Trinta e dois

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As pessoas dizem por aí que não dá para sentir falta daquilo que você nunca teve

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As pessoas dizem por aí que não dá para sentir falta daquilo que você nunca teve. Bom, eu não vejo dessa forma. 

Eu nunca fui o tipo de cara que faz planos antecipados para o futuro. Meu foco sempre foi o trabalho — pode me chamar de workaholic, eu assumo a culpa. Mas quando se trata da minha vida pessoal, sinto que sempre fui um pouco desleixado. Eu nunca me senti ansioso para casar, ter filhos, mas ultimamente tenho pensado nisso. É muito fácil se sentir um pai quando passo um tempo com a minha única sobrinha, principalmente quando faço coisas que um pai faria. 

Nesse momento Maya está sentada no banco de trás do meu carro, esperando enquanto eu dirijo para a sua escola, já que Jasmin me pediu esse grande favor. Cillian, seu marido e pai dessa pequena pentelha, está viajando a trabalho, e minha querida irmã teve de sair mais cedo para resolver uma urgência na empresa em que trabalha. Claro que ia sobrar para o tiozão aqui. 

Mas não estou reclamando. Adoro Maya. Muitas vezes sinto como se ela fosse minha filha, um pedacinho de mim. Ela deixa a minha vida mais alegre, divertida, e me faz pensar sobre a possibilidade de ter filhos. Quer dizer… não é uma prioridade, mas acho que seria legal. Eu me sairia bem no papel. Bom, espero que sim. Sou um bom pai para o meu cachorro. Cachorros são como crianças. Crianças até mesmo andam como cachorros, usando braços e pernas, até certa idade. 

Viu só? Iguaizinhos. 

Será que Mackenzie quer ter filhos? E por que eu estou pensando nela? Argh. É tão irritante a forma como ela invade meus pensamentos sem o mínimo de esforço. O fato de eu ter passado as últimas noites na cama dela não ajuda. Parece que ela está impregnada em mim, como se eu precisasse dela para respirar. 

Eu sei, eu sei… estou muito encrencado. Mas quer saber de uma coisa? Isso não me apavora tanto quanto antes. Quer dizer… a ideia de estar apaixonado por Mackenzie. Isso só se torna mais claro conforme o tempo vai passando. Quero cuidar dela, estar perto dela, protegê-la… quero conhecer cada camada que ela esconde; ouvir sobre acontecimentos banais da sua infância e ouvir o som da sua risada que parece uma nota musical.  

Se alguém me perguntar como isso aconteceu, receio que não saberei responder. No início era só sexo. Eu me senti absurdamente atraído por Mackenzie no minuto em que pus os olhos nela, mas as coisas avançaram muito rápido, e tudo aconteceu bem debaixo do meu nariz. Ela foi me conquistando discretamente, sem nenhuma intenção, e eu passei a observá-la de uma forma diferente. Não é sobre o sentimento explosivo sempre que a gente transa — apesar de eu gostar muito dessa parte —, mas sim sobre o quanto eu gosto de ficar na cama com ela depois disso, é a forma como o meu coração acelera toda vez que ela me toca ou sorri para mim. 

É isso aí, senhora e senhores. Estou apaixonado pela minha secretária. O feitiço virou contra o feiticeiro. 

O problema é que não basta apenas admitir esses sentimentos; nossa situação é mais complicada do que parece. Não posso assumir meus sentimentos, não quando posso colocar o emprego de Mackenzie em risco ao fazer isso. A empresa tem uma política muito rígida sobre relacionamentos amorosos entre os funcionários, essa regra idiota que eu mesmo criei, e não posso dar aos meus outros funcionários motivos para fazer fofoca. Eu estou protegido na fortaleza da minha sala, porque ninguém tem coragem de dizer o que pensa na cara do homem que paga o seu salário, mas e quanto a Mackenzie? Ela é um alvo fácil para os abutres de plantão. Tudo fica ainda mais difícil só pelo fato de ela ser uma mulher. Ela sempre vai levar a culpa, não importa que tenhamos feito isso juntos. 

Sr. Royal Onde histórias criam vida. Descubra agora