novo para mim. Eu não sabia se era raiva, mágoa ou apenas um acúmulo de sentimentos reprimidos que finalmente transbordaram. Mas, pela primeira vez, percebi que até Brandon, sempre tão seguro, também tinha limites.

Encarei minha irmã, e pela forma como ela me olhava, soube que aquela conversa seria breve, mas intensa. Ela não precisava dizer nada; seu olhar carregava um misto de preocupação e julgamento, como se já soubesse que eu estava prestes a soltar uma desculpa esfarrapada.

Meus olhos encontraram os do Alex, e uma onda avassaladora de raiva tomou conta de mim. Uma raiva que queimava por dentro, que me fazia cerrar os punhos e desejar, por um breve momento, socar sua cara sem pensar duas vezes. Mas lá no fundo, por mais que eu tentasse me convencer do contrário, sabia que aquilo não seria o suficiente para odiá-lo. E me odiava por isso. Odiava essa incapacidade de arrancá-lo do meu peito.

Quando o vi naquela noite no bar, senti raiva. Senti raiva dele todos os dias desde então. Mas, no fundo, sabia que parte desse ódio era uma máscara, uma barreira que escondia sentimentos confusos e indecifráveis. A raiva era fácil de aceitar. O resto, nem tanto.

Finalmente, voltei meu olhar para Adam, que me observava com uma mistura de expectativa e desconfiança. Eu precisava dizer alguma coisa. Tentei formular uma explicação que soasse convincente, mas as palavras saíram antes que eu pudesse pensar melhor nelas.

- Eu fui visitar uma amiga que estava internada. - menti descaradamente, sentindo o peso da falsidade escorregar pela minha língua.

- Uma amiga? - repetiu minha irmã, sua expressão carregada de dúvida.

- Sim, foi só isso. - Confirmei, tentando manter a voz firme. - E quando estava saindo do hospital, encontrei o Alex parado, se protegendo da chuva.

O silêncio que se seguiu foi cortante, pesado como a tempestade que havia testemunhado naquela noite.

- Foi exatamente isso que aconteceu. - Alex reforçou, cruzando os braços. - Então, irmão, não precisa ficar irritado com o Adam. Ele só ficou curioso.

O olhar que Alex lançou ao irmão foi intenso, carregado de algo que eu não conseguia decifrar. Brandon franziu o cenho, claramente incomodado.

- Eu concordo com seu irmão, Brandon. - Julie interveio, sua voz firme. - Não precisa agir dessa forma com seu amigo. E, sinceramente, não precisava intervir por Sarah. Ela poderia se explicar sozinha, não acha?

O olhar de Brandon vacilou, mas ele não disse nada de imediato. O que quer que estivesse pensando se misturava em seus olhos, um turbilhão de emoções que ele não deixava transparecer por completo.

- Me desculpa, cara. - Ele finalmente murmurou, parecendo verdadeiramente arrependido ao olhar para Adam.

- Tá tudo bem, cara. - Adam aceitou as desculpas sem hesitação.

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