capítulo 65

59 6 4
                                        


A

estrada parecia interminável, como se quisesse prolongar cada segundo antes da partida. Chegar ao aeroporto foi cansativo, um caminho que pareceu muito mais longo do que realmente era, carregado de pensamentos e lembranças. Antes de ir embora, abracei minha mãe pela última vez naquele momento. Seu abraço tinha um calor familiar, misturado à saudade e à certeza de que ainda nos veríamos de novo. Em breve, ela estaria comigo em Nova York, e isso me dava forças para seguir em frente.

Enquanto caminhava em direção ao portão de embarque, uma promessa tomou conta do meu coração: eu não deixaria o tempo nos afastar outra vez. Faria questão de recuperar cada momento perdido, de reconstruir laços, de mostrar que, apesar de todas as feridas, o amor continuava vivo dentro de mim.

Ali, no meio da multidão, respirei fundo e sorri, mesmo com os olhos marejados. Era hora de começar um novo capítulo da minha história — e, dessa vez, eu não iria desistir.

Mas saber que talvez nunca mais visse o Brandon abria um buraco profundo no meu peito, como se arrancassem uma parte de mim que eu jamais conseguiria recuperar. Vivemos tantas coisas juntos, compartilhamos segredos, medos, sonhos… e, ao mesmo tempo, parecia que não tínhamos vivido nada, porque tudo se desfez tão rápido. Como pode duas pessoas se amarem tanto, com tanta intensidade, e ainda assim serem obrigadas a seguir caminhos diferentes? É cruel perceber que o amor, às vezes, não basta para manter duas almas unidas.

E seguir em frente sem estar ao lado de quem se ama de verdade parecia impossível, como tentar caminhar sem chão. O vazio deixado por ele latejava em cada batida do meu coração. Eu me perguntava se um dia essa dor iria passar, se um dia conseguiria lembrar do Brandon sem sentir essa pontada de arrependimento, de saudade, de perda.

O Alex… ele também tinha um lugar no meu coração. Eu não podia negar. Talvez fosse um sentimento diferente, mas não menos verdadeiro. Posso dizer, sem hesitar, que sim, eu o amo. Só que escolher entre ele e o Brandon me esmagava por dentro — era como ter que arrancar uma parte de mim para salvar a outra. Uma decisão cruel, impossível, porque sempre que tentava pesar os sentimentos, a balança se partia.

Entre Alex e Brandon, não havia escolha certa. Havia apenas a certeza de que, não importava qual caminho eu seguisse, sempre levaria comigo as cicatrizes do amor.

UM MÊS DEPOIS

Depois de semanas tão intensas na empresa, resolvi tirar uma pequena folga e dar uma passada na casa da minha mãe. As coisas andavam extremamente corridas, mas deixei a Beck encarregada de resolver as pendências naquele dia — ela sempre foi de confiança, e eu precisava respirar um pouco fora do ambiente de trabalho.

Ao chegar, estacionei em frente à casa que sempre me trazia tantas lembranças boas. O jardim, tão bem cuidado, estava florido, pintado de cores vivas que pareciam dar boas-vindas. As janelas grandes deixavam a luz entrar e davam vida ao interior, tornando tudo mais acolhedor, mais vivo — mais lar.

Desci do carro e caminhei até a porta, sentindo uma pontada de nostalgia a cada passo. Assim que bati, a porta se abriu quase imediatamente, revelando Olivia, que trabalhava para a nossa família desde que eu era pequena. Seu rosto familiar e gentil despertou em mim uma sensação de segurança que há muito tempo não sentia.

— Sarah, que alegria te ver, minha pequena! — exclamou, abrindo um sorriso caloroso.

Não resisti e a abracei forte, sentindo o carinho que ela sempre teve por mim.

— Senti sua falta, Olivia — falei, sorrindo, com o coração leve. — E a minha mãe, onde está?

— Está na cozinha, preparando algumas coisas — ela respondeu com aquele tom doce de sempre.

Era Você Histórias para pegar e não largar. Descubra agora